17 de jan. de 2020

Tom Ford Oud Wood Intense - Avaliação/Resenha/Review


Tom Ford foi um dos primeiros a apostar no apelo comercial do agarwood e enquanto estava dirigindo criativamente a Yves Saint Laurent comissionou o que se tornou um dos clássicos comerciais com essa nota, o perfume M7. É possível dizer que 5 anos depois Oud Wood nasceu dentro da Private Blend com Tom Ford ainda apostando nessa ideia, porém dessa vez com um toque mais ocidentalizado, limpo e elegante. Não a toa o perfume se tornou um de seus sucessos de vendas, ainda que seja criticado por ser um perfume de agarwood como se espera. Aparentemente, Oud Wood Intense nasce em 2017 justamente para atender essa demanda.

Essa criação, entretanto, acaba incorrendo em um problema, que é o da criação de um flanker intense de outro perfume, gerando expectativas de uma versão mais marcante do original. Ainda que seja mais marcante de fato, Oud Wood Intense não é exatamente uma versão, e sim uma nova fragrância baseada no conceito de agarwood, uma que promete vender o conceito na sua forma mais luxuosa e rica. É um objetivo ousado e um que infelizmente a marca não consegue honrar.

Oud Wood Intense funciona como um trailer: você vê de forma condensada as melhores partes na saída, entretanto quando analisa o projeto como um todo se decepciona pois ele não entrega o que o condensado parecia apontar. Criativamente vejo uma espécie de impasse na construção do perfume, como se não se decidisse se o flanker iria numa direção mais ousada e arriscada ou se manteria o apelo comercial luxuoso do tradicional. Dessa forma, a saída vende um aroma mais animálico e de couro, um aroma lustroso e que por breves momentos lembra o couro de 2 private blend descontinuados (Japon Noir/Bois Rouge). Em uma temperatura amena esse aspecto não se sustenta, abrindo espaço para um aroma mais herbal e aromático e um caminho que leva o agarwood em uma direção mais amadeirada e almiscarada.

Oud Wood Intense acaba cometendo o erro de não sustentar riqueza prometida. Prevejo também que é um perfume que pode decepcionar a muitos: os que o sentem pela saída podem se assustar e não esperar a evolução e os que se agradam com ela tem chances de se desapontar depois. Considerando que ele é posicionado numa faixa de preço para ser uma versão mais premium do Oud Wood é um perfume que desaponta pela falta de ousadia e coerência.

Tom Ford Fougere d'Argent - Avaliação/Resenha/Review


Tom Ford sabe muito bem que dentro de seu universo de usuários há duas coisas que vendem muito bem: a provocação, em geral conceitual e com um toque de sensualidade/sexualidade explícita, e a atemporalidade, essa reinterpretada para que perca um aspecto antigo e ganhe a aura de luxo extravagante que lhe permite cobrar preços de exclusividade. Atento as tendências de mercado, a marca recentemente tem investido nos Fougeres, uma família olfativa que tem renascido no segmento de luxo recentemente. Se em Fucking Fabulous a marca vai mais para o sensual/chocoante, em Fougere d'Argent ela aposta no clássico reinterpretado.

Com o marketing sendo marketing, Fougere d'Argente é vendido como uma reimaginação ousada do acorde fougere, que te vende a falsa ideia de que o musgo de carvalho não está mais disponível e que para compor o acorde Fougere com a lavanda e a coumarina a marca vai em uma direção provocativa ao utilizar no lugar do musgo o cativo da Givaudan chamado Akigalawood, que é mencionado como uma derivação do patchouli com um aspecto spicy, amadeirado e amargo. Na prática, não há nada exatamente ousado aqui, a maior ousadia na prática é a transformação de um fougere clássico no estilo de um Fougére Royale em uma sinfonia olfativa moderna e que possa ser vendida de forma exclusiva.

É necessário, antes, corrigir a falsa ideia que a marca vende de que um acorde Fougére é formado apenas por lavanda, coumarina e musgo de carvalho. Apesar desses 3 componentes serem essenciais, um acorde Fougére também envolve a utilização de gerânio e vetiver e não é incomum que se encontre também elementos como cravo e patchouli na formulação básica de um fougere. Hoje existe disponível ao perfumista versões do musgo de carvalho que possuem um baixo teor das moléculas que podem causar alergia e desde a década de 80 já se cria perfumes fougere com baixos níveis de musgo de carvalho natural, utilizando sintéticos e ancorando a base no patchouli. Na prática, a marca vende uma falsa ousadia relacionada a uma restrição técnica para passar debaixo do nariz do consumidor uma repaginação justamente dos elementos que tornam um fougere clássico datado.

Dessa forma, a modernização da família clássica em Fougere d'Argent foca em simplificar os elementos olfativos da base de um fougere ao mesmo tempo que mantém o contraste entre o aroma fresco da lavanda, o aspecto verde, levemente adocicado da coumarina e o aroma terroso e amadeirado da base. Na saída, o perfume passa um interessante aspecto limpo e levemente metálico, que parece emanar da lavanda em si. Essa não possui conotações funcionais e junto com a coumarina forma um belo acorde Fougere, curiosamente entre um clássico como o Fougere Royale e um fougere oriental mais moderno, algo na linha de um Amouage Man, porém menos floral e mais focado na dinâmica da lavanda-coumarina.

Conforme prometido na descrição, a base entrega as nuances amadeiradas e levemente amargas e picantes, desprovido do aspecto mais terroso e clássico de uma base fougere clássica. Fougere d'Argent vende bem seu conceito, calibrando na medida a modernização da ideia fougere para que ela não soe banal. Que isso em 2018 seja vendido como luxo é mais uma questão mercadológica que a marca tem sabiamente aproveitado desde o começo de sua existência.

Tom Ford Fucking Fabulous - Avaliação/Resenha/Review


Talvez um dos sinais de que vivemos tempos com aspectos as vezes conservadores e confusos é a repercursão que teve o fato de Tom Ford utilizar um palavrão para nomear seu novo perfume, Fucking Fabulous. Mas considerando que o designer entende muito bem de marketing, isso certamente foi proposital - afinal, numa indústria que lança mais de 1000 perfumes por ano nada melhor que uma polêmica para que os consumidores não esqueçam do seu produto. Não é exatamente uma abordagem inovadora se você se lembrar um pouco de história da perfumaria - veja a Lanvin, por exemplo, quando criou um perfume chamado My Sin (Meu Pecado) ou mesmo a YSL quando lançou um perfume inspirado em um narcótico, o Opium. Talvez a ousadia aqui tenha sido não fazer a censura para o puritano mercado norte americano.

Por mais que muitos adorem falar mal do Tom Ford e sua linha de nicho, é admirável que Tom Ford ainda corra riscos criativos e ouse apresentar aromas diferentes ao seu público. Talvez esse tenha sido um dos motivos pelos quais Fucking Fabulous foi inicialmente limitado na distribuição - mas isso também é uma estratégia de marketing, já que ao criar ao polêmico e limitado você atiça a curiosidade das pessoas e, consequentemente, cria demanda.

Como conceito o perfume é bem interessante, e seu o nome incomoda basta chamá-lo de Fabulous e está resolvido. Estruturalmente o perfume me faz pensar em uma ideia bem clássica, o fougére, só que retrabalhada para que soe distinta. A criação se apoia em 2 dos tripés de um fougére - a coumarina e a lavanda - e troca o terceiro: em vez de uma base amadeirada clássica e com musgo de carvalho temos um acorde de couro, musks, madeiras minerais e cashmeran.

Me surpreende o quanto a criação aqui volta-se para o aroma da fava-tonka, não do jeito que estamos acostumados, mas para a matéria-prima bruta em si. O aroma da tonka vai além do seu lado mais gourmand, do seu aroma de amêndoas e das nuances de mel. As favas de tonka antes de serem torradas possuem um aroma quase que negro e gramíneo, com algo meio entorpecente no cheiro quando sentido muito tempo. Esse lado mais dark e pouco explorado é justamente posto em evidência em Fucking Fabulous, combinado a um acorde de couro que remete a nuances de carvão vegetal.

O efeito em si na saída é algo ousado, remetendo para mim ao cheiro que produz a tinta e a qualidade do papel utilizada para imprimir jornal. Passando esse momento mais desafiador, a composição mostra o lado mais amigável da tonka, porém sem nunca saturar o perfume em baunilha ou notas açúcaradas. Em vez disso, combina-se sua doçura amendoada com o toque herbáceo e refrescante da lavanda e um base onde couro, toques de vetiver e o aroma úmido e de concreto do cashmeran sustentam esse fougere-couro. Se a ideia aqui foi distrair as pessoas com um nome "chocante" para passar um aroma mais ousado foi um truque de mestre.

Tom Ford Vanille Fatale - Avaliação/Resenha/Revuew


A grife Tom Ford pode ser usada como um exemplo didático de ensino de como se constrói progressivamente um império de perfumaria com características de nicho. A marca e a pessoa por trás dela sempre combinaram uma estratégia que envolve distribuição, preço e marketing, mas sem nunca perder o foco nos perfumes. Como diretor criativo de fragrâncias Tom Ford esteve sempre entre o passado e o presente, resgatando ideias clássicas e dando-lhes uma roupagem luxuosa, com atenção aos detalhes. E é justamente isso que ele faz em Vanille Fatale.

Eu diria que a descrição do perfume em si é uma das mais ridículas que eu já vi para a marca. O perfume é vendido com todos os descritivos ultra-exagerados que costumam ser utilizados para definir o marketing de perfumaria comercial. Vanille Fatale parece vender a salvação e o milagre e é necessário que você acredite nisso para comprar a ideia. Percebe-se também toques de marketing na pirâmide olfativa, com utilização/descrição de notas que não impactam de forma geral o caráter do perfume em si, como o açafrão, café, cevada e narciso por exemplo. O que sustenta esses maneirismos diferente de muitos outros perfumes é que há uma boa composição quando se despe as camadas conceituais absurdas.

Vanille Fatale consegue vender bem a ideia de uma baunilha refinada e carnal e parece olhar para um passado não muito distante para fazer isso. Talvez pela descrição vender baunilha e tabaco a associação imediata remete a um sucessor do Tobacco Vanille, mas para mim Vanille Fatale descende diretamente da criação Hypnotic Poison de Annick Mernardo, um perfume que consegue a proeza de utilizar doses altas de vanilina sem tornar o perfume monótono e suave demais. A ideia aqui é parecida, um combo de notas amendoadas, toques florais e baunilha, a diferença reside em como essa ideia básica é trabalhada.

Volta-se aqui para o que Tom Ford gosta e sabe fazer bem, que é resgatar ideias clássicas e torna-las modernas e desejadas novamente. Para isso, em uma cama de baunilha e musks trabalha-se o ângulo da baunilha por meio das resinas. Cita-se um acorde incensado construído utilizando-se olíbano e mirra, mas o aroma em si parece apontar mais para a utilização das nuances medicinais, doces e incensadas do benjoim. A ideia amendoada da saída é vendida por um acorde floral tropical mais exótico, de frangipani e que já deixa evidente logo de cara a baunilha com ares de acorde resinoso clássico. O Corpo floral da composição é bem discreto e é também um momento onde Vanille Fatale difere. Em vez de um aroma cremoso e lactônico de jasmim ou de um tabacco com nuances de mel cria-se um corpo floral praticamente transparente no sentido de que o aroma da base rapidamente avança e os detalhes da rosa, narciso, café e das outras notas listadas praticamente somem. Se você procurar por eles na pele certamente notará uma aura levemente torrada e com nuances que remetem a flores, mas poderia ter sido encaixado qualquer descritor como nota para essa fase, dado que ela foi feita para ser abstrata.

O segredo para uma Baunilha ser Fatal reside justamente na capacidade de manter seu aspecto confortável e suas nuances maternais e ampliar sua performance e seus detalhes. Isso Vanille Fatale faz bem, independente de pirâmide complexa e marketing absurdo. É nisso que Tom Ford acerta novamente em sua coleção.

Tom Ford Lost Cherry - Avaliação/Resenha/Review


Mantendo a ideia do provocativo e, para alguns, vulgar, Lost Cherry brinca com o duplo sentido que Cherry tem em inglês, referindo-se às partes íntimas da mulher. Percebe-se que isso é intencional, pois seu conceito explora ideia de uma jornada ao proibido, a uma dicotomia entre o carnal/erótico e o brilho gourmand, entre a inocência e a indulgência. Resumindo, Lost Cherry é conceitualmente um ode à transformação da mulher de menina/adolescente a um ser carnal e sexual. Assim como Fucking Fabulous e Vanille Fatale, o conceito é exagerado e se você vai por ele você se decepciona.

Na minha opinião há um erro de significado em Lost Cherry, ou talvez um problema de leitura do que ele quer dizer. Da forma como conceito, frasco e nome são propostos você espera um perfume ousado, um aroma adocicado e licoroso de cerejas que permaneça do começo ao fim. Mas o fato é que Lost Cherry não é isso e seu conceito na minha opinião está mais para uma cerejeira do que para a cereja em si, o que faz mais sentido quando se pensa no que ele deseja fazer, que é representar a transformação da mulher. Os frutos servem para evidenciar a fecundidade feminina e as flores trazem o ar misterioso e sensual. No caso da cerejeira, é interessante pois a flor de cerejeira ao representar a primavera trás um certo conceito de inocência e transformação que cai feito uma luva aqui.

Lost Cherry começa como seria esperado, com um aroma bem suculento de cerejas, um cheiro doce, frutado e amendoado, trazendo o aspecto meio amargo que liga às cerejas as amêndoas. Em vez do perfume permanecer assim ele retém determinados aspectos da cereja e o leva em uma direção mais floral, trabalhando um jasmim que trás um colorido floral branco que te faz pensar em flor de cerejeira. É interessante que em meio às flores há um aroma meio amargo e frutado que você só percebe na cereja in natura, que se perde quando você a coloca no licor. Na base o perfume vai em uma direção mais amadeirada mas ao mesmo tempo há uma finalização com uma baunilha mais negra e quente que trás um charme extra ao perfume.

Lost Cherry completa uma trilogia implícita carnal-sexual que Tom Ford construiu entre o final do ano passado e esse ano com Fucking Fabulous, Vanille Fatale e por fim Lost Cherry. Os três exploram um eixo olfativo entre baunilha, coumarina e amêndoas/cerejas, dando diferentes facetas a esse tripé e inclusive criando um contexto que convida ao layering dessas fragrâncias. Eu diria que dos 3 Lost Cherry é o mais feminino de todos, mas que com Fucking Fabulous ele deve ficar interessante para o público masculino. Não é um perfume literal e na minha opinião é um perfume que decepciona na fita olfativa. Ele só faz sentido quando se pensa no conceito e na percepção do que a cereja realmente significa.

Tom Ford Venetian Bergamot - Avaliação/Resenha/Review


Venetian Bergamot tem uma das coisas que sempre me irritou quando se trata de produto, em especial em perfumes. É uma espécie de descaso com o projeto que simplesmente joga qualquer conceito e o fato é que por mais que o que realmente importe em um perfume é o aroma em si é inegável o quanto descrições ruins, aleatórias e sem sentido frustram e tornam difícil ser assertivo quando se busca conhecer novos perfumes no escuro.

Que diabos a begamota tem a ver com Veneza? A singular interpretação do Tom Ford é tão singular que praticamente o aroma não remete a bergamota e sai do clichê para o irreconhecível. A fantasia floral especiada e amadeirada que a marca cria, entretanto, é muito bem construída do ponto de vista olfativo e técnico, o que salva um conceito pobre e ruim nesse sentido.

Venetian Bergamot está mais para um paraíso tropical floral do que um cítrico de luxo na Itália. O lado da Bergamota que conecta o cítrico à fava tonka e à lavanda é o que é acentuado aqui, de maneira que não é fácil identificar seu aspecto mais seco e fresco em meio a aura floral tropical. Venetian Bergamot cria um aroma floral meio lactônico que me remete a uma variação interessante da mesma ideia existente no perfume Bahiana da Maitre Parfumeur Et Gantier, só que em vez de pôr ênfase no limão e no neroli cria um toque de coco cremoso em meio a flores tropicais de gardênia, jasmim e frangipani. Esse paraíso tropical é completo com uma base muito boa amadeirada, um cheiro abstrato de lascas de madeira com um leve toque apimentado e um ambar distante.

Em termos de performance, o perfume surpreende por manter uma aura presente desde o momento da saída até a base. Não é discreto, mas também não é um perfume que exale de maneira agressiva (pelo menos não em um ambiente condicionado). De maneira geral, é um produto que em vários aspectos é muito bem construído, mas que é insatisfatório no nome e conceito que vende

14 de jan. de 2020

Chlorophylla Cosméticos Marro - Avaliação/Resenha/Review



Acho intrigante como alguns perfumes conseguem sobreviver ao tempo apesar das mudanças dos gostos do consumidor ao longo dos anos. É como se eles, veteranos, desafiassem os novinhos que chegam nas prateleiras para competir com eles, fragrâncias tão confiantes de sua personalidade que não estão nem aí para que não os curte pois sabem que continuam a atrair amor suficiente para se manter em produção. É como eu visualizo o perfume Marro da brasileira Chlorophylla.

Lançado em 1986, Marro é uma daquelas fragrâncias que ao longo dos anos sempre vi alguém perguntar a respeito, seja opinião ou um substituto, mas uma da qual apenas conheci a fama. Aparentemente a marca Chlorophylla passou estagnada no mercado durante muitos anos e um novo grupo de investidores está progressivamente resgatando a marca e modernizando-a, mas sem deixar de lado sua história. Assim, é possível conhecer esse famoso perfume que não somente foi feito na década de 80 como remete a ela também.

Marro é para mim intrigante por dois motivos. O primeiro deles é o fato de que Marro é um perfume com evolução de Cologne e elementos cítricos clássicos mas alma e aura daqueles floral gigantes de tuberosa da década de 80. O segundo deles é como um perfume com elementos que tendem a um floral feminino virou um clássico da perfumaria masculina. São coisas assim que desafiam as regras do que em geral funciona ou não funciona em vendas.

Marro abre como uma explosão especiada que contraditoriamente é cítrica e até mesmo refrescante também. O perfume parece utilizar alguns sintéticos associados a tuberosa justamente para criar o frescor mentolado do gengibre, utilizando cítricos para capturar a faceta de limão da raiz. O gengibre + cardamomo funcionam como contraponto para o lado especiado mais medicinal do cravo, que é complementado pelo blend de pimentas.

O que vem logo em seguida é intrigante também, a aura fantasmagórica de uma tuberosa da década de 80 continua a cercar a evolução do perfume, dessa vez disfarçada como lírio do vale e apoiada no aroma floral verde e aromático do gerânio. Sinto também nuances de ylang-ylang na composição, um uso muito inteligente da flor que explora justamente o lado mais canforado e mentolado da mesma para encaixá-la num acorde fougere de nuances especiadas e cítricas.

Eu diria que o ponto onde Marro decepciona é na fase final, pois termina de uma maneira antagônica, um aroma amadeirado discreto e rente a pele que tenta forçar um perfume mais exótico e intenso a se tornar usável, mas ao fazer isso sacrifica em partes a identidade do perfume. A performance de Marro também não é das melhores e é necessário utilizá-lo como se fosse uma Cologne, de maneira abundante. Mas talvez isso acabe sendo inclusive o que o sustenta, um perfume com ares opulentos mas que a intensidade e evolução permite que você tome banho no calor escaldante de determinadas regiões do país. Esse certamente é um veterano ame ou odeie e que mantém seu status por isso.