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27 de out de 2017

Bvlgari Eau Parfumée Au Thé Noir - Fragrance Review


Português (click for english version):

Há perfumes que nos surpreendem não pela novidade do aroma em si, mas pela forma como ele é executado. Dá-se muito valor a um tipo de inovação que foca em novidades aromáticas e em acordes unusuais, mas é tão interessante quanto isso encontrar novas histórias a serem contadas com as mesmas palavras, ainda mais quanto essas já foram utilizadas a exaustão recentemente.

Recentemente a Bvlgari tem explorado novamente a linha de perfumes inspirados em chás que foi a responsável pela entrada da marca no universo da perfumaria. Depois de terem feitos perfumes inspirados no chá verde, chá vermelho, chá branco e oolong/chá azul, a marca se volta a variedade de camellia sinensis mais conhecida pelo seu teor defumado e oxidado, o chá preto. E para isso, utiliza os talentos do perfumista Jacques Cavallier para dar vida a um perfume de inspiração oriental que utilize a dupla mais famosa dos últimos anos: oud e rosa.


É necessário ressaltar que apesar da marca já ter explorado uma variedade de chá preto em Bvlgari Black, a semelhança entre ambos se resume a dependência dos musks e uma aura emborrachada. Porém, enquanto isso é jogado em um contexto vaníllico e com um floral luminoso secundário em Black, em Au Thé Noir Cavallier brinca com a saturação do aroma defumado das moléculas de oud e dos musks de forma que elas passem a impressão do chá preto. A rosa dá contornos florais levemente frutados, a magnólia complementa o lado cítrico secundário da composição e o patchouli ancora os musks na tarefa de criar uma base amadeirada e exótica para a composição. É necessário lembrar que Au Thé Noir é uma Eau de Cologne e se comporta como tal, por mais que tenha o intense no nome. É uma ideia transparente e delicada em torno do exoticismo da temática, uma união de notas orientais da perfumaria árabe com uma execução oriental mais típica da perfumaria oriental japonesa/chinesa.

English:

There are perfumes that surprise us not by the novelty of the aroma itself but by the way it is executed. A kind of innovation that focuses on aromatic novelties and unusual chords is highly valued, but it is just as interesting to find new stories to be told with the same words, especially as they have been used to exhaustion lately.

Recently Bvlgari has again explored the line of perfumes inspired by teas that was responsible for the entrance of the brand in the perfumery unniverse. After having made perfumes inspired by green tea, red tea, white tea and oolong / blue tea, the brand turns to the variety of camellia sinensis best known for its smoky and oxidized content, black tea. And for that, it uses the talents of the perfumer Jacques Cavallier to give life to a perfume of oriental inspiration that uses the most famous pair of the last years: oud and rose.


It is necessary to emphasize that although the brand has already explored a variety of black tea in Bvlgari Black, the resemblance between both comes down to the dependence of the musks and a rubbery aura. But while this is played in a vanillic context and with a secondary luminous floral in Black, Au Thé Noir Cavallier plays with the saturation of the smoky aroma of oud molecules and musks so that they pass the impression of black tea. The rose gives slightly fruity floral contours, the magnolia complements the secondary citrus side of the composition and the patchouli anchors the musks in the task of creating a woody and exotic base for the composition. It is necessary to remember that Au Thé Noir is an Eau de Cologne and behaves as such, no matter the intense in its name. It is a transparent and delicate idea around the exoticism of the theme, a union of oriental notes of Arabic perfumery with a more typical oriental execution of Japanese / Chinese perfumery.