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11 de set de 2017

Natura K EDP - Avaliação


Nos últimos tempos a Natura tem sido uma empresa razoavelmente previsível quando se trata dos seus lançamentos de flankers e novos pilares dentro da marca. A empresa arrisca mais em edições limitadas que não pretende manter no catálogo, oferecendo criações que possam fugir da sua assinatura olfativa mais comum. Para os principais, a marca adota uma postura mais conservadora e mesmo mexendo aos poucos na sua assinatura olfativa ela não sai da sua zona de conforto e não arrisca muito em algo que vá lhe dar trabalho para posicionar no mercado. O Ano de 2017 tem sido um excelente ano criativo para seus flankers, mas aparentemente Natura K EDP confirma essa minha impressão de conservadorismo quando se trata de expansão da linha.
Eu não sei até que ponto é coincidência ou intencional mas tanto o nome como o frasco de Natura K remetem a um dos best sellers da marca ao longo dos anos: Kaiak. Mesmo que não esteja no discuso de lançamento, o que eu vejo em K é que a ambição da empresa é a de criar um novo pilar que seja o mesmo sucesso de vendas e que talvez ajude a marca a crescer o que seus acionistas esperam. É importante talvez mencionar que muita coisa mudou no mercado de perfumaria nacional entre o lançamento de Kaiak e o momento atual: maior acesso a perfumaria importada, maior competição no cenário interno, consumidor mais exigente e crescimento de uma comunidade online que hoje discute o assunto perfumaria. Isso certamente torna o desenvolvimento de um novo produto que deseja ser um grande sucesso uma tarefa a ser levada mais a sério.
Na minha opinião, é justamente isso que falta em K EDP. Sinto que a marca não se esforçou o suficiente em criar algo que fosse agradável e familiar e distinto o suficiente. Apesar de atender os requisitos de um frasco elaborado e de uma concentração de acordo com o que o mercado masculino vem exigindo, K soa agradável porém anônimo da mesma forma que o seu nome. A Marca atira em várias direções dentro do perfume, sem fincar o pé em nenhuma: na saída é bem evidente o aroma aquático e o aspecto fougere do novo frescor, algo batido e que ainda vende muito bem para o público masculino. Ao mesmo tempo, já é bem evidente notas ambaradas e secas que estão na moda e que aparecem em quase todos os perfumes. Elas são combinadas e um aroma especiado quase seco, a um toque meio herbal e queimado e a uma base mais suave, algo entre os musks da marca e o aroma amadeirado mineral que ela tem desenvolvido desde Essencial Estilo. Natura K parece uma grande colagem ou deja-vú de coisas que a marca já fez em algum momento ou outro de sua história e eu não sei se como pilar ele tem força o suficiente para gerar vendas recorrentes, ainda mais em uma faixa de preço que não é tão barata assim para um perfume com medo de arriscar.

Atualização: no dia 12 de Setembro surgiram informações oficiais da marca de que Natura K trata-se de uma releitura do Kaiak em uma concentração deo parfum.