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10 de set de 2017

Prada Olfactories Marienbad e Double Dare - Fragrance Review


Português (click for english version):
Certamente a escolha das inspirações e as imagens surrealistas foram a tentativa da Prada de diferenciar sua coleção Olfactories das outras que tem sido lançadas para abocanhar o rentável mercado de nicho. O fato é que quanto mais marcas lançam suas coleções exclusivas e como todas elas estão centradas na nobreza dos materiais mais essas coleções se parecem entre si e numa tentativa de se distanciar disso a Prada investiu em algo mais conceitual. O problema, entretanto, é que como uma grande parcela do que vem sendo lançado, os perfumes da Prada Olfactories não se aprofundam nos conceitos e parecem criações descartáveis, feitas para ver o que vende e capitalizar sem se importar com algum legado.
De todos, Marienbad é o que tenta se aproximar mais da referência cultural que o nomeia. Ele parece aludir a um filme de 1961 chamado Ano Passado em Marienbad, que se tornou famoso pela sua narrativa enigmática e polarizante que mistura ficção com realidade. Esse enigma é transposto para um encontro entre ocidente e oriente em um perfume que mira a família oriental. Na teoria, Marienbad é um perfume de oud, café e especiarias, mas na prática ele se revela mais como um couro animálico com um toque floral glamuroso e com um quê de retrô. Talvez haja civet e musks animálicos de fundo, mas a estrutura não revela muito de si, apenas cria uma aura misteriosa. Ainda sim, de forma geral é algo que passa uma sensação de deja-vú, como se fosse o esqueleto bem trabalhado de algum perfume clássico esquecido.
Já Double Dare é para mim um dos melhores exemplos de como conceitos e execuções não estão amarrados e como as fragrâncias parecem básicas demais para a faixa de preço cobrada. A inspiração não é muito clara, podendo tanto se referir a um filme como a uma peça de tv. O perfume porém, de ousado não tem nada e o exótico prometido fica na descrição do couro e especiarias que o habitam sua descrição. Na prática, o perfume é uma lavanda beirando o infantil e é difícil acreditar que foi gasto tempo e dinheiro para fazer uma lavanda básica pueril. No melhor dos mundos, Double Dare soa como um masculino comercial razoável que tenta trazer frescor a especiarias indistintas com uma lavanda razoavelmente boa e uma base genérica de musks e madeiras. Equilibrado, performance razoável porém indistinto e fácil de ser esquecido.

English:
Certainly the choice of inspirations and surrealistic images were Prada's attempt to differentiate its Olfactories collection from the others that have been launched to capture the profitable niche market. The fact is that the more brands launch their exclusive collections and as they are all centered on the nobility of the materials the more these collections look like one another and in an attempt to distance itself from its competitors Prada invested in something more conceptual. The problem, however, is that as a large portion of what has been launched, Prada Olfactories perfumes do not go deep into concepts and look like disposable creations, made to see what sells and capitalizes no matter what legac is created.
Of all, Marienbad is the one that tries to approach more of the cultural reference that names it. It seems to allude to a 1961 film called Last Year at Marienbad, which became famous for its enigmatic and polarizing narrative that blends fiction with reality. This enigma is transposed to a meeting between West and East in a scent that aims for the oriental family. In theory, Marienbad is a scent of oud, coffee and spices, but in practice it turns out to be more like an animalish leather with a glamorous floral touch and a retro aura. There may be civet and animal musks in the background, but the structure does not reveal much of itself, it just creates a mysterious aura. Still, in general it is something that passes a deja-vú sensation, as if it were the well-crafted skeleton of some forgotten classic perfume.
Double Dare is for me one of the best examples of how concepts and performances are not tied and how fragrances look too basic for the price range charged. The inspiration is not very clear, can refer either to a movie or a piece of TV. The perfume, however, has nothing of daring and the exotic promised is in the description of the leather and spices that inhabit its description. In practice, the scent is a lavender bordering the infant and it is hard to believe that it was spent time and money to make a basic childish lavender. In the best of worlds, Double Dare sounds like a reasonable commercial masculine fragrance trying to bring freshness to indistinct spices with a reasonably good lavender and a generic base of musks and woods. Balanced, reasonable performance but boring and easy to forget.