Pesquisar este blog

3 de dez de 2017

Prada Olfactories Mirages Soleil Au Zenith - Fragrance Review


Português (click for english version):

De forma geral a linha Olfactories tentou uma abordagem mais ousada em seus conceitos e inspirações mas falhou nas interpretações que deu aos aromas em si, de forma que a inspiração surrealista e as referências cult se perdem nos produtos. Ainda que na coleção Mirages a marca ainda mire alto em suas inteções, a falta de foco/coerência parece ter sido deixada para trás. O objetivo aqui é claro, reinterpretar a dinâmica dos perfumes orientais com uma abordagem global. A marca certamente mira aqui no momento cultural atual que valoriza perfumes potentes e está claramente de olho no mercado árabe.

Soleil Au Zenith é o integrante da coleção que representa os perfumes orientais especiados e a marca promete uma sobrecarga de sensações, uma convergência de múltiplas culturas. E é exatamente isso que ela entrega com luxo e elegância no aroma. Soleil Au Zenith me parece uma viagem entre passado e presente, entre nuances que estão na moda versus aromas do passado. Poderia ser uma cacofonia de aromas, mas Daniela Andrier faz uma execução que torna tudo uma textura exótica arriscada e elegante.

A sobrecarga de sensações se traduz claramente em um perfume que me parece exigir multiplos usos para que se entenda melhor suas texturas. Em um nível mais superficial, vejo claramente a influência do aroma resinoso, doce e com nuances de canela do Spicebomb. É o aspecto mais contemporâneo dele, que escondo em seu centro uma execução mais clássica de um aroma de flor de cravo, mais seco e picante. Há um interessante aroma sedoso e lactônico de pêssego, que dá um toque frutal com um charme mais vintage a composição.

Apesar da marca apenas listar ylang entre as notas, vejo claramente influências de uma flora de laranjeira mais picante se misturando ao ylang e ao cravo, adornando o aroma das especiarias quentes e das nuances de bebida da composição. De fundo, a base também é complexa, em alguns momentos demonstrando o lado mais amadeirado e seco do sândalo e em outros pondo toda a ênfase nas resinas quentes e adocicadas. Ainda em outros momentos é possível perceber a influência de musks e nuances mais minerais intercalando com o resto da composição. É o tipo de composição que não usa a potência como desculpa para a falta do que falar e capricha na execução dos detalhes, unificando muito bem conceito e execução.

English:

Overall the Olfactories line attempted a bolder approach to its concepts and inspirations but failed in the interpretations that gave to the scents themselves, so that surrealist inspiration and cult references got lost in the products. Although in the Mirages collection the brand still aims high in its intentions, the lack of focus / coherence seems to have been left behind. The purpose here is to reinterpret the dynamics of oriental perfumes with a global approach. The brand certainly looks here at the current cultural moment that values ​​potent perfumes and is clearly eyeing the Arab market as well.

Soleil Au Zenith is part of the collection that represents spicyt oriental perfumes and the brand promises an overload of sensations, a convergence of multiple cultures. And that is exactly what it delivers with luxury and elegance in the aroma. Soleil Au Zenith seems to me a journey between past and present, between nuances that are trendy now versus aromas that aren't so much in fashion. It could be a cacophony of scents, but Daniela Andrier makes an execution that ties everything in an exotic texture risky and elegant.

The overload of sensations clearly translates into a perfume that seems to require multiple uses to better understand its textures. On a more superficial level, I clearly see the influence of Spicebomb's sweet, cinnamon-scented resinous aroma. It is the most contemporary aspect of it, which hides in its center a more classic execution of a carnation flower aroma, drier and more spicy. There is an interesting silky and lactonic peach aroma, which gives a fruity twist with a more vintage charm to the composition.

Although the brand only lists ylang among the notes, I clearly see influences of a more spicy orange blossom blending into the ylang and carnation, adorning the aroma of the hot spices and the boozy nuances. In the background, the base is also complex, at times showing the woody and dry side of sandalwood and in others putting all the emphasis on the warm and sweetened resins. Still in other moments it is possible to perceive the influence of musks and nuances more minerals intercalating with the rest of the composition. It is the type of composition that does not use power as an excuse for lack of what to say and caprice in the execution of details, unifying concept and execution very well.