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8 de out de 2017

Ajmal Senora - Fragrance Review


Português (click for english version):

Acho interessante como aspectos culturais influenciam muito a percepção das preferências olfativas para um determinado público. Vejo que a forma como a mulher e seus gostos olfativos são percebidos na cultura árabe e na ocidental são muito diferentes. Enquanto na nossa cultura a tendência dominante no momento são perfumes que raramente refletam uma personalidade mais ousada, na perfumaria árabe a mulher é vista com um gosto muito mais exótico (e, na minha opinião pessoal, bem mais interessante).

Isso talvez explique o motivo da Ajmal fazer um perfume como Senora, voltado ainda por cima para um público que na perfumaria ocidental raramente é tratado com muito refinamento: as moças jovens fazendo a transição entre a adolescência e a fase adulta. Apesar do nome talvez nos fazer pensar em uma mulher de idade mais avançada, a marca o posiciona (e o frasco ajuda a perceber isso), como uma criação para uma mulher em processo de descobrimento de si mesma. E é certamente o descobrimento poderoso, pautado numa combinação de especiarias, flores e notas almiscaradas.

Se o perfil olfativo estiver correto, as jovens árabes basicamente tem gosto de perfumaria de nicho ou dos perfumes mais ousados da perfumaria comercial do começo da década de 2000. Ajmal me faz pensar em um dos perfumes mais exóticos que eu já vi lançados dentro da perfumaria comercial, e que obviamente foi um fracasso de vendas: o feminino Madness da Chopard. É uma combinação que poucas vezes eu vi, um blend de especiarias secas, frutadas e ultra picantes acompanhadas de uma rosa quase que flamejante e uma base de musks aconchegantes e materiais incensados, amadeirados e ambarados. Senora consegue balancear mais a parte selvagem do Madness, de forma que a sua figura olfativa se torne mais almiscarada, confortável, mas sem perder o exotismo. É um perfume interessantíssimo disfarçado em um frasco rosa para um público jovem.

English:

I find it interesting how cultural aspects greatly influence the perception of olfactory preferences for a particular audience. I see that the way the woman and her olfactory tastes are perceived in Arab and Western culture are very different. While in our culture the dominant trend at the moment is perfumes that rarely reflect a more daring personality, in Arab perfumery the woman is seen with a much more exotic taste (and, in my personal opinion, much more interesting).

This may explain why Ajmal makes a perfume as Senora, which is directed to an audience that is rarely treated with much refinement in Western perfumery: young girls making the transition between adolescence and adulthood. Although the name may make us think of a woman of more advanced age, the brand positions it (and the bottle helps to perceive it) as a creation for a woman in the process of discovering herself. And it is certainly a powerful discovery, based on a combination of spices, flowers and musky notes.

If the olfactory profile is correct, Arab girls basically have a taste for niche perfumery or the more daring perfumes of commercial perfumery from the early 2000s. Ajmal makes me think of one of the most exotic perfumes I've ever seen thrown into the perfumery commercial, and that obviously was a sales failure: the feminine Chopard Madness. It is a combination that I have rarely seen, a blend of dry, fruity and ultra hot spices accompanied by an almost flaming rose and a base of warm musks and incense, woody and amber. Senora can balance much better the wild part of the Madness idea, so that her olfactory figure becomes more musky, comfortable, but without losing the exotic touch. It is an interesting perfume disguised in a pink bottle for a young audience.