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20 de set de 2017

Molyneux Quartz Pour Homme - Fragrance Review

Português (click for english version):

Até 2000 eu creio que é possível afirmar com certeza que há muitos perfumes que simplesmente não precisam de uma data de lançamento para que possamos saber a qual década eles pertencem dado a assinatura clara de alguma das tendências olfativas, que se formavam mais lentamente e duravam muito mais tempo também. Quartz Pour Homme é um desses casos e um perfume que claramente exemplifica as tendências da década de 90.

Apesar de uma presença mais low-profile nos dias atuais a grife Moschino é uma veterana na perfumaria e no mundo da Moda, chegando a rivalizar com a Chanel nos auge dos anos dourados da perfumaria. Hoje a marca foca mais no mercado comercial do que no prestígio e aparentemente tem sido revivida com mais lançamentos e resgate de perfumes mais antigos (como Captain). A dupla Quartz, na minha opinião, é hoje um dos carros-chefe da marca e o masculino personifica bem a silhueta que os fougeres tomaram na década de 90.

Classificado como um Aquático Amadeirado, Quartz pode muito bem ser visto como um representante do Fougere Novo Frescor que foca mais em alguns aspectos que outros perfumes dessa época não focaram. De certa forma, Quartz me parece ter sido influenciado por um dos best-sellers do gênero, o Cool Water da Davidoff. A influencia, porém, está nas peças que são escolhidas para a composição e não no conjunto da obra.

Cool Water foi um perfume que tentou aliar a leveza persistente das notas aquáticas/ozônicas a suculência de um acorde frutado multidimensional e a aspectos verdes e Quartz Pour Homme foca nessas mesmas peças acrescentando a elas um toque spicy e nuances amadeiradas. É um perfume que procura capturar mais uma aura leve e persistente do que deixar seus elementos a mostra, o que não o torna tão fácil de ler. Entretanto, é possível identificar um fio condutor na sua ideia, notas que se descortinuam sob uma nuance verde e fresca.

Na saída, Quartz apresenta o aroma mais verde e ácido dos materiais que fazem o aroma de maçã verde, com a parte cítrica servindo mais para aparar as arestas agressivas e dar leveza a ideia. É interessante que apesar do perfume não listar abacaxi na composição a forma como o aroma de gálbano é utilizado aqui dá essa conotação também devido a materiais que em diluição cheiram tanto a abacaxi mais verde como a gálbano. As especiarias entram de fundo para dar um quê mais fougere clássico ao mesmo tempo que há um acorde ozônico bem claro para não ter dúvida de que década o perfume se encontra. A evolução, como muito da perfumaria pós década de 80 é simples e direta, um grande bloco de musks, ambar e madeiras que dão persistência,maciez e uma aura não complicada a composição. É uma ideia com elementos interessantes e certamente algo não tão fácil de ser produzido dado a agressividade de alguns dos materiais na saída. Curiosamente, ao mesmo tempo que parece bem datado ainda funciona dado o equilíbrio de sua engrenagem. Não é um dos meus estilo de composição favoritos devido ao aspecto ozônico e ao excesso de musk mas não deixa de ser interessante e um perfume com uma boa performance e bom custo-benefício.

English:

Until 2000 I believe it is possible to say with certainty that there are many perfumes that simply do not need a release date so that we can know which decade they belong given the clear signature of some of the olfactory tendencies, which formed more slowly and lasted a longer time too. Quartz Pour Homme is one such case and a perfume that clearly exemplifies the trends of the 1990s.

Despite a more low-profile presence these days the brand Moschino is a veteran in the perfumery and fashion world, even rivaling Chanel at the height of the golden years of perfumery. Today the brand focuses more on the commercial market than prestige and has apparently been revived with more releases and rescue of older perfumes like Captain). The Quartz duo, in my opinion, is today one of the flagship of the brand and the masculine personifies well the silhouette that the fougeres took in the 90's.

Classified as a Woody Aquatic, Quartz may well be seen as a representative of the New Freshness Fougere that focuses more on some aspects that other perfumes of that time have not focused on. In a way, Quartz seems to have been influenced by one of the bestsellers of the genre, Davidoff's Cool Water. The influence, however, is in the pieces that are chosen for the composition and not in the final result.

Cool Water was a perfume that tried to combine the persistent lightness of the aquatic / ozone notes with the juiciness of a multidimensional fruity accord and with green aspects and Quartz Pour Homme focuses on these same pieces adding to them a touch of spicy and woody nuances. It is a perfume that seeks to capture a more of a lingering aura aura than to let its elements show, which does not make it so easy to read. However, it is possible to identify a thread in its idea, notes that unfold under a green and fresh nuance.

At the opening, Quartz presents the greener and acidic aroma of the materials that make the aroma of green apple, with the citrus part serving more to trim the aggressive edges and give light to the idea. It is interesting that although the perfume does not list pineapple in the composition the way the galbanum is created here gives this connotation also due to materials that in dilution smell both like greener pineapple and galbanum. The spices come in the background to give a more classic fougere while there is a very clear ozone accord to have no doubt of what decade the perfume lies. The evolution as much of the post-80's perfumery is simple and straightforward, a large block of musks, amber and woods that give persistence, softness and an uncomplicated aura to the composition. It is an idea with interesting elements and certainly something not so easy to be balanced given the aggressiveness of some of the materials at the opening. Interestingly, at the same time it seems dated still works given the balance of its gear. It is not one of my favorite styles due to the ozone appearance and the excess musk but it is still interesting and a perfume with a good performance and good value for money.

19 de set de 2017

Korres Peônia For Her e Cardamomo For Him - Avaliações

A atuação da Korres no Brasil é um case interessante da dinâmica de preço e produção no que chega às prateleiras dos consumidores. Originalmente os produtos da marca chegaram ao país com lojas próprias da Korres e numa estratégia que envolvia a importação direta para o país, o que fazia com que os produtos que eram acessíveis la fora chegassem com preços muito superiores. Essa estratégia não funcionou, a marca se retirou do Brasil e então voltou numa parceria estratégica com a Avon, que passou a cuidar da produção em solo nacional dos perfumes da marca. A distribuição também se moveu das lojas próprias para a venda em catálogo e no varejo sem loja própria. E como resultado final, hoje temos os perfumes da marca grega com um excelente custo-benefício em solo nacional.

Parte dessa nova estratégia também levou a um reposicionamento dos nomes e públicos de perfumes unissex da linha. Internacionalmente, Peônia Feminino é conhecido como Peonia Vanilla Amber, Pear e creio que o nome simplificado é uma forma de tornar mais fácil a busca e a venda do perfume. A marca bem que poderia tê-lo chamado de Korres Rose também, que está listada nas notas e é uma protagonista importante do perfume. A ideia aqui me parece girar ao redor de uma das famílias olfativas que se tornou constante nos lançamentos, a dos chypres modernos, e Peônia parece seguir os passos de criações como Idylle, Narciso Rodriguez e Sarah Jessica Parker Lovely trilhando o caminho do seu jeito.

Peônia faz alguma modificações na dinâmica do chypre floral dos perfumes citados anteriormentes. Uma dessas mudanças é a ênfase dada ao aspecto frutal da pêra na saída, que confere um toque adocicado e um pouco verde a ideia. A peônia acaba não se destacando tanto na evolução, soando mais como um floral muguet que faz uma excelente fusão com o lírio e divide espaço com a rosa pérolada e levemente doce desse tipo de chypre. Conforme se aproxima da base, Peônia encarna uma variação do aroma adocicado de patchouli dos chypres modernos que dá um pouco menos de ênfase ao patchouli e âmbar e mais ao musk e madeiras. Isso certamente mexe na dinâmica do perfume para tornar a ideia mais luminosa, delicada sem que perca a potência. E apesar de vendido no Brasil como uma Eau de Cologne, a dinâmica do perfume na pele é digna de um edt e a reclassificação para o público feminino faz todo o sentido dado as fragrâncias que ele parece evocar secundariamente. Isso não significa, porém, que seu aroma esteja limitado a um único público e se você aprecia chypres modernos pode ser uma excelente opção.

Assim como Peônia, fora do Brasil Cardamomo for Him é conhecido como Saffron Amber Agarwood Cardamomo e foi o primeiro perfume da marca que eu senti há muitos anos atrás, quando ela ainda nem era vendida no Brasil. É a criação que me permite afirmar que a mudança de nome, distribuição e concentração nada afetou no perfume em si, que continua muito bom. Apesar de ser voltado agora para o público masculino, a temática oriental da composição o coloca muito mais como unissex do que o feminino, mas creio eu que para as preferências nacionais ele faz mais sentido como masculino.

O nome talvez não foi o mais acertado, visto que das 4 notas que o nomeia o cardamomo é o menos evidente na composição oriental. O certo talvez seria chamá-lo de Agarwood/Oud, que se destaca na composição desde a saída e torna Cardamomo um excelente perfume acessível de Oud, equilibrado entre o aspecto amadeirado, incensado, ambarado e animálico da nota. O aspecto spicy do cardamomo acaba dividindo a atenção com o açafrão, que confere um toque de couro e de bebida a composição. Cardamomo for Him se mostra mais linear na pele do que Peônia for Her, apenas se tornando um pouco mais seco e amadeirado conforme evolui. É uma excelente opção acessível para quem busca algo mais exótico e usável.

18 de set de 2017

Jequiti Puro Malte - Avaliação



É certamente um desafio do ponto de vista de público, orçamento e conceito fazer produtos como os que a Jequiti faz. Atendendo uma ampla gama de consumidores em uma faixa onde o preço é certamente um fator importante, vejo que a Jequiti tenta fazer algo mais acessível e universal/popular. Ao mesmo tempo, em projetos como Puro Malte a marca busca trazer para esse público uma sofisticação que não seja difícil.

Inspirado no uísque escocês, Puro Malte é uma tentativa de oferecer ao público masculino da marca uma fragrância elegante, e mais madura e que me parece bem usável. Para isso, quem quer que tenha sido o perfumista por trás da criação consegue encontrar um bom equilíbrio entre um lado mais funcional (algo que vende bem em segmentos mais populares) e um toque de algo mais exótico e interessante.

Puro Malte é razoavelmente linear, possuindo uma aura macia, levemente doce e com um quê de madeiras e de baunilha que permeia o perfume do começo ao fim. Na saída, um aspecto mais adocicado e encorpado é sugerido para dar a tonalidade da bebida. A isso é misturado um quê frutado e com um leve aspecto de cereal para mim, algo que é pontuado por um quê de especiarias que são ao mesmo tempo frescas e secas na pele. A aura de Puro Malte não é pesada, o que permite um uso mais abundante e uma versatilidade maior em regiões do país que são muito quentes. Dado todas as restrições de fazer um produto popular e que não custe tanto o resultado final é muito bem sucedido.

Jequiti Malte Blend - Avaliação



Aparentemente os perfumes masculinos da linha Malte não são fragrâncias da Jequiti que procuram criar uma série onde aromas de bebida sejam incorporados de maneira evidente em todos eles. Apesar de termos sugestões disso em Puro Malte, Malte Blend vai numa direção que prefere imaginar que tipo de perfume mais maduro e sofisticado um apreciador de uísque escocês usaria. A marca direciona tal criação para um público que goste de se sentir refinado e especial de forma cotidiana e promete um perfume encorpado, marcante, refinado e capaz de causar lembranças.

Desses descritores, eu diria que o capaz de causar lembranças é o mais adequado e a impressão que eu tive com Malte Blend foi a de um deja-vú, não um voltado a um perfume em especial, mas sim a um momento, uma transição entre a perfumaria masculina nacional do fim dos anos 80 e ínicio dos anos 90. A criação parece tentar modernizar sem descaracterizar aqueles aromas fougere amadeirado que aparentemente tanto as marcas internacionais com as nacionais assumiram que o consumidor masculino não usa mais. Malte Blend acaba acertando em oferecer algo que por conta dos poucos exemplares que sobreviveram soa distinto, mesmo que seja de uma forma nada original.

A marca lista apenas 4 notas: cedro, noz-moscada, cardamomo, e musgo de carvalho. A composição vai além disso entretanto, ela abre com um aroma cítrico que tem toques de lavanda, ervas provençais e as especiarias citadas. Além delas temos a sugestão de cravo talvez e o conjunto da obra é nostálgico, remetendo as colônias clássicas de barbear. Conforme evolui é que a fragrância mostra que está no presente, suavizando os aspectos mais retrô com uma base com toques de couro, ambar e bastante musk para evocar a maciez porém sem perder o tom old-school. Apesar de voltado para um público mais maduro, Malte Blend me parece não ter sido feito para um público que parou no tempo na perfumaria. É uma outra criação bem razoável da marca.

Natura Biografia Inspire e Biografia Inspire Masculino - Avaliações


Uma característica que às vezes me incomoda na Natura é o excesso de lançamentos rotativos ao longo de cada ano. A marca dedica um bom espaço de tempo fazendo perfumes que são edições limitadas, com duração máxima talvez de 2 anos no catálogo, e em muitos casos as vezes de poucos meses. Ao mesmo tempo que isso gera novidades a serem aguardadas e consumidas também dilui a imagem da marca já que a mesma perde oportunidades de dedicar suas equipes de criação e desenvolvimento a projetos mais ousados e completos. Em vez de investir nisso, perfumes como a dupla Biografia Inspire são lançados.

Não é que haja algo de errado ou desagradável em ambos, um lançado em 2016 e o outro apenas em 2017. Entretanto, da mesma forma que o Luna Floral, essa dupla cai na categoria de "Flankers Desnecessários", que eu não nomeei mas abordei quando avaliei Luna Floral. São perfumes que caso você possua a versão original não precisa do flanker e caso você não goste do tradicional tem grandes chances de também não gostar do flanker. Apenas fazem sentido de verdade em coleções que se dedicam a ter uma linha completa de criações de uma determinada marca, independente do conteúdo que vai dentro de cada conceito e frasco.

A versão Masculina da dupla Inspire é um pouco melhor talvez, apresentando um pouco mais de distinção na saída. A marca parece mirar em uma espécie de perfume amadeirado que se adapte bem ao calor e pare isso confere uma aura cítrica fresca que se combina a toques herbais e um pouco mentolados. Passado esse primeiro momento, porém, estamos diante do Biografia tradicional, mesmo aroma amadeirado agradável, moderado e de uso casual. Já a versão feminina do Biografia Inspire é basicamente o mesmo Biografia, o mesmo aroma de rosa verde e de peônia sobre uma base almiscarada e com toques de sândalo, sendo que a saída tenta até acrescentar um toque frutado a ideia, mas algo que não se destaca muito. De forma geral, para uma dupla de perfumes chamada Inspire, ironicamente o que faltou foi justamente isso: Inspiração.

17 de set de 2017

Natura Luna Floral - Avaliação


Quando eu penso no propósito de existência de um flanker, tirando os motivos mais óbvios como economizar a criação de um conceito e de uma apresentação eu entendo que há dois grandes motivos para eles. Flankers de um perfume servem ou para expandir a ideia inicial em outras direções, explorar outras facetas que foram deixadas de fora e assim agradar a quem já é público da fragrância. Ou então, Flankers servem para oferecer uma variação que venha a agradar quem originalmente não gostou de determinado perfume por algum motivo. Para mim, o principal problema com Natura Luna Floral é que ele não atinge nenhum desses dois objetivos.

Um grande sucesso de vendas da marca, Luna trouxe uma mudança olfativa para a Natura, que passou a explorar chypres modernos e a acrescentar uma boa dose de uma base mais orienta e sensual aos seus florais. Não é surpresa então que a marca resolva fazer uma nova variação dele, conceitualizada como uma versão mais sensual e que incorpora o que a marca chama de flor do mel. Porém, na execução isso se perde e Luna Floral não expande o perfume para quem é fã e nem muda o suficiente para agradar quem não é.

Basicamente, é o mesmo aroma do Luna, com poucas modificações. A dinâmica continua ocorrendo ao redor do aroma de patchouli limpo,levemente doce e marcado por musks na base em contraste com o corpo floral e a saída mais cítrica e frutada. O perfume se torna um pouquinho powdery talvez, com um aroma que me remete a violetas e que tira parte do cítrico e frutal da saída. Porém, é uma mudança tão pequena que nem sei se muitos irão notar ou se justifica para que se tenha um frasco dele. A nota de Flor de Mel não se destaca, não há nada no perfume que possa remete a alguma flor com cheiro de mel ou a algum flor diferente do que já existia. Resumindo: é um perfume redundante, não acrescenta nada que vale a pena.

Guerlain Joyeuse Tubereuse - Fragrance Review


Português (click for english version):

Ao que me parece nesse novo projeto de expansão da linha L'Art Et Matière a Guerlain tem focado em desenvolver florais que tentem aliar sensualidade e algum nível de luminosidade e frescor. Após Néroli Outrenoir e sua combinação de Laranjeira e Chá Preto a marca retorna com Joeyuse Tubéreuse propondo uma interpretação fresca, verde e luminosa da Tuberosa, uma flor que ficou marcada principalmente pela década de 80 como hipnótica e sensual.

O Aroma da Tuberosa em si seja na flor ou no absoluto que é obtido quando se faz uma enfleurage é de fato mais verde e delicado do que o retrato atribuído a ela pelas reconstruções sintéticas. Entretanto, um problema em Joyeuse Tubéreuse é que o aroma em si não remete nem ao acorde clássico de tuberosa nem a uma interpretação mais moderna, delicada e verde. O que a composição parece em si é mais uma abstração primaveril de flores brancas, exaltando de uma forma não específica o frescor delas.

Por uns breves momentos a saída chega a remeter as nuances mais verdes e de grama que você consegue sentir na Tuberosa, porém conforme o perfume evolui o frescor e a cremosidade floral que vêm remete mais a um buquê que mistura um belo aroma de jasmim com uma extração limpa e de alta qualidade do ylang, o que chega a conferir o aroma de lírio que a marca menciona na pirâmide olfativa. Por trás disso temos uma base cremosa, com um leve quê adocicado e um toque amadeirado. Nada que remeta fortamente a baunilha ou vetiver como mencionado pela marca e infelizmente o contraste prometido não se revela tão evidente na pele.

Temos aqui apenas um problema parcial de conceito, um dos perigos da perfumaria exclusiva quando se propõe a exaltar a nobreza, preciosidade ou riqueza dos materiais no nome e no conceito de um perfume: se você não entrega algo que consiga passar o tema do material proposto é muito mais evidente do que em um conceito mais amplo e abstrato. Um belo perfume, talvez pendendo um pouco mais para o comercial do que o exclusivo, mas um que não remete muito a tuberosa.

English:


It seems to me somehow that in this new expansion expansion project of the L'Art Et Matière line Guerlain has focused on developing flower creations that try to combine sensuality and some level of luminosity and freshness. After Néroli Outrenoir and its combination of Orange and Black Tea the brand returns with Joeyuse Tubéreuse proposing a fresh, green and luminous interpretation of Tuberose, a flower that was marked mainly by the 80's as hypnotic and sensual.

The Aroma of Tuberose itself, whether in flower or in the absolute, which is obtained by enfleurage, is actually greener and more delicate than the portrait attributed to it by synthetic reconstructions. However, one problem with Joyeuse Tubéreuse is that the aroma itself does not refer either to the classic tuberose accord or to a more modern, delicate and green interpretation. What the composition looks like in itself is more a spring abstraction of white flowers, exalting in a non-specific way the freshness of them.

For a few moments, the opening comes to remit the greener and grassy nuances you can feel in Tuberose, but as the fragrance evolves the freshness and floral creaminess that comes lookes more like a a bouquet that mixes a beautiful aroma of jasmine with a clean and high quality extraction of ylang, which even gives the aroma of lily that the brand mentions in the olfactory pyramid. Behind this we have a creamy base, with a mild sweetness and a woody touch. Nothing that strongly reminds you of vanilla or vetiver as mentioned by the brand and unfortunately the promised contrast is not so evident on the skin.

We have here only a partial problem of concept, one of the dangers of exclusive perfumery when it is proposed to exalt the nobility, preciousness or richness of the materials in the name and concept of a perfume: if you do not deliver something that can pass the subject of the proposed material is much more evident than in a broader abstract concept. A beautiful perfume, perhaps hanging a little more for the commercial than the exclusive, but one that does not refer much to tuberose.