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17 de set de 2017

Guerlain Joyeuse Tubereuse - Fragrance Review


Português (click for english version):

Ao que me parece nesse novo projeto de expansão da linha L'Art Et Matière a Guerlain tem focado em desenvolver florais que tentem aliar sensualidade e algum nível de luminosidade e frescor. Após Néroli Outrenoir e sua combinação de Laranjeira e Chá Preto a marca retorna com Joeyuse Tubéreuse propondo uma interpretação fresca, verde e luminosa da Tuberosa, uma flor que ficou marcada principalmente pela década de 80 como hipnótica e sensual.

O Aroma da Tuberosa em si seja na flor ou no absoluto que é obtido quando se faz uma enfleurage é de fato mais verde e delicado do que o retrato atribuído a ela pelas reconstruções sintéticas. Entretanto, um problema em Joyeuse Tubéreuse é que o aroma em si não remete nem ao acorde clássico de tuberosa nem a uma interpretação mais moderna, delicada e verde. O que a composição parece em si é mais uma abstração primaveril de flores brancas, exaltando de uma forma não específica o frescor delas.

Por uns breves momentos a saída chega a remeter as nuances mais verdes e de grama que você consegue sentir na Tuberosa, porém conforme o perfume evolui o frescor e a cremosidade floral que vêm remete mais a um buquê que mistura um belo aroma de jasmim com uma extração limpa e de alta qualidade do ylang, o que chega a conferir o aroma de lírio que a marca menciona na pirâmide olfativa. Por trás disso temos uma base cremosa, com um leve quê adocicado e um toque amadeirado. Nada que remeta fortamente a baunilha ou vetiver como mencionado pela marca e infelizmente o contraste prometido não se revela tão evidente na pele.

Temos aqui apenas um problema parcial de conceito, um dos perigos da perfumaria exclusiva quando se propõe a exaltar a nobreza, preciosidade ou riqueza dos materiais no nome e no conceito de um perfume: se você não entrega algo que consiga passar o tema do material proposto é muito mais evidente do que em um conceito mais amplo e abstrato. Um belo perfume, talvez pendendo um pouco mais para o comercial do que o exclusivo, mas um que não remete muito a tuberosa.

English:


It seems to me somehow that in this new expansion expansion project of the L'Art Et Matière line Guerlain has focused on developing flower creations that try to combine sensuality and some level of luminosity and freshness. After Néroli Outrenoir and its combination of Orange and Black Tea the brand returns with Joeyuse Tubéreuse proposing a fresh, green and luminous interpretation of Tuberose, a flower that was marked mainly by the 80's as hypnotic and sensual.

The Aroma of Tuberose itself, whether in flower or in the absolute, which is obtained by enfleurage, is actually greener and more delicate than the portrait attributed to it by synthetic reconstructions. However, one problem with Joyeuse Tubéreuse is that the aroma itself does not refer either to the classic tuberose accord or to a more modern, delicate and green interpretation. What the composition looks like in itself is more a spring abstraction of white flowers, exalting in a non-specific way the freshness of them.

For a few moments, the opening comes to remit the greener and grassy nuances you can feel in Tuberose, but as the fragrance evolves the freshness and floral creaminess that comes lookes more like a a bouquet that mixes a beautiful aroma of jasmine with a clean and high quality extraction of ylang, which even gives the aroma of lily that the brand mentions in the olfactory pyramid. Behind this we have a creamy base, with a mild sweetness and a woody touch. Nothing that strongly reminds you of vanilla or vetiver as mentioned by the brand and unfortunately the promised contrast is not so evident on the skin.

We have here only a partial problem of concept, one of the dangers of exclusive perfumery when it is proposed to exalt the nobility, preciousness or richness of the materials in the name and concept of a perfume: if you do not deliver something that can pass the subject of the proposed material is much more evident than in a broader abstract concept. A beautiful perfume, perhaps hanging a little more for the commercial than the exclusive, but one that does not refer much to tuberose.