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27 de nov de 2017

Maison Martin Margiela Replica Promenade In The Gardens e At The Barbers - Fragrance Review


Português (click for english version):

Quando fazemos um teste em sequência de perfumes na pele, a ordem que é feito esse teste influência nas expectativas com relação a cada perfume testado. E talvez a minha escolha cronológica não tenha sido a melhor para entender a linha Replica, visto que os 3 primeiros são muito bons e elevam as expectativas com relação aos outros da linha, algo que infelizmente não acaba acompanhando nos 2 que os sucedem. Não que no momento a linha possua perfumes ruins, mas Promenade in the Gardens e At The Barbers não encantam com suas interpretações das memórias propostas.

Promenade in the gardens é inspirado no romantismo dos jardins ingleses e ilustrado por uma bela paisagem de um caminho composto principalmente de vegetação verde, um perfume que parece propor um passeio pelo aroma fresco e verde do mesmo. É certo que uma das características da linha Replica é produzir memórias coletivas que sejam abstratas ao ponto de serem subjetivas e, até um certo ponto, inacabadas. Mas o que acaba sendo uma força nos perfumes anteriores aqui é justamente uma fraqueza. Promenade in the gardens parece mais um perfume que tenta fazer uma versão moderna de um chypre rosa dos anos 80, onde a base é simplificada, o patchouli se torna mais limpo e o acorde floral controla o aroma frutado e quase fluorescente que as rosas apresentavam nessa época. A saída que poderia sugerir o aroma verde do jardim acaba criando um aroma mais fresco do que verde, com um leve aspecto frutado. Essa caminhada pelos jardins soa mais como um passeio perto de uma roseira do que um passseio por um jardim verde.

Já At The Barbers possui justamente o problema inverso encontrado em Promenade in the Gardens. Inspirado na memória da barbearia, é o perfume que soa mais masculino dentro da linha e o mais literal de todos, evocando a alma dos fougéres herbáceos clássicos de uma maneira mais direta. Falta alguma surpresa na execução da ideia, algo que pudesse trazer um elemento surpresa ao que se espera a um aroma de barbearia. Mas para quem curte esse tipo de perfume fougére é um prato cheio: at the barbers faz um belo calibre entre o aroma fresco da lavanda, as nuances cítricas e o toque herbáceo/amendoado da coumarina. As ervas são utilizadas com moderação, o que evita o excesso de aroma medicinal a composição. O cheiro de couro é mais um sussurro, um aroma defumado que se esconde nas nuances de musk e no acorde mais moderno de musgo de carvalho. É um perfume seguro, que evoca de forma bem precisa o ambiente que seu nome sugere, faltando o aspecto "inacabado" proposital que é um dna da linha.

English:

When we do sequential fragrance evaluations on skin, the order that is made certainly influences the expectations with regard to each perfume tested. And perhaps my chronological choice was not the best to understand the Replica line, since the first 3 are very good and they raised expectations with respect to the others in the line, something that unfortunately is not sustained with the 2 that follow them. It's not that until now the Replica line has bad perfumes, but Promenade in the Gardens and At The Barbers do not enchant with their interpretations of the proposed memories.

Promenade in the gardens is inspired by the romanticism of English gardens and illustrated by a beautiful landscape of a path composed mainly of green vegetation, a scent that seems to propose a stroll through the fresh and green aroma of it. It is certain that one of the characteristics of the Replica line is to produce collective memories that are abstract to the point of being subjective and, to some extent, unfinished. But what ends up being a force in the previous perfumes here is just a weakness. Promenade in the gardens looks more like a perfume that tries to make a modern version of a rose chypre from the 80's, where the base is simplified, the patchouli becomes cleaner and the floral accord controls the fruity and almost fluorescent aroma that the roses presented in that era. The opening that could suggest the green scent of the garden ends up creating a fresher aroma than greener one, with a slight fruity aspect. This walk through the gardens sounds more like a walk near a rosebush than a walk through a green garden.


Already At The Barbers has just the opposite problem found in Promenade in the Gardens. Inspired by the barbershop's memory, it is the perfume that sounds more masculine within the line and the most literal of all, evoking the soul of classic herbaceous fougéres in a more direct way. There is no surprise in the execution of the idea, something that could bring a surprise element to what is expected to a barbershop aroma. But for those who enjoy this type of fougére perfume this one is a full plate: at the barbers makes a fine caliber between the fresh scent of lavender, the citrus nuances and the herbaceous / almondy touch of the coumarin. The herbs are used in moderation, which avoids the excess medicinal aroma in the composition. The scent of leather is more of a whisper, a smoky aroma that hides in the nuances of musk and the more modern oakmoss interpretation. It is a safe perfume, which evokes precisely the environment that its name suggests, lacking the purposeful "unfinished" aspect that is a dna of the line.