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1 de out de 2017

Sospiro Ouverture - Fragrance Review


Português (click for english version):

Quanto mais a perfumaria de nicho tem crescido e prosperado mais a fronteira que a separa da perfumaria comercial se torna mais difícil de ser delimitada. Se antes o que marcava essa separação era uma perfumaria mais autoral e arriscada no setor de nicho hoje a exploração do luxo pela experiência em diversos níveis é o que tem pautado diversas marcas. Um perfume não precisa ser desafiador ou inovador no que diz. Sua inovação ou no mínimo seu fator de sucesso depende de como se amarra faixa de preço, distribuição, frasco e aroma em si.

Uma das marcas da italiana Xerjoff, a Sospiro é um exemplo dessa estratégia de combinação de elementos para se vender como algo mais exclusivo e precioso. Não é uma das minhas marcas favoritas da Xerjoff pois sinto que nos conceitos apresentados há uma ausência de um trabalho mais elaborado nos aromas. Mas em Ouverture isso fica para trás e o conjunto da obra surpreende.

Inspirado no mundo da Ópera como em outras criações do universo da Sospiro, acho interessante que Ouverture pareça combina elementos do velho mundo da perfumaria com o novo, como se mirasse nas melodias de uma peça clássica de Ópera com dinâmicas mais modernas. A marca posiciona Ouverture como um Floral Gourmand e há uma textura rica frutada, suculenta e que em alguns momentos remete a licor de chocolate, justificando tal classificação. Ao mesmo tempo porém, se prestarmos atenção há referências em todas as fases a acordes e aromas clássicos. Percebo uma presença secundária de um toque animálico de castoreum logo na saída e um interessante corpo floral com rosas que me remetem a uma versão polida dos florais chypres fluorescentes da década de 80. O patchouli utilizado aqui se divide entre um primeiro momento mais terroso e antiquado e um segundo momento mais polido, clean e contemporâneo, sendo esse acompanhado por toques de chocolates e ameixas maduras até o final da composição.

Não há exatamente nada de novo em Ouverture, mas ele entrega o que se esperaria de um perfume como ele: riqueza nos detalhes. Espera-se que a abertura de uma Ópera seja marcante mas que não roube a cena para o ato que virá em seguida e é justamente o que Ouverture entrega. É um caminho de desenvolvimento que a marca poderia seguir mais vezes.

English:

The more the niche perfumery has grown and prospered the more the border that separates it from the commercial perfumery becomes more difficult to be delimited. If before what marked the separation was a more authorial and risky perfumery in the niche sector today the exploration of luxury by the experience in several levels is what has ruled several brands. A perfume need not be challenging or innovative in what it says. Its innovation or at least its success factor depends on how you tie price range, distribution, bottle and aroma itself.

One of the brands of Italian Xerjoff, Sospiro is an example of this strategy of combining elements to sell as something more exclusive and precious. It is not one of my favorite brands of Xerjoff because I feel that in the concepts presented there is an absence of a more elaborate work on aromas. But in Ouverture this is left behind and the whole of the work surprises.

Inspired by the Opera world as in other creations of the Sospiro universe, I find it interesting that Ouverture seems to combine elements of the old world of perfumery with the new, as if looking at the melodies of a classic Opera piece with more modern dynamics. The brand positions Ouverture as a Floral Gourmand and there is a rich, fruity, juicy texture that at times remindes me of a chocolate liqueur, justifying such classification. At the same time however, if we pay attention there are references in all phases to classic accords and aromas. I notice a secondary presence of an animalic touch of castoreum on the opening and an interesting floral body with roses that remind me of a polished version of the fluorescent floral chypres of the 80's. The patchouli used here is divided between a first earthly and old-fashioned moment and a second more polished, clean and contemporary, accompanied by touches of chocolates and ripe plums until the end of the composition.


There is exactly nothing new in Ouverture, but it delivers what you would expect from a perfume like it: richness in details. It is expected the opening of an Opera to be remarkable but without stealing the scene for the act that will come next and is exactly what Ouverture delivers. It is a development path that the brand could follow more often.