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21 de ago de 2017

Papillon Perfumery Dryad - Fragrance Review



Português (click for english version):

Esperar pelos perfumes dessa marca artesanal e independente é praticamente um evento para mim, como esperar pelo lançamento do novo álbum de sua banda favorita. A marca que foi estabelecida e tem sido desenvolvida por Liz Moores personifica exatamente o que há de excitante na perfumaria artesanal independente: perfumes complexos, de alta qualidade e que você claramente percebe que não foram feitos com uma mentalidade de agradar a todos.
Estava ansioso para conhecer Dryad já que Salomé e Anubis entraram para minha lista dos melhores que eu testei recentemente e também pelos elogios universais a nova criação. Liz comenta que esse foi um projeto seu que ficou guardado por um tempo até que ela sentiu vontade de mexer novamente nele e finalizá-lo. E eu diria que seu feeling foi acertado, já que Dryad se encaixa bem na ressurgência dos perfumes florais verdes que tem acontecido.
Alguns comparativos tem sido feitos entre Dryad e o Chanel No 19 e enquanto eu consigo perceber as semelhanças, para mim é como se Dryad fizesse uma versão IMAX do acorde do No 19 enquanto cria sua identidade e aprofunda nos detalhes.
O Gálbano é uma estrela na composição, contribuindo de forma significativa com o seu cheiro verde, um pouco amargo e até mesmo terroso. É interessante que ele seja contrastado com a Cidra, já que cria uma nuance de capim cidreira de fundo que harmoniza e dá uma luz a composição que é ausente em outras criações verdes com gálbano.
Dryad explora de forma clara os aromas florais do Narcisso e do Jonquilho, empregando-os em seus contornos mais verdes para reforçar a ideia do perfume. É possível perceber uma nuance levemente animalica de fundo, se combinando com um aroma terroso, úmido e fofo e que contrasta com um aroma adocicado e um cheiro amadeirado de vetiver de altíssima qualidade.
Como eu disse, Dryad é uma experiência pessoal, e para mim ele é muito lindo. Eu acredito que é muito mais difícil explorar um aroma "familiar" como esse em sua plenitude e riqueza de detalhes do que desbravar territórios novos. Nessa criação, estamos diante de qualidade pura tanto do ponto de vista dos materiais como do ponto de vista do conceito em si. Resumindo: outra obra prima da casa.

English:
Waiting for the perfumes of this handmade and indie brand is practically an event for me, like waiting for the release of the new album of your favorite band. The brand that has been established and has been developed by Liz Moores epitomizes exactly what is exciting in independent handmade perfumery: complex perfumes, high quality and you clearly see that they were not made with a mindset to please everyone.
I was anxious to meet Dryad since Salome and Anubis entered my list of the best I've tested recently and also by the universal praise of the new creation. Liz comments that this was a project of her that was kept for a while until she felt like stirring it again and finalizing it. And I would say that her feeling was settled, since Dryad fits well in the resurgence of the green floral perfumes that is happening.
Some comparisons have been made between Dryad and Chanel No 19 and while I can see the similarities, to me it is as if Dryad made an IMAX version of the No. 19 accord whilte creating its identity and delving into the details.
Galbanum is a star in composition, contributing significantly to its green, somewhat bitter, and even earthy scent. It is interesting that it is contrasted with Cedrat, since it creates a nuance of background lemon grass that harmonizes and gives light to the composition that is absent in other green creations with galbanum.
Dryad clearly explores the floral aromas of Narcissus and Jonquilho, employing them in their greener contours to reinforce the idea of ​​perfume. It is possible to perceive a slightly animalistic background nuance, combining with a earthy, humid and mossy aroma and that contrasts with a sweet aroma and a woody scent of vetiver of the highest quality.
As I said, Dryad is a personal experience, and for me it is very beautiful. I believe it is much more difficult to explore a "familiar" scent like this in its fullness and richness of detail than to break new ground. In this creation, we are faced with pure quality both from the point of view of materials and from the point of view of the concept itself. In short: another masterpiece of the house.