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10 de set de 2017

Eudora Prelude S Blanche - Avaliação


É interessante que por que mais que a perfumaria comercial brasileira seja razoavelmente previsível no que produz de tempos em tempos ela nos surpreende aqui e acolá com criações que nos mostram que é possível criar um perfume bacana, acessível e que fuja do comum. Foi assim quando a Eudora lançou Prélude S, criando um perfume de mel floral e adocicado que era muito sensual e distinto, diferente de qualquer outro disponível no mercado.
Como vários dos perfumes marcantes, Prélude S não é unanimidade, sendo polarizante em suas reações. Entendo que por isso a marca resolveu dar continuidade a linha com uma versão Blanché talvez para conquistar um público que não se deu bem com a versão anterior. Isso sem deixar o lado mais sensual e provocante que a marca desenvolve na linha S.
Pelo nome e pelas notas, imaginava que Blanche seria justamente o que eu citei no primeiro parágrafo, algo previsível e comum, dominado por musks e com um floral mais genérico e funcional. Para minha surpresa, a marca resolve apostar em algo que por mais que seja menos arriscado que o tradicional ainda sim é surpreendentemente muito bom.
A primeira coisa a se observar é que o mel doce, espesso e intenso do original ganhou de fato uma tonalidade mais delicada e sutil. Com isso, a parte floral ganha mais peso e é um interessante acorde floral branco exótico, que apesar da marca mencionar como pêonia, lírio e flores de seda me faz pensar em tiaré/frangipani, um pouco de ylang e jasmim. É algo narcótico e ao mesmo tempo delicado, muito raro de se ver em perfumaria nacional.
A outra agradável surpresa é a predominância de baunilha no perfume sem que essa seja açúcarada demais ou comum demais. A baunilha aqui é mais sofisticada, com uma nuance quase de creme brulée, envolta em materiais ambarados que tiram parte da sua doçura e lhe conferem uma suave textura amadeira. E é nesse ponto, olhando o conjunto da obra, que percebo que Prélude S Blanché preenche uma lacuna que eu sempre quis e nunca achei: uma versão mais harmônica do aroma floral de baunilhas do Vanille Exquise da Annick Goutal. Isso em uma criação nacional, acessível e que não perde em performance. Uma grata surpresa nesse período mais conservador da Eudora.