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18 de set de 2017

Jequiti Malte Blend - Avaliação



Aparentemente os perfumes masculinos da linha Malte não são fragrâncias da Jequiti que procuram criar uma série onde aromas de bebida sejam incorporados de maneira evidente em todos eles. Apesar de termos sugestões disso em Puro Malte, Malte Blend vai numa direção que prefere imaginar que tipo de perfume mais maduro e sofisticado um apreciador de uísque escocês usaria. A marca direciona tal criação para um público que goste de se sentir refinado e especial de forma cotidiana e promete um perfume encorpado, marcante, refinado e capaz de causar lembranças.

Desses descritores, eu diria que o capaz de causar lembranças é o mais adequado e a impressão que eu tive com Malte Blend foi a de um deja-vú, não um voltado a um perfume em especial, mas sim a um momento, uma transição entre a perfumaria masculina nacional do fim dos anos 80 e ínicio dos anos 90. A criação parece tentar modernizar sem descaracterizar aqueles aromas fougere amadeirado que aparentemente tanto as marcas internacionais com as nacionais assumiram que o consumidor masculino não usa mais. Malte Blend acaba acertando em oferecer algo que por conta dos poucos exemplares que sobreviveram soa distinto, mesmo que seja de uma forma nada original.

A marca lista apenas 4 notas: cedro, noz-moscada, cardamomo, e musgo de carvalho. A composição vai além disso entretanto, ela abre com um aroma cítrico que tem toques de lavanda, ervas provençais e as especiarias citadas. Além delas temos a sugestão de cravo talvez e o conjunto da obra é nostálgico, remetendo as colônias clássicas de barbear. Conforme evolui é que a fragrância mostra que está no presente, suavizando os aspectos mais retrô com uma base com toques de couro, ambar e bastante musk para evocar a maciez porém sem perder o tom old-school. Apesar de voltado para um público mais maduro, Malte Blend me parece não ter sido feito para um público que parou no tempo na perfumaria. É uma outra criação bem razoável da marca.