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10 de set de 2017

Prada Olfactories Nue Au Soleil e Cargo de Nuit - Fragrance Review


Português (click for english version):
Na minha opinião o papel que o perfumista faz hoje na perfumaria é muitas vezes constrangedor. Tornando-se uma estrela da perfumaria e não mais renegado ao background o perfumista hoje é constantemente visto como uma espécie de celebridade que endorsa o que está sendo lançado. Chega a ser engraçado e irônico muitas das declarações que eles dão quando uma coleção é lançada. Daniela Andrier afirmou (ou pelo menos atribuíram a ela)que a as criações da coleção Prada Olfactories são " misturas potentes do inesperado, provando experiências cinemáticas de sonhos particialmente lembrados... uma visão forte que é bem longe do cliché". Se essa era a intenção, algo certamente deu errado pois as criações não são potentes, inesperadas e estão sim dentro do clichê de uma linha exclusiva.
Isso não quer dizer que não existam bons integrantes dentro da linha, como é o caso de Marienbad e de Nue au Soleil. Inspirado em uma canção de Brigitte Bardot, a criação é um floral voluptuoso, solar e delicado, sensual como o nome parece indicar. O aroma remete a uma versão edp de um dos membros da coleção exclusiva anterior - Prada Narciso. Narciso nunca teve muito cheiro da flor Narciso, e sim de laranjeira, que aqui ganha o destaque no conceito. Ela se torna mais leve, com uma nuance verde e aerada e tons de mel. O patchouli é bem discreto, quase mineral e sustenta o tom de nudez proposto pelo perfume. Aqui é um caso onde não ser potente funciona, criando um floral narcótico que cai bem em temperaturas de verão ou mais quentes.
Já Cargo de Nuit é um bom exemplo da desconexão entre o que é entregue e a promessa de algo inesperado ou potente. Com um nome que tem um pé nos anos 80 o perfume soa simples demais, direto demais e persistente porém delicado, praticamente um membro da coleção infusion que poderia ser chamado de Prada Infusion d'Tonka. Basicamente, é uma mistura de nuances de cedro sintético, musks e o aroma amendoado e com nuances verdes e de tabaco da coumarina. É um dos momentos mais masculinos da coleção e outro que soa como uma criação comercial masculina travestida de perfume exclusivo e bem trabalhado. O aroma em si é bem agradável, mas vestido do conceito e faixa de preço simplesmente não convence.

English:
In my opinion the role the perfumer plays today in perfumery is often embarrassing. Becoming a perfumery star and no longer renegade to the background the perfumer today is constantly seen as a kind of celebrity endorsing what is being launched. It comes to be funny and ironic many of the statements they give when a collection is released. Daniela Andrier has stated (or at least attributed to her) that the creations of the Prada Olfactories collection are "potent concoctions of the unexpected, provoking the cinematic experience of a partially remembered dream… It’s a strong vision that is far from cliché." If that was the intention, something certainly went wrong because the creations are not powerful, unexpected and are within the cliché of an exclusive line.
This is not to say that there are not good members on the line, as in the case of Marienbad and Nue au Soleil. Inspired by a song by Brigitte Bardot, the creation is a voluptuous, solar and delicate, sensual floral as the name seems to indicate. The aroma refers to an edp version of one of the members of the previous exclusive collection - Prada Narciso. Narciso never had much to do with the Narcissus flower, but more of an orange blossom, which here gains the prominence in the concept. It becomes lighter, with a green and aerated nuance and tones of honey. The patchouli is very discreet, almost mineral and supports the nudity tone proposed by the perfume. Here is a case where not being potent works, creating a narcotic floral that falls well in summer or hotter temperatures.
Now Cargo de Nuit is a good example of the disconnection between what is delivered and the promise of something unexpected or powerful. With a name that has a foot in the 80's the perfume sounds too simple, too straightforward and persistent yet delicate, practically a member of the infusion collection that could be called the Prada Infusion d'Tonka. Basically, it is a mixture of nuances of synthetic cedar, musks and the almond-like aroma and with green and tobacco nuances of the coumarin. It is one of the most masculine moments of the collection and another that sounds like a male commercial creation disguised of exclusive and well worked perfume. The aroma itself is quite nice, but dressed in the concept and price range simply does not convince.