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9 de nov de 2017

Maison Martin Margiela Replica By The Fireplace - Fragrance Review


Português (click for english version):

Uma das coisas que surgiu na minha cabeça hoje ao dar meu segundo passo em direção a série de reviews baseados na coleção Replica foi: quem é de fato Martin Margiela? Instintivamente algo me dizia que isso era importante para entender o que eu estava sentindo e como os perfumes se relacionam entre si para passar sua mensagem.

Pesquisando achei uma definição sobra a alma do trabalho e persona do estilista, que parece se manter depois de seu retiro da marca e na criação da sua linha de perfumes. Margiela é uma figura misteriosa, quase anônima inclusive, que trabalha com princípios bem definidos. Sua essência se rebela contra a moda dos anos 80 e oferece algo desconstruído (inacabado intencionalmente), que desafia expectativas e tenta trabalhar o conceito do anônimato dentro das suas coleções.

É curioso perceber que seu estilo é também uma antítese no mundo da perfumaria, ainda que esteja mais alinhado no presente momento com o que tem acontecido. Ainda que o aspecto desconstruído case muito bem com o conceito de coleções de nicho/exclusivas, a ideia do misterioso e anônimo vai contra a corrente onde são necessários figuras definidas para serem estrelas dentro de uma marca e onde expectativas procuram mais serem atendidas do que desafiadas.

Na segunda memória coletiva da coleção Replica eu percebo claramente esse aspecto do inacabado e do desafio de expectativas. O ano agora é 1971, o local é um vilarejo francês e o momento é o de captura de uma manhã de inverno, com o cheiro aromático das madeiras sendo queimadas se espalhando no ambiente e se misturando com o aroma das castanhas torradas.


By the Fireplace me parece quase linear, um protótipo baseado em um briefing onde os perfumistas receberam o conceito,fotografias e notas para trabalhar e submeteram uma primeira versão. É algo que parece pedir mais elementos e aí eu vejo que a ideia do desconstruído se revela bem. Apesar do ano sugerir um aroma vintage talvez, as expectativas são quebradas em um aroma amadeirado, tostado e quase defumado. A expectativa de algo gourmand também é quebrada, já que By The Fireplace não trabalha notas adocicadas, e sim o aroma torrado, especiado e quase lactônico de algo sendo lentamente tostado perto do fogo. É uma memória curiosa, simples e complexa, aconchegante, moderna, mas de fato anônima. A quem ela pertence? Ela pode ser de qualquer um, mesmo que você não tenha vivenciado a experiência do rótulo. É de certa forma a mesma sensação de observar uma fotografia se transportar/imaginar naquele ambiente.

English:

One of the things that came into my mind today when taking my second step towards the series of reviews based on the Replica collection was: who is Martin Margiela really? Instinctively something told me that this was important to understand what I was trying and how perfumes relate to each other to get their message across.

Researching about it made me found a definition on the soul of the work and persona of the stylist, who seems to remain after his retirement from the brand and in the creation of perfume line. Margiela is a mysterious figure, almost anonymous even, who works with well-defined principles. Its essence rebels against the fashion of the 80s and offers something deconstructed (intentionally unfinished), which defies expectations and tries to work the concept of anonymity within their collections.

It is curious to realize that his style is also an antithesis in the world of perfumery, although it is more aligned at the present moment with what is happening. Although the deconstructed aspect fits nicely with the concept of exclusive / niche collections, the idea of ​​the mysterious and anonymous goes against the current where definite figures are needed to be stars within a brand and where expectations seek more to be met than challenged .

In the second collective memory of the Replica collection I clearly see this aspect of the unfinished and the challenge of expectations. The year is now 1971, the place is a French village and the moment is the capture of a winter morning, with the aromatic smell of the woods being burned spreading in the environment and mingling with the aroma of toasted chestnuts.

By the Fireplace seems almost linear, a prototype based on a briefing where the perfumers received the concept, photographs and notes to work and submitted a first version. It seems to ask for more elements and then I see that the idea of ​​the deconstructed turns out well. Although the year suggests a vintage scent perhaps, expectations are broken into a woody, toasted and almost smoked scent. The expectation of something gourmand is also broken, since By The Fireplace does not work sugary notes, but rather the crisp, spicy and almost lactonic aroma of something being slowly toasted near the fire. It is a curious, simple and complex memory, warm, modern, but in fact anonymous. Who does it belong to? It can be from anyone, even if you have not experienced the moment on the label. It is in some ways the same sensation of observing a photograph and imagining yourself in that landscape.