Pesquisar este blog

21 de ago de 2017

Comme Des Garçons DAPHNE - Fragrance Review

Português (click for english version):

Certamente a casa Comme des Garcons é uma espécie de referência para celebridades alternativas que gostariam de criar perfumes que fujam do lugar comum ao mesmo tempo que sejam usáveis e interessantes. Em 2009 a marca colaborou com o ícone fashion e socialite Daphne Guiness em sua fragrância, que ela mesma descreveu como um perfume que te transporta do dia-dia e te leva para o passado, uma criação misteriosa.
No geral não costumo mencionar essas afirmações pois elas tendem a ser ilusórias, mas aqui elas sintetizam perfeitamente o perfume. Daphne certamente conhece a perfumaria clássica e sua direção criativa junto com o perfumista Antoine Lie transporta o aspecto multifacetado, denso e carnal dos florais do passado para uma base que tem um incenso e ambar misterioso mas que para mim se encaixa bem na realidade mais direta dos perfumes contemporâneos.
Para quem gosta de florais com um F maiúsculo, Daphne é um prato cheio. Ele abre extravagante e voluptuoso, uma cornucópia de flores brancas que dançam na pele. O cheiro de um jasmim carnal se mistura a uma tuberosa canforada, doce e densa ao mesmo tempo que você percebe nuances de flor de laranjeira e gardênia. A iris é usada para suavizar isso mas ela também tem um lado mais carnal misturado em suas nuances powdery cinzentas.
Em paralelo as flores, corre o lado mais misterioso e primordial da fragrância, uma mistura de incenso, patchouli, ambar e oud que permeia a composição como um incenso oriental que se espalha no ambiente e se mistura com as flores brancas que o decoram. É interessante que a forma como o ambar é trabalhado nesse perfume lhe dá uma cara de perfume natural mas ao mesmo tempo é bem perceptível pela potência e nuances das flores que estamos em uma composição moderna que emprega o melhor possível dos sintéticos. Em 2017 Daphne não é mais um perfume tão fácil de achar, mas é uma caça que vale a pena pela qualidade e exuberância de seu cheiro.

English:
Certainly the Comme des Garcons brand is a kind of reference for 'alternative' celebrities who would like to create perfumes that flee from the common place while they are usable and interesting. In 2009 the brand collaborated with the fashion and socialite icon Daphne Guiness in her fragrance, which she described as a perfume that transports you from everyday and takes you into the past, a mysterious creation.
Generally I do not usually mention these statements because they tend to be illusory, but here they perfectly synthesize the perfume. Daphne certainly knows the classic perfumery and her creative direction along with the perfumer Antoine Lie transports the multifaceted, dense and carnal aspect of the past florals to a base that has a mysterious incense and ambar but that fits well into the more direct reality of the current perfumes.
For those who love floral with a capital F, Daphne is a full plate. It opens up extravagant and voluptuous, a cornucopia of white flowers that dance on the skin. The scent of a carnal jasmine mingles with a camphorous, sweet and dense tuberose at the same time that you perceive nuances of orange blossom and gardenia. The iris is used to soften this but it also has a more carnal side mixed in its gray powdery nuances.
In parallel with the flowers, it runs the most mysterious and primordial side of the fragrance, a mixture of incense, patchouli, amber and oud that permeates the composition like an oriental incense that spreads in the environment and mixes with the white flowers that decorate it. It is interesting that the way the amber is worked on this perfume gives it a natural perfume aura but at the same time is very noticeable by the power and nuances of the flowers that we are in a modern composition that employs in the best possible way the synthetics. In 2017 Daphne is no longer a perfume so easy to find, but it is a worthwhile hunt for the quality and exuberance of its scent.