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23 de nov de 2017

Serge Lutens Section d'Or L'Incendiaire - Fragrance Review


Português (click for english version):

A trajetória da marca Serge Lutens dentro do mundo da perfumaria pode ser comparada a de alguns músicos que começam com uma imagem comercial mais alternativa e que acabam fazendo a transição para a cultura pop conforme eles crescem e sua audiência cresce ao longo do tempo. É certo que desde o começo a marca e seu autor tinham indícios de que Lutens não se resumia apenas a estudos dramáticos e intensos dos aromas e isso pode ser visto em composições como Clair de Musc, Gris Clair e Fleurs de Citronnier. Mas nos últimos anos isso nunca esteve tão claro e em 2014 a coleção Section D'Or certamente marca o início de um novo capítulo na marca.

Serge Lutens considera a Section D'Or uma mudança radical de um mundo mais dark. Não apenas isso, é o início de uma saga onde o artista e sua marca miram no território da perfumaria exclusiva/seletiva, onde imagem, posicionamento e preço são cruciais para vender o luxo a uma clientela disposta a pagar o preço. Certamente há um risco maior nisso, e ideia de contrabalancear escuridão e luz é uma forma de fazer o lado mais dark, saturado de lutens um luxo mais fácil de ser consumido.

O primeiro perfume dessa saga, L'Incendiaire, é um forma perfeita de começar isso. Eu vejo que aqui há uma preocupação justamente em aliar escuridão e luz, luxo e instintos, e essa tentativa é algo que certamente pode soar menos interessante aos que gostam dos perfumes mais radicais da marca. Não há divulgação de notas, mas L'Incendiaire na minha impressão não foge muito do favorecimento da influência da perfumaria árabe em Lutens, aqui convertida do conceitual para o luxo.


L'Incendiaire tem um fio condutor, um aroma animálico que parece uma combinação de nuances de agarwood, castoreum e musks. É um aroma oleoso, com nuances de couro e algo que remete a suor de alguma forma. Entretanto, isso é balanceado com especiarias quentes e uma nuance que me remete a bebida, que ajuda a criar a ideia da chama que é vendida no conceito do perfume. Conforme evolui, o lado mais árabe/animálico/dark é suavizado e o perfume se rende a tons amadeirados mais cremosos e um toque sutil de flores que trás um maior equilíbrio a ideia. É curiosamente um perfume que parece depender pesadamente de notas de base ao mesmo tempo em que remove o peso delas e tenta trazer essa luminosidade e equilíbrio ao seu lado mais agressivo. Isso tem um preço, porém: apesar da concentração parfum, L'Incendiaire depois que passa a saída se torna um perfume bem mais delicado, o que certamente pode desapontar alguns. Apesar disso, é uma composição bem feita, elegante e condizente com o mercado de luxo a qual ela se direciona. É um perfume que, diferente de outros lutens, depende mais do conjunto da obra para ser apreciado do que apenas do perfume em si.

English:

The Serge Lutens brand trajectory within the world of perfumery can be compared to that of some musicians who start with a more alternative commercial image and who end up making the transition to pop culture as they grow and their audience grows over time. It is true that from the beginning the brand and its author had indications that Lutens was not restricted to only dramatic and intense studies of the aromas and this can be seen in compositions like Clair de Musc, Gris Clair and Fleurs de Citronnier. But in recent years this has never been so clear and in 2014 the Section D'Or collection certainly marks the beginning of a new chapter in the brand.

Serge Lutens considers Section D'Or a departure from a darker world. Not only that, it is the beginning of a saga where the artist and his brand look in the territory of exclusive/selective perfumery, where image, positioning and price are crucial to sell the luxury to a clientele willing to pay the price. Certainly there is a greater risk in this, and the idea of ​​counterbalancing darkness and light is a way of making the darker and saturated lutens side an easier luxury to be consumed.

The first perfume of this saga, L'Incendiaire, is a perfect way to start this. I see that here there is a concern precisely to ally darkness and light, luxury and instincts, and this attempt is certainly something that may sound less interesting to those who like the most radical perfumes of the brand. There is no disclosure of notes, but L'Incendiaire in my impression does not escape much of the arab perfumery influence in Lutens, here converted from conceptual to luxury.


L'Incendiaire has a strand, an animalic aroma that looks like a combination of nuances of agarwood, castoreum and musks. It is an oily scent, with leathery nuances and something that refers to sweat somehow. However, this is balanced with hot spices and a boozy naunce, which helps to create the idea of ​​the flame that is sold in the perfume concept. As it evolves, the more arab/animalic/ dark side is softened and the scent surrenders to more creamy woodsy tones and a subtle hint of flowers that brings more balance to the idea. It is curiously a scent that seems to rely heavily on base notes while it removes the weight of them and tries to bring luminosity to that and balance to its more aggressive side. This has a price, however: despite the parfum concentration, L'Incendiaire after the opening becomes a much more delicate fragrance, which certainly can disappoint some. Despite this, it is a well made composition, elegant and consistent with the luxury market to which it is directed. It is a perfume that, unlike other lutens, depends more on the whole of the work to be appreciated than just the perfume itself.