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9 de nov de 2017

Maison Martin Margiela Replica Lipstick On - Fragrance Review


Português (click for english version):

Às vezes eu tenho a impressão de que o conceito de perfumes como coleção é apenas uma desculpa para marcas tentarem atingir um mercado mais amplo de interesses olfativos ao mesmo tempo que otimizam os custos, padronizam a imagem e facilitam a criação. O fato é que uma coleção de perfumes pode ser exclusiva e interessante ao mesmo tempo que é diversificada. E um exemplo legal de se observar isso é a coleção Replica da Martin Margiela.

Concebida como uma espécie de cápsula do tempo, a coleção Replica procura transformar memórias em aromas e contextualizá-las em locais, períodos e públicos específicos. É uma ideia genial na minha opinião pois como conceito permite que se trabalhe diferentes estilos olfativos ao mesmo tempo que se cria um propósito de coleção e foge-se do óbvio. Como será que ninguém pensou nisso antes? É uma espécie de curadoria de aromas como se fossem fotografias. E decidi seguir a jornada que eles contam de uma forma cronológica para ver como as memórias estariam relacionadas ao que já foi lançado até o presente momento.

Por isso, essa jornada começa em Lipstick On, que é categorizado como uma memória pertencente ao ano de 1952 e a Chicago. Essa memória olfativa representa um momento de ritual de beleza de uma mulher, onde ela finaliza a sua maquiagem com toques de talco e um suntuoso batom vermelho. O perfume em si passa bem essa ideia e por isso nos entrega um aroma powdery e brilhante, algo que combina basicamente iris, raiz de cenoura, heliotropina e toques vanílicos e coumarinicos para completar o quadro. O aroma tem uma aura chique e vintage sofisticada que combina bem com esse estilo floral powdery retrô. A ideia em si remete de fato ao Mísia da Chanel, principalmente pelo aroma powdery de iris e violeta. A diferença talvez é que enquanto Misia parece algo mais específico, Lipstick On tem uma aura mais abstrata condizente com a ideia de uma memória capturada.

Para quem curte esse tipo de perfume, o aroma é delicioso e de alta qualidade. Há uma harmonia sofisticada que sabe equilibrar bem o aroma mais atalcado, brilhante e adocicado das iononas (moléculas que passam o aroma de iris e violeta) com o toque mais terroso e vegetal da raiz de cenoura. A heliotropina acrescenta um toque amendoado, um pouquinho amargo e que ajuda a completar a sensação cosmética da composição. E a criação evolui de uma forma languida para uma base cremosa de baunilha, toques amadeirados e de fava tonka, uma espécie do equivalente gourmand do passado. Considerando que tal tipo de composição voltou aos holofotes recentemente com uma espécie de onda nostálgica permeando diversos aspectos culturais, eu recomendaria Lipstick On como um exemplar de um perfume atalcado à moda antiga e que não parece datado, que é de qualidade e que tem um bom custo benefício.

English:

Sometimes I have the impression that the concept of perfumes as a collection is just an excuse for brands  trying to reach a wider market of olfactory interests while optimizing costs, standardizing the presentation and making easier the creation process. But the fact is that a collection of perfumes can be unique and interesting while being diversified. And a cool example of this is the Replica collection of Martin Margiela.

Conceived as a kind of time capsule, the Replica collection seeks to transform memories into scents and contextualize them into specific places, periods and audiences. It's a genius idea in my opinion, because as a concept it allows you to work different olfactory styles while creating a collection purpose and avoiding the obvious. How has no one has thought of this before? It is a kind of curation of scents as if they were photographies. And I decided to follow the journey that they tell in a chronological way to see how the memories would work (considering, of course, the already available memories).

Therefore, this journey begins with Lipstick On, which is categorized as a memory belonging to 1952 and to Chicago. This olfactory memory represents a moment of ritual beauty of a woman, where she finishes her makeup with touches of talcum powder and a sumptuous red lipstick. The perfume itself goes well with this idea and therefore gives us a powdery and glossy aroma, something that basically combines iris, carrot root, heliotropin and vanilla and coumarinic touches to complete the picture. The scent has a chic and sophisticated vintage aura that matches well with this retro powdery floral style. It does indeed refer to Chanel Misia, mainly because of the powdery aroma of iris and violet. The difference is perhaps that while Misia seems something more specific, Lipstick On has a more abstract aura consistent with the idea of ​​a captured memory.


For those who enjoy this type of perfume, the aroma is delicious and of high quality. There is a sophisticated harmony that knows how to balance well the powdery, glossy and sweet aroma of the ionones (molecules that pass the aroma of iris and violet) with the earthy and vegetable touch of the carrot root. Heliotropin adds an almondy, slightly bitter touch that helps complete the cosmetic feel of the composition. And the creation evolves in a languid way to a creamy base of vanilla, woody touches and tonka beans, a kind of gourmand equivalent of the past. Considering that this type of composition has returned to the spotlight recently with a nostalgic wave permeating various cultural aspects, I would recommend Lipstick On as an exemplar of an old-fashioned perfume that does not look so dated, that has quality and a good cost-benefit .