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31 de dez de 2017

Top 10 Perfumaria Nacional 2017


Para 2017 decidi que seria legal ter um espaço separado no final de ano para a perfumaria nacional. Entendo que é um erro julgar e esperar de nossa perfumaria o mesmo que acontece no cenário internacional. Primeiramente devido ao alto custo tributário e as complexidades no esquema de transporte, que encarecem o preço da produção de um perfume. Segundo pois o Brasileiro ainda tem um complexo com relação a perfume nacional, o que dificulta as grifes investirem em produtos mais caros ou mais ousados.

Ainda sim,é possível dizer que com suas limitações de custo e produção a perfumaria nacional tem ido muito bem, obrigado e não tem feito feio ao que tem acontecido no circuito comercial internacional. Em 2017 em particular uma marca se destacou, a Natura, com uma estratégia de aproximação com as mídias sociais, um olho mais prático com as tendências e com excelentes perfumes, que se confundiriam facilmente com criações de renomadas grifes.

Diferente da retrospectiva de 2017 nem todos os perfumes que fazem parte desse top 10 estão disponíveis no blog - alguns são artigos feitos diretamente para a versão nacional do site fragrantica. Há 2 perfumes que fazem parte da lista e que devido as limitações de tempo desse ano ainda não foram avaliados devidamente, mas que merecem seu lugar de destaque no top 10 desse ano.

Natura Una Artisan


Uma das grandes surpresas do ano foi Una Artisan, e me arrisco a dizer que seu sucesso foi uma surpresa até mesmo para a própria Natura, visto que o perfume veio como edição limitada e se tornou parte fixa da coleção. Não é fácil vender perfumes nacionais na faixa de preço do Una Artisan, porém seu aroma rico, elegante e de ótima performance torna essa tarefa mais fácil. Um perfume que utiliza a riqueza do patchouli com toques frutados e um belo buquê floral branco. Um dos grandes acertos da marca esse ano.





Boticario Egeo Bomb Him


 Há um comportamento muito curioso na perfumaria nacional quando se trata de duas grandes empresas e rivais. Quando o Boticário tem um excelente ano a Natura desaponta e quando a Natura surpreende, caso de 2017, o Boticario decepciona. Boa parte dos lançamentos da marca esse ano foi mais do mesmo que ela tem a oferecer mas um se destacou como muito bom. Egeo Bomb Him explorou um segmento da perfumaria nacional que é praticamente ignorado, os perfumes gourmands masculinos, oferecendo uma fragrância doce bem balanceada, marcante sem ser enjoativa.



L'Acqua di Fiori Fleur de Vie


Após a sua quase falência a marca L'Acqua di Fiori tem batalhado nos últimos anos para se recolocar e crescer no cenário de perfumaria nacional. Em 2017 a marca decidiu apostar em algo novo e oferecer 2 criações feitas por uma perfumista internacional. Para o público feminino ela ofereceu Fleur de Vie, que chama a atenção com seu aroma luminoso floral levemente doce, um que explora uma flor que quase não aparece na perfumaria brasileira, a magnólia.



Natura Kriska Drama


Quando eu soube que a natura tinha planos de investir em perfumes gourmands, a princípio não acreditei pois a marca sempre me pareceu fugir desse tipo de criação. Porém ao sentir Kriska Drama tive certeza que a marca realmente está levando a sério isso. O flanker Drama dá uma cara mais moderna a linha Kriska e explora um delicioso aroma gourmand amendoado e torrado, contraposto com o que tem sido uma essência queridinha da casa, o patchouli. Será um perfume a ser avaliado com mais detalhes em 2018 mas que merece seu lugar na lista de 2017.





Eudora On Men Red



 Eu diria que de forma geral o cenário nacional de perfumaria masculina é um pouco decepcionante ainda. Não sei se há um receio das grifes em apostar em algo mais ousado e diferente ou se há pouco receptividade do público masculino que consome perfumaria nacional. On Men Red apesar de não ser exatamente inovador consegue sair um pouco do convencional ao vender um efeito bem legal, um de perfume que começa fresco em nuances frutadas e que vai crescendo em sensualidade com toques de especiarias e uma base oriental um pouco adocicada.



Natura Homem Sagaz

 
Homem Sagaz não foge muito da abordagem mais conservadora que o cenário nacional adota para a perfumaria masculina, porém ainda que seja um aroma conhecido em suas partes é uma bela formulação, bem construída do começo ao fim. É um perfume versátil, de fato Sagaz em combinar nuances frescas, aromas amadeirados ambarados, toques adocidados licorosos e uma aura mais sensual de ambroxan que é bem calibrada e aparece apenas em determinados momentos do perfume, dando um toque levemente salgado e de pele a composição. É um perfume que por mais que não tenha nada de novo a dizer dá prazer de sentir na pele sua evolução e que tem uma ótima performance e um bom custo-benefício.


Eudora Prelude S Blanche

 Um dos momentos de maior surpresa para mim na perfumaria nacional foi ter conhecido o flanker Blanche do excelente aroma de mel de Prelude S. Tinha meus receios de que seria uma versão cítrica frutal boba, mas eles ficaram para trás. Não somente Blanche é excelente, como parece um perfume de nicho. Mais que isso, ele me remete ao que eu sempre desejei em um perfume de nicho que eu não gostava: harmonia. Seu aroma de flores tropicais, mel e baunilha é uma melhoria gritante a uma criação pouco conhecida de Annick Goutal, Vanille Exquise. É uma prova de que perfumaria nacional pode fazer coisas excelentes a preços acessíveis.




Natura Essencial Elixir

Um dos primeiros momentos que a Natura me surpreendeu em 2017 foi com o lançamento do excelente Essencial Elixir. Nele já era possível perceber que esse ano a marca estava disposta a fazer criações mais complexas, que tivessem na fórmula a mesma qualidade da perfumaria internacional. A Marca escolheu o patchouli para isso e em Elixir é um dos primeiros momentos onde a marca oferece um aroma oriental rico em patchouli, aqui adornado por um toque retrô das violetas e rosa.






Natura Essencial Elixir Masculino

E fechando o top dos 10 melhores momentos desse ano há mais um perfume da natura que surpreendeu e encantou, a versão masculina da dupla essencial elixir. Pela primeira vez na linha havia uma coerência e harmonia entre as versões masculina e feminina, um mesmo tema trabalhado de formas distintas. A versão masculina é também sofisticada e gira ao redor do patchouli, porém um mais ambarado e seco e que é complementado por tons de violeta e iris.


2017 Retrospective - Part 2

In 2017 the industry as a whole has repeated the trend of recent years with the focus on investing in exclusive and niche perfumes. Niche is the word of the time, whether in industry, news or social groups. And obviously all this focus attracts brands that just want to surf the wave without offering something interesting. Fortunately new debutants have also brought beautiful concepts and a passion for perfumes well made and elaborate. Along with part 1, part 2 of this retrospective tries to highlight just what has worked well in the perfumery, with a greater focus on the niche and indie fragrance segment.


DSH Perfumes Onycha

In every retrospective I have done there is always room for one or two perfumes from perfumer and independent artist Dawn Spencer Hurwitz. She for me personifies perfectly what is independent and creative perfumery: without market pressures, without following trends, free to create what and when she wants. This freedom and fidelity to herself has produced creations such as Onycha, which has its inspiration in the most ancient aspects of perfumery and which is at the same time innovative in bringing a unique and little explored animalic aroma, an extraction of the aroma of shells.



Papillon Perfumes Dryad


Another brand that has stood out in the indie perfumery industry in the last 2 years is the Papillon Perfumes, Liz Moores project. For those who feel nostalgic for the classic and complex style of the past, Liz's perfumes are a full plate. Dryad refers to the time of the perfumes loaded in Galbanum, bringing a citrus freshness that makes it contemporary. At the same time, it makes a beautiful exploration of the floral aroma of narcissus and jonquil. It is another wonderful classic of the brand and that justifies its presence another year in the list of the best moments.




O'DRIÚ Sea Angel

Although the presence of Angelo Orazio Pregoni brand is not new in the retrospectives, Sea Angel was a unique moment in the blog, where Angelo shared all his references to this creation and proposed the challenge of understanding Sea Angel before even knowing it. But the reason the perfume enters the list  is not this, but its unique moment in the perfumery. Angelo explores one of the most worn-out categories of perfumery, the aquatic aromas. And the result is an expressionist view of the impetuous beauty of ocean violence. Like Onycha, Sea Angel explores a difficult and underutilized material that fits perfectly into the concept: the algae absolute.



Santi Burgas Palindrome II

 
You know when you are in front of a perfume that really struck you when you think about it occasionally after you have evaluated it. During this year Palindrome II was a love at first sight for me. An interesting concept proposed by Santiago Burgas and interpreted by talented perfumer Rodrigo Flores-Roux. Its center of gravity is the patchouli, one at the same time earthy and luminous and one richly adorned with flowers, citrus and leather, a construction that in fact explores the contrasts between darkness and luminosity that the concept proposes. A magnificent creation.




Talismans Osang

 Something constant that can be noticed among the choices of the 2017 retrospective is the full union between concept, perfume and presentation. One brand that does it very well in its essence is the Italian Mendittorosa. In 2017 the brand grouped part of its creations in the new brand / collection called Talismans. Osang was the first new perfume to debut in this new label, taking inspiration from something sacred and mystical / mythical: the transformation of the blood of St. Januarius. The combination of pyrazines and aldehydes creates a unique and intriguing look at the aroma of Osang, which makes a slow transition to a honey-like aroma and imortelle.



Dusita Le Sillage Blanc


Some may have seen with skeptic and critical looks in 2017 the debutant Dusita for its almost ubiquitous presence in virtual groups and blogs. This is a mistake, as much as there is a very well designed strategy of disclosure the brand is supported by luxurious and sophisticated perfumes and a balance between past and present in its inspirations. Le Sillage Blanc is a result of Pissara's passion for classic perfumes, exploring in his chypre leather a reference to Robert Piguet's classic Bandit.




Margiela Replica Lipstick On

     
Of the perfumes of the retrospective Lipstick On is one of the few that was not released in 2017 or recently. But I only had the chance to meet the excellent Replica collection in 2017 and it was one of the highlights  of the year. The French Margiela does an excellent job of creating an affordable and well-crafted exclusive collection of perfumes like time capsules. In Lipstick On there is a representation of a beauty ritual moment of a woman in 1952 with a delicious powdery and bright floral scent.





Louis Vuitton Dans La Peau


Conceptually speaking, the debut of Louis Vouitton's exclusive collection of perfumes left a bit to be desired, but I understand that it was perhaps part of the brand's strategy of interpreting travel inspiration more loosely, with the goal of reaching a more eclectic audience . However there are moments in the collection that the brand hit the inspiration with a vintage touch and a completely modern interpretation. The delicate leather scent of Dans La Peau is what best represents in a modern way the essence of the brand's leather goods.




January Scent Project Selperniku
One of the great surprises in 2017 was the debut in the world of perfumery of the plastic artist and fragrantica perfumery columnist, John Biebel. With a simple and elegant aesthetic and a concise collection of 3 perfumes John made a beautiful impact with his January Scent Project uniting creativity, richness in fragrances and fantasy in concepts. His Selperniku is an interesting blank study with materials that are difficult to mold in this hue - such as the striking scent of chamomile and the exotic smell of the imortelle. The balance of these materials with soft musks, lactonic nuances and herbal touches magnificently sells a familiar and innovative aroma at the same time.


Masque Milano L'Attesa



The last few years have been excellent for creations focusing on the iris, a material that has earned the perfumery thanks to its noble aura, its elegance and its richness of nuances. One of the recent perfumes that perfectly captured the essence of the iris taming its gray and funereal side was L'Attesa by Masque Milano. For this, the brand balances the iris absolute with the most brilliant floral nuances and a beautiful base of vetiver, sandalwood and suede. One of the highlights that closes the list of this year and a creation that enters for the best of what the brand has to offer.

Retrospectiva 2017 - Parte 2

Em 2017 a indústria como um todo repetiu a tendência dos últimos anos, com o foco nos investimentos em linhas de perfumaria exclusiva e com características de nicho. Nicho é a palavra da vez, seja na indústria, nas notícias ou nos grupos sociais. E obviamente todo esse foco atrai marcas que só querem surfar na onda sem oferecer algo interessante. Felizmente novos estreantes tem trazido também belos conceitos e uma paixão por perfumes bem feitos e elaborados. Junto com a parte 1, a parte 2 dessa retrospectiva tenta ressaltar justamente o que tem dado certo na perfumaria, com um foco maior no segmento de perfumaria de nicho e independente/indie.


DSH Perfumes Onycha

Em todas as retrospectiva que tenho feito há sempre espaço para um ou dois perfumes da perfumista e artista independente Dawn Spencer Hurwitz. Ela para mim personifica perfeitamente o que é perfumaria independente e criativa: sem pressões mercadológicas, sem seguir tendências, livre para criar o quanto e quando quiser. Essa liberdade e fidelidade a si mesma tem produzido criações como Onycha, que tem sua inspiração nos aspectos mais ancestrais da perfumaria e que é ao mesmo tempo inovador ao trazer um aroma animálico único e pouquíssimo explorado, uma extração do aroma de conchas.



Papillon Perfumes Dryad


Outra marca que tem se destacado no setor de perfumaria indie nos últimos 2 anos é a Papillon Perfumes, projeto de Liz Moores. Para os que se sentem saudosistas pelo estilo clássico e complexo do passado, os perfumes de Liz são um prato cheio. Dryad remete a época dos perfumes carregados em Gálbano, trazendo um frescor cítrico que o torna contemporâneo. Ao mesmo tempo, faz uma bela exploração do aroma floral do narciso e jonquilho. É outro clássico maravilhoso da marca e que justifica sua presença mais um ano na lista dos melhores momentos.




O'DRIÚ Sea Angel

 Ainda que a presença da marca de Angelo Orazio Pregoni não seja novidade na retrospectiva, Sea Angel foi um momento único no blog, onde Angelo compartilhou todas as suas referências de criação e propôs o desafio de entender Sea Angel antes mesmo de conhecê-lo. Mas o motivo pelo qual o perfume entra na list anão é esse, e sim seu momento único na perfumaria. Angelo explora uma das categorias mais batidas da perfumaria, os aromas aquáticos. E o resultado é uma visão expressionista da beleza impetuosa da violência do oceano. Assim como Onycha, Sea Angel explora um material difícil e pouco utilizado e que se encaixa perfeitamente no conceito: o absoluto de algas.



Santi Burgas Palindrome II

 
Você sabe quando está diante de um perfume que realmente te marcou quando se pega pensando nele ocasionalmente depois de ter avaliado. Durante esse ano Palindrome II foi um amor a primeira vista para mim. Um conceito interessante proposto por Santiago Burgas e interpretado pelo talentoso perfumista Rodrigo Flores-Roux. Seu centro de gravidade é o patchouli, um ao mesmo tempo terroso e luminoso e um ricamente adornado por flores, cítricos e couro, uma construção que de fato explora os contrastes entre escuridão e luminosidade que o conceito propõe. Uma magnífica criação.



Talismans Osang

 Algo que pode ser notado de constante entre as escolhas da retrospectiva de 2017 é a plena união entre conceito, perfume e apresentação. Uma marca que faz isso muito bem em sua essência é a italiana Mendittorosa. Em 2017 a marca agrupou parte de suas criações na nova marca/coleção chamada de Talismans. Osang foi o primeiro novo perfume a estrear na marca, pegando uma inspiração em algo sagrado e místico/mítico: a transformação do sangue de São Januário. A combinação de pirazinas e aldeídos cria um aspecto único e bem intrigante no aroma de Osang, que faz uma transição lenta para um aroma de mel e imortelle.




Dusita Le Sillage Blanc


Alguns podem ter visto com olhares céticos e críticos em 2017 a estreante Dusita pela sua presença quase onipresente nos grupos virtuais e nos blogs. Isso é um erro, pois por mais que haja uma estratégia muito bem elaborada de divulgação a marca se sustenta com perfumes luxuosos e sofisticados e um equilíbrio entre passado e presente nas inspirações da marca. Le Sillage Blanc é resultado da paixão de Pissara pelos perfumes clássicos, explorando em seu chypre couro uma referência ao clássico Bandit de Robert Piguet.




Margiela Replica Lipstick On

     
Dos perfumes da retrospectiva Lipstick On é um dos poucos que não foi lançado em 2017 ou recentemente. Porém apenas tive a oportunidade de conhecer a excelente coleção Replica em 2017 e ele foi um dos destaques e pontos altos do ano. A francesa Margiela faz um excelente trabalho ao criar uma coleção exclusiva acessível e bem trabalhado em perfumes como cápsulas do tempo. Em Lipstick On há uma representação de um momento de ritual de beleza de uma mulher em 1952 com um delicioso aroma powdery brilhante e floral.





Louis Vuitton Dans La Peau


Conceitualmente falando a estreia da coleção exclusiva de perfumes da Louis Vouitton deixou um pouco a desejar, mas entendo que foi talvez uma parte da estratégia da marca de interpretar de uma forma mais solta a inspiração nas viagens, com o objetivo de atingir um público mais eclético. Entretanto há momentos na coleção que a marca acertou em cheio na inspiração com um toque vintage e uma interpretação completamente moderna. O aroma delicado de couro de Dans La Peau é o que melhor representa de uma forma moderna a essência dos artigos de couro da marca.




January Scent Project Selperniku

 Uma das grandes surpresas em 2017 foi a estreia no mundo da perfumaria do artista plástico e colunista de perfumaria do fragrantica, John Biebel. Com uma estética simples e elegante e com uma coleção concisa de 3 perfumes John fez um belo impacto com o seu January Scent Project unindo criatividade, riqueza nas fragrâncias e fantasia nos conceitos. Seu Selperniku é um interessante estudo em branco com materiais que são difíceis de se moldar nessa tonalidade - como o aroma marcante da camomila e o exótico cheiro da imortelle. O equilíbrio desses materiais com musks macios, nuances lactônicas e toques herbais vende magnificamente um aroma familiar e inovador ao mesmo tempo.

Masque Milano L'Attesa


 Os últimos anos tem sido excelentes para criações com enfoque na iris, um material que ganhou as graças na perfumaria pela sua aura nobre, sua elegância e sua riqueza de nuances. Um dos perfumes recentes que captou perfeitamente a essência da iris domando seu lado mais cinzento e fúnebre foi L'Attesa da Masque Milano. Para isso, a marca balanceia o absoluto de iris com nuances florais mais brilhantes e uma belíssima base de vetiver, sândalo e camurça. Um dos destaques que fecha a lista desse ano e uma criação que entra para os melhores do que a marca tem a oferecer.

30 de dez de 2017

2017 Retrospective - Part I


And we are again closing another year and another cycle. 2017 has certainly been a turbulent, troubled year in the World and personally it has been a very busy year for me. In December as you may have seen the blog was practically not updated and soon there will be a massive update with several reviews that were written and that i didn't had time to post. But like every year, there are always good and bad times and it is cool to do a retrospective to find the high points and move on.

Instead of making a best of list I decided to do a retrospective of the year in the blog, highlighting the most interesting moments of what happened here. There is something very unfair in building lists when trying to evaluate something as subjective as a perfume, with the risk of committing injustices in the process. So the choice below does not have a definite order, no perfume is better than the other, all are good creations from new and consecrated brands that deliver what they promise and that stood out for what a perfume has to stand out: the aroma. To read the perfume evaluation, just click on the name.

Atelier des Ors Iris Fauve




The french maison Atelier des Ors was a great surprise in 2016 with its concept that combines luxury, poetry in perfumes impeccable in aroma and presentation. In 2017 the brand continued the excellent work on Iris Fauve, a composition that extracts the best from the iris and adds a warm and unexpected touch of cinnamon to the idea.





Gri Gri Sideshow


If I were to choose one of the most innovative perfumes that I tried this year, Sideshow would take the award without having to think about it too much. Anaïs Biguine explores an interesting concept in perfumes associated with the history of tattooing over time. Sideshow is inspired by a period where tattoos were seen as part of a show of "freaks" and it creates an aura where fruity, sugary notes and animalish and leathery aromas make an unusual and intriguing harmony.





Zoologist Perfumes Civet



It has already become part of the annual routine to await the releases of Zoologist Perfumes. Victor Wong has built a beautiful universe where animals come to life in the hands of talented perfumers. And in Civet Victor and the perfumer Shelley Waddington  produce one of the best of the brand, a chypre with animalic nuances and that richly honors the golden times of the perfumery.





Art de Parfum Excentrique Moi



For those who seek a perfumery that has a concern with nature while not neglecting the luxury and contemporaneity of aromas, Art de Parfum is a brand worth exploring, with a mix of creations that goes from the very pleasant to the most exotic, which is the case of Excentrique Moi. One of Ruta's favorites, owner of the brand, is a creation that explores a more exotic side of a spicy tea in contrast to a beautiful patchouli base.





Orto Parisi Seminalis



The first project of the perfumer Alessandro Gualtieri never pleased me, developing in Nasomatto perfumes that for me had more concept than substance and sounded aggressive without refinement. So it was a great surprise get to know his Orto Parisi project, which puts the body as a garden and cultivates odors related to it. Seminalis perfectly personifies this proposal with a scent of skin that explores the different nuances that such a concept can elicit, going from the clean to the dirty, from the tender to the erotic.





DSH Perfumes Dark Moon


Launched during the year-end festivities of 2016, Dark Moon came into my hands during 2017 and quickly entered my favorite selection of the prolific artist and perfumer Dawn Spencer Hurwitz. Its idea came from a questioning I made in a facebook group many years ago: could it be possible to make a classic chypre with a chocolate gourmand note? Dawn achieves this magnificently by exploring the darker, more boozy side of the cocoa absolute in a complex, warm and addictive spicy chypre structure.




Baruti Chai



In 2017 I finally had a chance to get acquainted with one of the perfumes from indie Baruti, a brand that has recently stood out among perfume lovers in virtual groups. In Chai the perfumer Spyros comments that the composition was created first by the formula and then fitting a concept in it, with the objective of creating a spicy perfume that escaped the clichés. This is masterfully achieved in a composition that explores the nuances of black tea amidst the aroma of hot and cold spices, rose and a faint hint of brown sugar. It's a scent that made me want to know more about the house since it is so good.




Bottega Veneta Parco Palladiano VIII


  The italian Bottega Veneta debuted with its exclusive perfumery collection at a time when the market is already almost saturated with such a product. That would be a problem if the brand had not developed a concept that escapes the clichés of the exaltation of the nobility of materials. Instead, the brand explores a minimalism of luxury in the formula exalting elements of its Italian roots. In VIII, the brand turns to the orange blossom in a rich, purist way, capturing the concept by the aroma of leaves, fruits, tree and even the bark. A case of ultra-realism with an essence whose complexity of nuances is perfect for this.




Dior Collection Privee Sakura


Curiously in 2017 the Dior maison created a set of 10 perfumes for its Collection Privee of which there was no online disclosure, much less official photos. A kind of exclusive collection for the Paris store, the new members of the Collection Privee explore perfumes from a springtime and delicate point of view. A highlight among them was Sakura, a scent that explores the odorless cherry blossom giving it a floral scent with fruity cherry nuances, something that is very difficult to find in this theme.





Chanel Gabrielle

For some important maisons 2017 was the year to create new pillars in the feminine perfumery and speak with a new younger audience. Although Gabrielle is not one of the favorites among the experts in this area, personally it was the creation that did it best without giving up the DNA of the brand. Gabrielle interprets Chanel's classic multifaceted floral and aldehyde bouquet under a delicate and luminous aura, with nuances that refer to another modern classic of the brand, Chance. It is a creation that only reveals its delicate nuances with time and intimacy with the perfume.

Retrospectiva 2017 - Parte 1


E estamos novamente fechando mais um ano e mais um ciclo. 2017 certamente foi no Mundo um ano turbulento, conturbado e pessoalmente foi um ano muito corrido para mim. Em dezembro como vocês podem ter visto o blog praticamente não foi atualizado e em breve haverá uma atualização massiva com várias resenhas que foram escritas e não deu tempo de postar. Mas como todos os anos, há sempre momentos bons e ruins e é legal fazer uma retrospectiva para encontrar os pontos altos e seguir em frente.

Em vez de fazer uma escolha dos melhores decidi fazer justamente uma retrospectiva do ano no blog, destacando os momentos mais interessantes do que passou por aqui. Há algo muito injusto na construção de listas quando se tenta avaliar algo tão subjetivo quanto um perfume, com o risco de se cometer injustiças no processo. Por isso a escolha abaixo não tem uma ordem definida, nenhum perfume é melhor que o outro, são todos boas criações de marcas novas e consagradas, que entregam o que prometem e que se destacaram pelo que um perfume tem que se destacar: o aroma. Para ler a avaliação do perfume, basta clicar no nome.

Atelier des Ors Iris Fauve




A marca francesa Atelier des Ors foi uma grande surpresa em 2016 com seu conceito que une luxo, poesia em perfumes impecáveis e com apresentações também impecáveis. Em 2017 a marca continuou o excelente trabalho em Iris Fauve, uma composição que extrai o melhor da iris e acrescenta um toque quente e inesperado de canela a ideia.





Gri Gri Sideshow



Se eu fosse escolher um dos perfumes mais inovadores que conheci esse ano Sideshow levaria o prêmio sem precisar pensar muito a respeito. Anaïs Biguine explora um conceito interessante, em perfumes associados a história da tatuagem ao longo do tempo. Sideshow se inspira em um período onde tatuagens eram vistas como parte de um show de "aberrações" e cria uma aura onde notas frutadas, açucaradas e aromas animálicos e de couro fazem uma harmonia inusitada e intrigante.



Zoologist Perfumes Civet



Já se tornou parte da rotina anual esperar os lançamentos da Zoologist Perfumes. Victor Wong tem construído um belo universo onde animais ganham vida nas mãos de talentosos perfumistas. E em Civet Victor e a perfumista Shelley Waddington produzem um dos melhores da marca, um chypre com nuances animálicas e que homenageia com riqueza os tempos de ouro da perfumaria.




Art de Parfum Excentrique Moi



Para os que buscam uma perfumaria que tenha uma preocupação com a natureza ao mesmo tempo que não deixa de lado o luxo e contemporaneidade dos aromas, a Art de Parfum é uma marca que vale a pena ser explorada, com um mix de criações que vai do bem agradável ao mais exótico, que é o caso de Excentrique Moi. Um dos favoritos de Ruta, a dona da marca, é uma criação que explora um lado mais exótico de um chá especiado em contraste com uma bela base de patchouli.




Orto Parisi Seminalis



  O primeiro projeto do perfumista Alessandro Gualtieri nunca me agradou, desenvolvendo ele na Nasomatto perfumes que para mim tinham mais conceito do que substância e soavam agressivos sem refinamento. Por isso foi uma grande surpresa conhecer seu projeto Orto Parisi, que coloca o corpo como um jardim e cultiva odores relacionados a ele. Seminalis personifica perfeitamente essa proposta com um perfume de pele que explora as diversas nuances que tal conceito pode suscitar, indo do limpo para o sujo, do tenro para o erótico.



DSH Perfumes Dark Moon



 Lançado durante as festividades do final de ano de 2016, Dark Moon chegou as minhas mãos durante 2017 e rapidamente entrou para a minha seleção de favoritos da prolífica artista e perfumista Dawn Spencer Hurwitz. Sua ideia surgiu de um questionamento feito por mim em um grupo de facebook a muitos anos atrás: seria possível fazer um chypre clássico com uma nota gourmand de chocolate? Dawn atinge isso de forma magnífica ao explorar o lado mais dark e licoroso do absoluto de cacau em uma estrutura chypre especiada complexa, quente e viciante.



Baruti Chai



 Em 2017 finalmente tive chances de conhecer um dos perfumes da indie Baruti, uma marca que se destacou ultimamente entre os apaixonados por perfumes nos grupos virtuais. Em Chai o perfumista Spyros comenta que a composição foi criada primeiro pela fórmula e depois encaixando um conceito nela, com o objetivo de criar um perfume especiado que fugissse dos clichês. Isso é atingido com maestria em uma composição que explora  as nuances do chá preto em meio ao aroma de especiarias quentes e frias, rosa e um leve quê de açúcar mascavo. É um perfume que me fez querer conhecer mais sobre a casa de tão bom que ele é.



Bottega Veneta Parco Palladiano VIII


  A Italiana Bottega Veneta estreiou com a sua coleção de perfumaria exclusiva em um momento onde o mercado já se encontra quase saturado com tal produto. Isso seria um problema se a marca não tivesse desenvolvido um conceito que foge dos clichês da exaltação da nobreza dos materiais. Em vez disso, a marca explora um minimalismo de luxo na fórmula e que exalta elementos de suas raízes italianas. Em VIII,  a marca se volta para a flor de laranjeira de uma forma rica, purista, capturando o conceito pelo aroma das folhas, dos frutos, da árvore e até mesmo da casca. Um caso de ultrarealismo com uma essência cuja a complexidade de nuances é perfeita para isso.



Dior Collection Privee Sakura



Curiosamente em 2017 a Dior criou um conjunto de 10 perfumes para a sua Collection Privee dos quais não houve nenhuma divulgação online, muito menos fotos oficiais. Uma espécie de coleção exclusiva para a loja de Paris, os novos integrantes da Collection Privee exploram os perfumes de um ponto de vista primaveril e delicado. Um destaque entre eles foi Sakura, um perfume que explora a inodora flor de cerejeira dando lhe um aroma floral com nuances frutadas de cereja, algo que é bem difícil de se encontrar nessa temática.




Chanel Gabrielle

Para algumas importantes maisons 2017 foi o ano de criar novos pilares na perfumaria feminina e falar com um novo público mais jovem. Apesar de Gabrielle não ser um dos favoritos entre os especialistas nesse quesito, pessoalmente foi a criação que melhor conseguiu fazer isso sem abrir mão do DNA da marca. Gabrielle interpreta o bouquet aldeídico floral e multifacetado clássico da Chanel sob um aspecto delicado e luminoso, com nuances que remetem a outro clássico moderno da marca, Chance. É uma criação que somente revela suas delicadas nuances com tempo e intimidade com o perfume.