7 de jul de 2019

Areej Le Dore Flux de Fleur, Inverno Russo, Atlantic Ambegris - English Review



From time to time arrives a brand that charms the public like was  made by Areej Le Dore in the recent years. This happens mainly because accustomed to the easy, clean and mostly syntheticperfumery people end up surprising and getting excited with creations that know how to use natural materials, rare and of an exotic olfactory profile. Areej Le Dore is a brand that goes in that direction and ends up finding a way between the positive and negative aspects of natural perfumery.

Flux de Fleur, Russian Winter and Atlantic Ambergris certainly are of unquestionable richness from the olfactory and natural point of view, but they can not escape as a negative point of the natural perfume aura. Regardless of the excellent quality that musks, ambergris and resins possess for those who already know this style of perfumery it has that feeling of a olfactory deja vu, a certain amber "brown" aroma, wich is sometimes dry, reminds you of propolis and honey. In this aspect there is always the risk that the perfume seems more solid and creative by the work of nature and not by the perfumer itself.

But that is where the positive aspect of the brand stands out, which despite the limitations of the style of perfumery is able to actually use the richness it has in its hands to minimize it. Perhaps aware of the limited / sparse nature, each Areej Le Dore is made to please the few and explore little known and popular olfactory paths. So, as much as the 3 perfumes seem not to escape from the common and cozy base they control very well what they say until arriving there, in a very different way.

Inverno Russo makes me think of a kind of  cuir de russie that exalts the smoked aura of the rectified birch and complements it with other dry woods and contrasts it with sensual flowers and a golden honey aroma..Atlantic Ambergris is a multifaceted ode to a very high ambergris quality, harmonic in the saline and animalic aspect and complemented by a floral bouquet lightly fruity with a aroma of leather and oily flowers that reminds me of ambergris. Lastly Flux de Fleurs creates over an amber base and musk a narcotic camphor  floral that seems to explore this side of the tuberose and contrast with other white and yellow flowers in an intense and compact symphony of flowers. The 3 evolve slowly on the skin and although they do not have a great projection they aren't  not discreet or delicate fragrances. It is a luxury perfumery for the few and that aware of it tries to give its best to those.

Areej Le Dore Flux de Fleur, Inverno Russo, Atlantic Ambergris



De tempos em tempos surge uma marca que encanta o público como o que fez recentemente a Areej Le Dore. Isso acontece principalmente pois acostumados à perfumaria fácil, limpa e sintética as pessoas acabam se surpreendendo e excitando com criações que sabem usar materiais naturais, raros e de um perfil olfativo exótico. Areej Le Dore é uma marca que vai nessa direção e acaba achando um meio do caminho entre os aspectos positivos e negativos da perfumaria natural.

Flux de Fleur, Inverno Russo e Atlantic Ambergris certamente são de riqueza inquestionável do ponto de vista olfativo e natural, mas não conseguem escapar como ponto negativo da aura de perfume natural. Independente da excelente qualidade que seus musks, resinas ambergris possuam para quem já conhece esse estilo de perfumaria tem aquela sensação de um dejá-vu olfativo, de um certo aroma ambarado "marrom", um aroma seco, que remete a própolis e mel.Nesse aspecto há sempre o risco de que o perfume pareça mais algo sólido e criativo pelo trabalho da natureza e não do perfumista em si.

Mas é aí que se destaca o aspecto positivo da marca, que apesar das limitações do estilo de perfumaria é capaz de usar de fato a riqueza que tem em mãos para minimizar isso. Talvez consciente da natureza limitada/escassa, cada Areej Le Dore é feito para agradar a poucos e explorar caminhos olfativos pouco conhecidos e populares. Assim, por mais que os 3 perfumes pareçam não escapar da base comum e aconchegante eles controlam muito bem o que dizem até chegar lá, de maneira bem distinta.

Inverno Russo me faz pensar em uma espécie de couro russo que exalta o aspecto defumado da bétula retificada e  o complementa com outras madeiras secas e o contrasta com flores sensuais e um aroma dourado de mel.Atlantic Ambergris é um ode multifacetado a um ambergris de altíssima qualidade, harmônico no aspecto salino e animálico e complementado por um buquê floral levemente frutado com um aroma de couro e flores oleosas que me remete a ambergris. Por fim Flux de Fleurs cria por cima de uma base ambar e musk um narcótico aroma floral canforado que parece explorar esse lado da tuberosa e fazer o contraste com outros flores brancas e amarelas em uma sintonia intensa e compacta de flores. Os 3 evoluem de maneira lenta na pele e apesar de não terem uma grande projeção também não são fragrâncias discretas ou delicadas. É uma perfumaria de luxo para poucos e que consciente disso tenta dar o seu melhor a esses.

21 de jun de 2019

Ohana Kameala Oud Wood - Avaliação/Resenha/Review



Conceito: 3 Olfativo 4 Técnico: 4 Apresentação: 3
Nota Final: 3.7 Nota Faixa: 3.7
Faixa preço: 1 - Até 150 reais

1-Ruim 2-Regular 3-Bom 4-Ótimo 5-Excelente

Um aspecto difícil de se avaliar contratipos é que o ideal é partir do comparativo com o original para avaliar o projeto oius mesmo que o perfume seja muito bem feito do ponto de vista olfativo ele será decepcionante se não reproduzir de maneira fiel a dinâmica do original. Diria que Oud Wood da Ohana Kameala deixa um pouco a desejar nesse aspecto da similaridade com a inspiração em questão, que é o perfume de mesmo nome da Tom Ford.

A reprodução não é insatisfatória e na evolução o perfume chega bem mais próximo do Oud Wood original e até mesmo mais encorpado, entretanto há diferenças consideráveis que devem ser pontuadas para quem busca ele como uma alternativa. De maneira geral o perfume mantém a ideia amadeirada com um aspecto fresco e levemente cítrico e especiado. Porém a saída é muito forte nesse aspecto fresco e distorce o cheiro, criando um aroma de agarwood que tem um aspecto de sabão glicerinado em sua saída. É uma dinâmica que chega a ser intrigante, um aroma que beira a lavanda mas não cheiro como uma justaposta com um toque especiado e um aroma de agarwood amadeirado, sutilmente animálico e levemente doce. Mas isso modifica o olfativo esperado em relação ao original.

Conforme o perfume evolui na pele esse aspecto diferente se vai e fica principalmente o aroma amadeirado bem equilibrado de oud, aproximando-se da inspiração e levando o perfume para o mesmo caminho versátil e exótico do original. Do ponto de vista da performance e projeção Oud Wood entrega bem para o valor cobrado e provavelmente em dias quentes deve ficar bem intenso. Se você estiver atrás de um agarwood com bom preço ou de uma inspiração do Tom Ford que entregue algo próximo principalmente na evolução vale a pena testar esse aqui.

19 de jun de 2019

Thera Cosméticos Zeta - Avaliação/Resenha/Review


Conceito: 4 Olfativo 4.5 Técnico: 3 Apresentação: 4
Nota Final: 4 Nota Faixa: 4
Faixa preço: 1 - Até 150 reais

1-Ruim 2-Regular 3-Bom 4-Ótimo 5-Excelente

Inspirado no perfume Tom Ford Men Extreme, Zeta certamente não é uma das mais vendidas dentro do catálogo de contratipos da Thera, porém isso certamente não está relacionado a qualidade da reprodução. Poucas pessoas conhecem a criação original do Tom Ford e esse é um dos contratipos que também não recebe muita atenção. O perfume original em si também não é um para agradar multidões e a reprodução acerta em cheio ao manter esse aspecto distinto da fragrância.

A escolha do nome é certeira, mirando numa letra do alfabeto grego que representa tanto o Z como um grande mistério matemático. Esse também é um perfume misterioso, cujo o aroma exótico de couro quente deveria ter uma projeção enorme mas acaba sendo intimista. Tão misterioso quanto isso é o fato de que mesmo com esse comportamente o perfume que era para ser uma edição limitada de Tom Ford acabou virando parte fixa da coleção e ainda é vendido mesmo depois de 12 anos de lançamento.

Ainda que a Thera mire em melhorar a performance e identidade Zeta continua sendo uma criação mais discreta, porém ainda sim mais intensa que o original. Certamente isso tem um preço, um que é bem curioso: o primeiro momento do perfume acaba se tornando mais complexo, trazendo um cheiro de couro rústico e um aroma de violeta com folhas verdes. Depois que esse momento inicial diferente passa, o perfume vai mais na direção do cheiro de couro emborrachado quente porém discreto, um aroma que dura entre 6 a 8 horas, porém sem grande intensidade. Nada que tire a sofisticação ou a identidade do perfume, entregando um ótimo aroma com bom preço e oferecendo uma boa opção para quem procura algo mais discreto com um ar formal para uso no dia-dia.

18 de jun de 2019

In The Box Blew - Avaliação/Resenha/Review


Conceito: 4.5 Olfativo 4.5 Técnico: 3 Apresentação: 2
Nota Final: 3.9 Nota Faixa: 3.9
Faixa preço: 1 - Até 150 reais

1-Ruim 2-Regular 3-Bom 4-Ótimo 5-Excelente

Observação: avaliação feita com versão da fragrância anterior a recente melhoria feita pela marca, que fez com que o contratipo ganhasse novo nome, The Bleu.

Uma coisa curiosa que os contratipos revelam é que alguns perfumes comerciais de fácil aceitação são dificeis de serem reproduzidos a um orçamento mais em conta, mesmo nos casos das empresas de contratipos que investem no preço das fórmulas. É como se os originais por mais simples que pareçam na pele e por mais comum que soem em sua elegância olfativa escondem uma complexidade que tem um preço.

Bleu de Chanel é um desses perfumes que é fácil de usar e difícil de reproduzir e o mais perto que já senti de seu aroma em um contratipo de qualidade é a versão oferecida pela In The Box, o Blew. Em geral há dois caminhos comuns para a contratipação, caprichar na primeira impressão e na performance ou tentar acertar de maneira geral na evolução olfativa e a marca acertadamente escolhe o segundo caminho, o que faz que no correr do dia o perfume se torne muito próximo do original.

Isso porém tem um preço em dois aspectos bem específicos. Blew não consegue reproduzir 100% da suavidade cítrica e fresca do original, mas chega razoavelmente próximo. Isso faz com que um aspecto mais fougere de barbearia fique evidente a princípio, mas é algo que suaviza conforme o perfume avança na pele. A base chega bem próximo ao aroma do original, que fica entre musks macios e sofisticados, madeiras secas e um leve aspecto oriental incensado. Esse segundo momento é que cobra o segundo preço, trazendo uma performance mais intimista em comparação com outras criações da marca. Nada que não possa ser resolvido, porém, com o excelente creme corporal de rápida absorção e de mesma fragrância.