Pesquisar este blog

1 de out de 2017

Jovoy Private Label - Fragrance Review

Português (click for english version):

Na perfumaria masculina e na perfumaria de nicho/exclusiva há um estilo de composição que apesar de não ser tão recorrente quanto os soliflores/bouquês florais equivale a eles em estilo. São composições que põe em ênfase o aroma de uma ou mais madeiras de forma que elas não sejam mais apenas notas de base e virem então o foco da composição. Certamente é algo mais difícil de fazer que um buquê ou soliflor dado o aspecto mais pesado do perfil olfativo dessas notas. Entretanto, quando bem-executado é um resultado interessante.

Para Private Label a elegante loja de perfumes Jovoy almeja criar o que ela chama de um aroma oriental ideal, o que é curioso já que a composição é justamente um bouquê amadeirado e não exatamente um aroma oriental. É mais precisa a descrição da perfumista Cécile Zarokian que o descreve como um arquétipo de rastro, que deixa sua impressão permanecendo consistente durante o tempo. Ou seja, o que você sente na aura da composição te acompanha durante o dia.

Essa é uma composição de Cécile Zarokian que me surpreende já que é o seu primeiro perfume que não apresenta uma nota ambarada doce e em evidência. O mais próximo que chegamos disso são toques de um acorde ambarado de agarwood que permanece mais na periferia da composição. Do jeito que o perfume é estruturado, temos uma sucessão de notas de base se destacando em diferentes momentos da composição, com a maior volatilidade nos 30 primeiros minutos e depois atingindo o equilíbrio do perfume de rastro proposto. Há algo interessante para mim nos primeiros momentos na combinação de couro e patchouli, algo que quase toca um aspecto animálico, seco e amadeirado que remete ao clássico Monsieur de Givenchy. Depois, o perfume dá uma guinada para uma direção de um soliwood de sândalo que remete a lascas de madeira. O perfil não é o do sândalo indiano mas é bem distinto e soa natural. O vetiver acaba complementado o sândalo e reforçando seu lado mais amadeirado.

De alguma forma, Private Label me faz pensar no perfume Wonderwood da CDG pois ambos possuem protagonistas similares e uma execução nas mesmas linhas. Porém, Private Label me parece uma versão com uso de mais óleos essenciais de madeiras, o que confere um lado mais elegante e rico a composição.

English:

In masculine and in niche / exclusive perfumery there is a style of composition that although not as recurrent as the soliflores/ floral bouquets equals them in style. They are compositions that emphasize the aroma of one or more woods so that they are no longer just base notes and then become the focus of the composition. Certainly it is somewhat more difficult to make than a bouquet or soliflore given the heavier aspect of the olfactory profile of these notes. However, when well-executed it is an interesting result.

For Private Label the elegant perfume shop Jovoy aims to create what it calls an ideal oriental scent, which is curious since the composition is more of a woody bouquet and not exactly an oriental scent. More accurate is the description of the perfumer Cécile Zarokian who describes it asarchetypal parfum of trail, who leaves its impression remaining consistent over time. That is, what you feel in the aura of composition accompanies you during the day.

This is a composition by Cécile Zarokian that surprises me since it is her first perfume that does not present a sweet amber note in evidence. The closest we get to it are touches of an amber agarwood accord that remains more on the periphery of the composition. The way the perfume is structured, we have a succession of base notes standing out at different times of the composition, with the highest volatility in the first 30 minutes and then reaching the balance of the proposed trail scent. There is something interesting for me in the first moments in the combination of leather and patchouli, something that almost touches an animalic, dry and woody aspect that refers to the classic Monsieur de Givenchy. Afterwards, the perfume takes a turn in the direction of a sandalwood soliwood that refers to wood freshly cut. The profile is not that of Indian sandalwood but it is very distinctive and sounds natural. The vetiver completes the sandalwood and reinforces its woody side.


Somehow, Private Label makes me think of the CDG Wonderwood perfume because both have similar characters and an execution on the same lines. However, Private Label seems to me a version with use of more essential oils of woods, which gives a more elegant and richer composition.