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24 de out de 2017

Dawn Spencer Hurwitz Habibi - Fragrance Review


Português (click for english version):

Desde que Tom Ford concebeu junto com Morillas e Cavallier o clássico M7 da Yves Saint Laurent o mundo da perfumaria ocidental nunca mais foi o mesmo. Se em 2002 uma criação com agarwood na temática era novidade em 2017 ela é um fato recorrente e muito lucrativo. Porém, como muitas tendências, o potencial das combinações e efeitos com agarwood nunca é plenamente explorado e por mais que haja uma tonelada de lançamentos ainda há um bom espaço para se explorar harmonias incomuns tais como a de Habibi da perfumista indie Dawn Spencer Hurwitz.

Para mim chega a ser de certa forma curioso a forma como ele foi concebido, já que Dawn menciona que sua existência partiu dos inúmeros pedidos feitos a ela ao longo dos anos para que criasse um perfume de flor de laranjeira. O maior trunfo de Habibi (que traduzido seria meu amado) é justamente no casamento incomum da laranjeira com o agarwood, adornado pelas nuances de mel, açafrão e jasmim árabe.

Me lembro do comentário que li de um especialista em perfumes de como o aroma animálico do agarwood poderia ser utilizado para exaltar bouquês de flores brancas e é justamente isso que eu percebo em Habibi. É um perfume que faz mais sentido como a soma das suas partes do que suas partes separadas: o aroma suculento, cítrico e adocicado da laranjeira visto com um agarwood nem muito animálico e nem muito ambarado, entrelaçado as nuances de couro e bebida do açafrão e aos toques de mel, ambar e jasmim. É um design intricado, como se Dawn pusesse suas habilidades de perfumaria clássica francesa a favor da perfumaria árabe com um toque de moderno. É apaixonante, é complexo, é belíssimo. Eu poderia descrever e expandir seus detalhes, porém Habibi é como o amor, é uma experiência que vale mais a pena ser vivida do que descrita para ser compreendida.

English:

Since Tom Ford conceived with Morillas and Cavallier the classic Yves Saint Laurent M7 the world of western perfumery has never been the same anymore. If in 2002 a creation with agarwood in thematic was new in 2017 it is a recurring and very lucrative fact. However, like many trends, the potential of combinations and effects with agarwood is never fully explored, and while there are a ton of releases there is still plenty of room to explore unusual harmonies such as the one in Habibi's by indie perfumer Dawn Spencer Hurwitz.

For me it becomes somewhat curious how it was conceived, as Dawn mentions that its existence came from the numerous requests made to her over the years to create a scent of orange blossom. Habibi's greatest asset (which translated would be my beloved) is precisely in the unusual wedding of the orange tree with the agarwood, adorned by the nuances of honey, saffron and Arabian jasmine.

I remember the comment I read from a perfume expert on how the animalic aroma of agarwood could be used to exalt bouquets of white flowers and that is precisely what I perceive in Habibi. It is a perfume that makes more sense as the sum of its parts than its separate pieces: the sweet, citrusy, sweet-smelling aroma of the orange tree seen with an agarwood neither too animaly nor too amber, intertwined with boozy and leathery saffron nuances and with touches of honey, amber and jasmine. It's an intricate design, as if Dawn put her classic French perfumery skills in favor of Arabic perfumery with a modern touch. It is passionate, it is complex, it is beautiful. I could describe and expand on its details, but Habibi is like love, it is an experience worth living and being understood rather than being described.