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11 de set de 2017

Mon Guerlain - Fragrance Review


Português (click for english version):

Apesar de lançado recentemente, nessa altura do campeonato não há muito mais o que ser falado sobre Mon Guerlain. Prova do sucesso da estratégia de lançamento da marca é que amando ou odiando o perfume não passou batido. Seja pelo aroma em si, pelos planos ambiciosos da marca de utilizar Mon Guerlain como pontapé para sua estratégia de expansão global ou seja pela campanha com a Angelina Jolie, o perfume deu o que falar e isso positivamente resultou nas vendas que a marca esperava. Logo, não há o que discutir aqui quanto ao seu sucesso, apenas partir para uma análise sobre seu significado dentro do contexto da marca.

Acho que é importante ressaltar que por mais que possa parecer que não Mon Guerlain é um perfume da marca que incorpora em seu DNA o espírito da casa - não na assinatura olfativa em si, mas no que fez a Guerlain ser o que é ao longo de sua história. Eu sempre gosto de relembrar que a Guerlain nunca foi uma marca pioneira na inovação mas sempre surfou rápidamente nas tendências que se formam. Ela não foi a primeira a utilizar sintéticos em seus perfumes mas os incorporou em pouco tempo em suas composições. E vale a pena lembrar que em vários pontos de sua história a marca é conhecida por ter aperfeiçoado e tornado seu ideias que despontavam em concorrentes. Basta olhar Mitsouko (1919) versus Coty Chypre (1917), Shalimar (1925) versus Coty Emeraude (1921), Apres L'ondee e L'Heure Bleue (1906 e 1912) versus L'Origan (1905), Liu (1929) versus Chanel No 5 (1921) e Vetiver (1959) versus Vetiver Carven (1957). Logo, que Mon Guerlain (2017) siga os passos do best seller La Vie Est Belle (2012) não é nenhuma novidade na história da marca, estando até mesmo dentro do período de tempo que a marca observa uma tendência, desenvolve internamente e lança ( de 2 a 5 anos).


Talvez a grande diferença nesse ponto é que com exceção do Chanel No 5 todos os outros perfumes não mantiveram a mesma riqueza estética original para que o comparativo seja feito, o que torna a nostalgia e a ideia romantizada da marca mais fácil de se formar. Outra grande diferença dessa vez é que nunca antes na história da marca as ambições globais para sua criação foram tão evidentes. Com Mon Guerlain a grife (e consequentemente a LVMH) não deseja a aclamação da crítica especializada. Ela quer é ser conhecida a nível global com um perfume que seja uma porta de entrada para quem não a conhece. E nesse sentido, o aroma cumpre muito bem o seu propósito.

Conforme mencionado anteriormente, Mon Guerlain surfa na tendência dos Gourmands, que se eu fosse definir na perspectiva do La Vie Est Belle eu chamaria de Gourmands Florais Atalcados, uma tentativa de incorporar um aspecto nostálgico a realidade atual. É bom ressaltar que Mon Guerlain não é uma criação nova da marca, e sim uma iteração de Mon Exclusif (2015), feito praticamente como um teste de produção de recepção da ideia. Com Mon Exclusif, o que a marca tenta fazer na minha opinião é reduzir a doçura açúcarada presente no LVEB e no Mon Exclusif e ampliar o aspecto floral de uma forma fresca, introduzindo para isso uma variedade nova de lavanda que provê um frescor extra que ajuda a balançar as coisas. Nesse contexto, Mon Guerlain me faz pensar numa versão praliné da ideia existente no Boy Chanel, onde o aroma amendoado e açúcarado se combina com o aspecto fresco e levemente floral da lavanda e com a base macia e cremosa de musk e baunilha. Apesar de algumas queixas com relação a fixação do perfume, Mon Guerlain tem uma boa performance na pele, o que me faz pensar que alguns talvez não sejam capazes de sentir os musks que predominam na base após a evolução.


O que talvez chame a atenção é justamente a falta de uma ênfase no aspecto atalcado e clássico da ideia, mas que deve ter sido mantida de fora justamente para tentar ir ainda além do público conquistado pelo La Vie Est Belle. É algo que poderia ter feito Mon Guerlain um pouco mais aceitável aos fãs mais fieis da marca mas que poderia ser um risco para as ambições da empresa. É um desafio que todas as marcas mais clássicas enfrentam hoje: como agradar os fãs mais fieis de seu legado ao mesmo tempo que se conquista novos fãs, com novos gostos? Infelizmente não é possível agradar a todos e a marca certamente abre mão do primeiro grupo aqui. Ainda sim, considerando a alma da empresa, Mon Guerlain é bem Guerlain no que se refere as suas ambições dentro do mercado.

English:

Although released recently, at this point of the events there is no much more to be said about Mon Guerlain. Proof of the success of the brand launch strategy is that loving or hating the perfume has not gone unoticed. Whether it's the scent itself, the ambitious plans to use Mon Guerlain as a kick-start for its global expansion strategy or the campaign with Angelina Jolie, the perfume gave the talk and positively resulted in the sales the brand expected. So there's nothing to discuss here about its success, just go for an analysis of its meaning within the context of the brand.

I think it is important to point out that although it may seem that Mon Guerlain is not a perfume of the brand it incorporates into its DNA the spirit of the house - not in the olfactory signature itself, but in what made Guerlain what it is throughout its history. I always like to remind myself that Guerlain has never been a pioneer brand in innovation but has always surfed quickly in the trends that form. She was not the first to use synthetics in its perfumes but incorporated them in a short time into the compositions. And it is worth remembering that at several points in its history the brand is known to have perfected and made its own ideas that stood out in competitors. It is enough to look at Mitsouko (1919) versus Coty Chypre (1917), Shalimar (1925) versus Coty Emeraude (1921), Apres L'ondee and L'Heure Bleue (1906 and 1912) versus L'Origan (1905), Liu versus Chanel No 5 (1921) and Vetiver (1959) versus Vetiver Carven (1957). So that Mon Guerlain (2017) follows in the footsteps of the best seller La Vie Est Belle (2012) is nothing new in the history of the brand, it's even within the time period that the brand observes a trend, develops internally and launches (from 2 to 5 years).

Perhaps the big difference at this point is that with the exception of Chanel No 5 all other perfumes have not kept the same original aesthetic wealth for comparative purposes, which makes nostalgia and the romanticized idea of ​​the brand easier to form. Another big difference this time is that never before in the history of the brand the global ambitions for its creation were so evident. With Mon Guerlain the label (and consequently the LVMH) does not want the acclaim of the specialized critic. It wants to be known globally with a perfume that is a gateway for those who do not know them. And in that sense, the aroma fulfills very well its purpose.
As mentioned earlier, Mon Guerlain surfs in the Gourmands trend, that if I were to define from the perspective of La Vie Est Belle I would call Powdery Floral Gourmands, an attempt to incorporate a nostalgic aspect to the current reality. It is worth mentioning that Mon Guerlain is not a new creation of the brand, but an iteration of Mon Exclusif (2015), practically done as a production test of reception of the idea. With Mon Exclusif, what the brand tries to do in my opinion is to reduce the sugar sweetness present in the LVEB and Mon Exclusif and enlarge the floral aspect in a fresh way by introducing a new variety of lavender that provides an extra freshness that helps to shake things up. In this context, Mon Guerlain makes me think of a praline version of the idea in Boy Chanel, where the almond and sugared aroma combines with the fresh, slightly floral aspect of lavender and with the soft, creamy base of musk and vanilla. Despite some complaints regarding the fixation of the perfume, Mon Guerlain has a good performance on the skin, which makes me think that some may not be able to feel the musks that predominate in the base after evolution.


What may be surprising here is precisely the lack of an emphasis on the classic and nosttalgic aspect of the idea, but which must have been kept out of the way precisely to try to go even further than the audience conquered by La Vie Est Belle. It is something that could have made Mon Guerlain a little more acceptable to the most loyal fans of the brand but that could be a risk to the company's ambitions. It's a challenge that all the most classic brands face today: how do you please the most loyal fans of your legacy while getting new fans with new tastes? Unfortunately it is not possible to please everyone and the brand certainly gives up the first group here. Still, considering the soul of the company, Mon Guerlain is well Guerlain with regard to its ambitions within the market.