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15 de out de 2017

Bottega Veneta Parco Paladiano VIII - Fragrance Review



Nessa etapa da perfumaria de nicho, por mais que se afirme que o que tem levado o crescimento é a qualidade e a inovação dos perfumes minha percepção me diz que para o consumidor médio isso se traduz na verdade em 2 fatores: experiência proporcionada e coerência. Novos entrantes e veteranos tem lançado coleções de nicho ou exclusivas e o fato de sucesso delas está muito relacionado a como se desenvolve o conceito e a experiência do usuário associado ao aroma em si. Até por que, antes de se conhecer o aroma em si somos moldados pela experiência estética, conceitual e da marca em si.

A grife italiana Bottega Veneta fez um bom trabalho nesse sentido com Parco Palladiano. Em vez de explorar diretamente a riqueza dos materiais e ser mais uma com uma coleção nesse sentido, a marca se voltou para as suas raízes italianas e criou um conceito e experiência que vende o luxo que a faixa de preço entrega. Sua coleção exclusiva é uma exploração pelos aromas e experiências em um jardim palladiano. O palladianismo foi um estilo de arquitetura baseado em princípios clássicos e idealistas que Andrea Palladio pôs em prática durante o século 16 para a nobreza italiana.

Assim, VIII faz todo o sentido, um perfume que exalta a flor de laranjeira de uma forma rica, idealista e purista, um perfume que explora o luxo no que é clássico e atemporal, sem pirotecnias ou modernismos que não caberiam no conceito aqui. O objetivo da marca era capturar o oroma da laranjeira por completo, pétalas, casca e árvore e é isso que é entregue. O perfume explora um aspecto mais verde e levemente aldeídico na saída, que me faz pensar na parte dos raios de sol que a marca descreve em sua composição. Depois, o perfume exibe uma nuance mais floral da laranjeira, envolta no seu aspecto cítrico amargo e um quê levemente funcional e limpo que remete mais ao neroli e é bem orquestrado para combinar com o resto. A base não é muito evidente, creio eu que feita de musks que seguram a laranjeira sem roubar-lhe a cena. É uma tradução de um momento de contemplação diante do belo aroma que as laranjeiras tem a oferecer, filtrado por uma estética clássica e de luxo. Os detalhes aqui são a chave para a experiência que a marca entrega e que fazem toda a diferença. Muito bom.

In this stage of niche perfumery, however much it is said that what has led to growth is the quality and innovation of perfumes my perception tells me that for the average consumer this translates in facto into two factors: consumer experience and consistency. New entrants and veterans have launched niche or exclusive collections and their case of success is very much related to how the concept and user experience associated with the aroma itself develops. Because before we know the aroma itself, we are shaped by the aesthetic, conceptual and brand experience itself.

The Italian label Bottega Veneta did a good job in this regard with Parco Palladiano. Instead of directly exploring the richness of the materials and being another one with a collection accordingly, the brand has turned to its Italian roots and created a concept and experience that sells the luxury that the price range delivers. Its exclusive collection is an exploration of aromas and experiences in a Palladian garden. Palladianism was a style of architecture based on classic and idealistic principles that Andrea Palladio put into practice during the 16th century for the Italian nobility.

Thus, VIII makes perfect sense, a perfume that exalts the orange blossom in a rich, idealistic and purist way, one that explores luxury in what is classic and timeless, without pyrotechnics or modernisms that would not fit the concept here. The goal of the brand was to capture the oroma of the orange tree completely, petals, bark and tree and this is what is delivered. The perfume explores a greener and slightly aldehyde-like appearance at the opening, which makes me think of the part of the sun's rays that the brand describes in its composition. Then the perfume displays a more floral nuance of the orange blossom, shrouded in its bitter citrus nuances and with a slightly functional and clean note, which refers more to the neroli and is well orchestrated to match the rest. The base is not very evident, I believe that made of musks that hold the orange tree impression without stealing the scene. It is a translation of a moment of contemplation before the beautiful aroma that the orange trees have to offer, filtered by a classic and luxury aesthetic. The details here are the key to the experience that the brand delivers and that make all the difference. Very good.