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23 de out de 2017

Dawn Spencer Hurwitz Poppy, BlueDaisy, French Lily e Fleurs du Soleil - Fragrance Reviews



Português (click for english version):

Um dos aspectos mais complexos para mim quando se trata de perfumaria é tentar defini-la dentro do aspecto da arte. Por mais que muitos perfumes contenham conceitos e aromas capazes de causar fortes emoções e nos levar a reflexão, poucas são as marcas que fazem perfumaria como um meio em si - por mais que um perfume seja um reflexo pessoal de quem o cria ou concebe, se ele não vende a tendência é que ele seja descontinuado. Até por que, manter um grande arquivo de criações é na maioria das vezes inviável.

E aí me deparo com um caso da perfumista e de uma pessoa que eu admiro e que se tornou uma amiga ao longo da minha jornada - Dawn Spencer Hurwitz. A forma como Dawn conduz seus negócios chega a ser surpreente - a artista possui um dos catálogos mais amplos e diversificados que eu já vi na minha história. Os diversos estilos mostram uma artista plástica que de fato levou para a perfumaria seus conhecimentos sobre arte e toda a sua criatividade e expressão. Os perfumes dela me parecem primeiramente existirem como reflexo de seus estudos e conhecimentos e só em segundo lugar é que entra o propósito comercial.

É interessante também o como seus designs variam da mesma forma que as definições de arte - de uma reprodução fidedigna da realidade a algo mais abstrato e conceitual. E assim como um artista, há diversas séries distintas de estudo, o que talvez explique a minha impressão de que existem várias Dawn em vez de uma. Além da perfumaria clássica, é possível perceber também uma predileção pelo estudo das temáticas florais.

Dos 4 separados para análise hoje, Poppy é talvez o mais abstrato e que exige um pouco mais de interpretação para ser entendido. Inspirado em um poema, a definição de Poppy é a de fogo em forma de flor, o que explica o aspecto quente e oriental de sua composição. Há um jogo interessante com o nome e a execução - um dos tipos de papoula é conhecida por ser utilizada para a criação de opióides. Talvez não mero acaso Poppy remete ao clássico narcótico Opium de YSL, com uma maior ênfase no aspecto floral de cravo, um aroma um pouco mais fresco de figo na saída e uma base mais ambarada e amadeirada. É um belo perfume abstrato e uma ideia interessante de execução de uma flor que não tem muito cheiro.

BlueDaisy, por sua vez, parece uma incarnação de Dawn em um estilo mais impressionista de perfumaria. A princípio eu me questionei a relação de seu aroma com o nome, já que não havia nenhum elo claro. Porém, BlueDaisy também é inspirado em um poema e busca capturar mais a sensação luminosa e leve de um aroma floral em um dia de céu limpo. Talvez por isso ele me faça pensar em flores de girassol - um aroma que é cítrico e suculento acompanhado por tom nuances verdes e de pétalas frescas de flores cujo o aroma é carregado no vento. Por mais que ele acabe representando um aroma específico da flor sua preocupação maior é com as sensações evocadas em si.

French Lily e Fleurs du Soleil já vão em outras direções e ao mesmo tempo que parecem bem clássicos com uma tentativa de uma reprodução mais literal do aroma das flores também soam como criações modernas devido a simplicidade da execução. French Lily me parece mais um estudo da flor em si e suas nuances do que um perfume em si, talvez pois passando o aroma de lírio com nuances de mel, aspectos verdes e frescos e um leve tom narcótico o perfume acaba em uma base almiscarada muito rente a pele. É como se faltasse uma execução que levasse a diante, parece mais um esboço bem estruturado. Inclusive, de certa forma ele está ligado com Fleurs du Soleil, onde é possível ver um aroma parecido de lírio em um contexto mais amplo tropical, onde há uma mistura de flores tropicais como frangipani e tuberosa e que formam uma aura floral quente de verão porém com uma certa simplicidade que parece bem moderna. É um outro quadro numa ampla galeria de diferentes estudos e representações dos aromas.

English:

One of the most complex aspects for me when it comes to perfumery is trying to define it within the art aspect. Although many perfumes contain concepts and fragrances capable of causing strong emotions leading us to reflection, there are few brands that make perfumery as a medium in itself - however much a perfume is a personal reflection of who creates or conceives it, if it does not sell the trend is that it will be discontinued. This because maintaining a large archive of creations is most often unfeasible.

And then I come across a case of the perfumer and a person I admire and who became a friend along my journey - Dawn Spencer Hurwitz. The way Dawn conducts her business is astonishing - the artist owns one of the most extensive and diverse catalogs I have ever seen in my history. The different styles show a plastic artist who in fact took to the perfumery their knowledge about art and all her creativity and expression. Her perfumes seem to me to exist first as a reflection of her studies and knowledge, and only secondly comes the commercial purpose.

It is also interesting how their designs vary in the same way as the definitions of art - from a straigthfoward reproduction of reality to something more abstract and conceptual. And just like an artist, there are several distinct series of studies, which might explain my impression that there are several Dawn instead of one. Besides the classic perfumery, it is possible to perceive a predilection for the study of floral themes.
Of the 4 separate for analysis today, Poppy is perhaps the most abstract and that requires a bit more interpretation to be understood. Inspired by a poem, Poppy's definition is fire in the form of a flower, which explains the hot and oriental aspect of its composition. There is an interesting game with name and execution - one of the types of poppy is known to be used for the creation of opioids. Perhaps not just chance Poppy refers to YSL's classic and narcotic Opium, with a greater emphasis on the spicy carnation a aura, a slightly fresher fig at the opening, and a more amber and woody base. It is a beautiful abstract perfume and an interesting idea of ​​a flower that does not have much smell.

BlueDaisy, in turn, looks like an incarnation of Dawn in a more impressionistic style of perfumery. At first I questioned the relation of its aroma with the name, since there was no clear link. However, BlueDaisy is also inspired by a poem and seeks to capture more of the light and feel of a floral scent on a clear day. Maybe that's why it makes me think of sunflower blossoms - an aroma that is citrusy and juicy accompanied by green shades and fresh petals of flowers whose aroma is carried in the wind. As much as it ends up representing a specific aroma of the flower its greater concern is with the sensations evoked in itself.

French Lily and Fleurs du Soleil already go in other directions and at the same time they look classy with an attempt at a more literal reproduction of the aroma of flowers but also sound like modern creations due to the simplicity of the execution. French Lily seems to me more a study of the flower itself and its nuances than a perfume itself, perhaps because after the lily scent with nuances of honey, green and fresh aspects and a slight narcotic white floral aura the perfume ends very musky and close to the skin. It is as if it lacked an execution that carried forward, it seems more a well structured sketch. Somehow, it seems connected with Fleurs du Soleil, where it is possible to see a similar aroma of lily in a wider tropical context, where there is a mixture of tropical flowers like frangipani and tuberose that form a warm floral aura of summer, however with a certain simplicity that seems very modern. It is another panting in a wide gallery of different studies and representations of the aromas.