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8 de out de 2017

Givenchy Eau de Vetiver/Vetyver - Fragrance Review


Português (click for english version):

Que o Vetiver tenha demorado tanto tempo para aparecer como uma nota proemiente da perfumaria masculina me parece mais uma questão mercadológica do que técnica. É razoavelmente comum sentir nos perfumes femininos vintage a sua presença, um aroma amadeirado que vinha principalmente de sintéticos e dava uma aura mais robusta a perfumaria em uma época que a mulher lutava por sua liberdade no mundo. A perfumaria masculina dessa época, porém, limitava-se mais a sua função na rotina de higiene do homem, complementando o ritual de barbear e de banho. Isso mesmo que lentamente foi mudando e no final da década de 50 a grife francesa Carven foi muito bem sucedida em então criar o primeiro perfume masculino com proeminencia na raiz de aroma amadeirado e robusto, algo perfeito para dar performance e maior complexidade aos perfumes masculinos. O sucesso foi tal que 2 anos depois surgiam perfumes para rivalizar com ele: a criação da Guerlain, de mesmo nome e o Le Vetiver/Vetyver da Givenchy, ambos lançados em 1959.

O Marketing menciona que Le Vetyver era um dos preferidos de Hubert de Givenchy e pelo que eu me lembro o perfume só foi descontinuado depois da morte do estilista. Provavelmente apesar do belo aroma que estou sentido Le Vetyver não ressoa bem com uma audiência mais jovem da mesma forma que o Vetiver da Guerlain (que também foi reformulado) e o da Carven. Há uma aura nesses 3 de uma sofisticação do velho mundo, um perfume pensado para evoluir em camadas, mostrar seus detalhes lentamente, não uma composição panorâmica com a preocupação de agradar imediatamente. A onipresença de novos materiais sintéticos que dão uma aura mais mineral na evolução de perfumes de vetiver certamente não ajudou com a popularidade dos mais antigos.


Para os que se aventuram, Le Vetyver é uma composição que combina aspectos cítricos clássicos, toques especiados, o aroma amadeirado da raiz e nuances powdery secundárias que arredondam as arestas da composição. O aroma do óleo essencial do vetiver em si não é dos mais fáceis, possuindo tanto uma nuance emborrachada em seu cheiro como um aroma meio úmido e aquático. Das 3 criações clássicas citadas eu diria que o Le Vetyver é o que mais suaviza essas nuances, enfatizando mais os cítricos suculentos e ardidos e os toques especiados secos. O vetiver vai aparecendo aos poucos, dando um ar mais amadeirado a composição, complementado por leves nuances atalcadas e adocicadas. É uma composição muito harmônica do começo ao fim e que vale a pena ir atrás.

English:

That the Vetiver took so long to appear as a main note in masculine perfumery seems to me more of a marketing matter than a technical one. It is fairly common to feel the presence of it in vintage fragrances for woman, a woody scent that came mostly from synthetic materials and gave a more robust aura to perfumery in a time when the woman was fighting for her freedom in the world. The masculine perfumery of that time, however, was limited more its function in the routine of hygiene of the man, complementing the ritual of shaving and of bath. That changed slowly tough and in the late 1950s the French label Carven was very successful in creating the first masculine perfume with prominence in with the robust and woody aroma of this root, something perfect to give performance and greater complexity to the masculine perfumes. The success was such that two years later perfumes appeared to rival it: the creation of Guerlain, of the same name and Le Vetiver / Vetyver of Givenchy, both released in 1959.

Marketing mentions that Le Vetyver was one of Hubert de Givenchy's favorites and as far as I remember the perfume was only discontinued after the stylist's death. Probably in spite of the beautiful aroma I'm feeling Le Vetyver does not resonate well with a younger audience in the same way as Guerlain's Vetiver (which has also been reworked) and Carven's. There is an aura in these 3 of an old world sophistication, a scent thought to evolve layers, show their details slowly, not a panoramic composition with the concern to please immediately. The omnipresence of new synthetic materials that give a more mineral aura in the evolution of vetiver perfumes certainly did not help with the popularity of the older ones.


For those who venture, Le Vetyver is a composition that combines classic citrus, spicy touches, the woody aroma of the root with powdery secondary nuances that round the edges of the composition. The aroma of vetiver essential oil itself is not one of the easiest, having both a rubbery nuance in its scent and a slightly moist and aquatic aroma. Of the 3 classic creations I would say Le Vetyver is the one that most softens these nuances, emphasizing more the succulent and bitter citrus and the dry spicy touches. The vetiver gradually appears, giving a more woody air to the composition, complemented by light powdery and sweet nuances. It's a very harmonic composition from beginning to end and worth going after.