Pesquisar este blog

30 de dez de 2017

Retrospectiva 2017 - Parte 1


E estamos novamente fechando mais um ano e mais um ciclo. 2017 certamente foi no Mundo um ano turbulento, conturbado e pessoalmente foi um ano muito corrido para mim. Em dezembro como vocês podem ter visto o blog praticamente não foi atualizado e em breve haverá uma atualização massiva com várias resenhas que foram escritas e não deu tempo de postar. Mas como todos os anos, há sempre momentos bons e ruins e é legal fazer uma retrospectiva para encontrar os pontos altos e seguir em frente.

Em vez de fazer uma escolha dos melhores decidi fazer justamente uma retrospectiva do ano no blog, destacando os momentos mais interessantes do que passou por aqui. Há algo muito injusto na construção de listas quando se tenta avaliar algo tão subjetivo quanto um perfume, com o risco de se cometer injustiças no processo. Por isso a escolha abaixo não tem uma ordem definida, nenhum perfume é melhor que o outro, são todos boas criações de marcas novas e consagradas, que entregam o que prometem e que se destacaram pelo que um perfume tem que se destacar: o aroma. Para ler a avaliação do perfume, basta clicar no nome.

Atelier des Ors Iris Fauve




A marca francesa Atelier des Ors foi uma grande surpresa em 2016 com seu conceito que une luxo, poesia em perfumes impecáveis e com apresentações também impecáveis. Em 2017 a marca continuou o excelente trabalho em Iris Fauve, uma composição que extrai o melhor da iris e acrescenta um toque quente e inesperado de canela a ideia.





Gri Gri Sideshow



Se eu fosse escolher um dos perfumes mais inovadores que conheci esse ano Sideshow levaria o prêmio sem precisar pensar muito a respeito. Anaïs Biguine explora um conceito interessante, em perfumes associados a história da tatuagem ao longo do tempo. Sideshow se inspira em um período onde tatuagens eram vistas como parte de um show de "aberrações" e cria uma aura onde notas frutadas, açucaradas e aromas animálicos e de couro fazem uma harmonia inusitada e intrigante.



Zoologist Perfumes Civet



Já se tornou parte da rotina anual esperar os lançamentos da Zoologist Perfumes. Victor Wong tem construído um belo universo onde animais ganham vida nas mãos de talentosos perfumistas. E em Civet Victor e a perfumista Shelley Waddington produzem um dos melhores da marca, um chypre com nuances animálicas e que homenageia com riqueza os tempos de ouro da perfumaria.




Art de Parfum Excentrique Moi



Para os que buscam uma perfumaria que tenha uma preocupação com a natureza ao mesmo tempo que não deixa de lado o luxo e contemporaneidade dos aromas, a Art de Parfum é uma marca que vale a pena ser explorada, com um mix de criações que vai do bem agradável ao mais exótico, que é o caso de Excentrique Moi. Um dos favoritos de Ruta, a dona da marca, é uma criação que explora um lado mais exótico de um chá especiado em contraste com uma bela base de patchouli.




Orto Parisi Seminalis



  O primeiro projeto do perfumista Alessandro Gualtieri nunca me agradou, desenvolvendo ele na Nasomatto perfumes que para mim tinham mais conceito do que substância e soavam agressivos sem refinamento. Por isso foi uma grande surpresa conhecer seu projeto Orto Parisi, que coloca o corpo como um jardim e cultiva odores relacionados a ele. Seminalis personifica perfeitamente essa proposta com um perfume de pele que explora as diversas nuances que tal conceito pode suscitar, indo do limpo para o sujo, do tenro para o erótico.



DSH Perfumes Dark Moon



 Lançado durante as festividades do final de ano de 2016, Dark Moon chegou as minhas mãos durante 2017 e rapidamente entrou para a minha seleção de favoritos da prolífica artista e perfumista Dawn Spencer Hurwitz. Sua ideia surgiu de um questionamento feito por mim em um grupo de facebook a muitos anos atrás: seria possível fazer um chypre clássico com uma nota gourmand de chocolate? Dawn atinge isso de forma magnífica ao explorar o lado mais dark e licoroso do absoluto de cacau em uma estrutura chypre especiada complexa, quente e viciante.



Baruti Chai



 Em 2017 finalmente tive chances de conhecer um dos perfumes da indie Baruti, uma marca que se destacou ultimamente entre os apaixonados por perfumes nos grupos virtuais. Em Chai o perfumista Spyros comenta que a composição foi criada primeiro pela fórmula e depois encaixando um conceito nela, com o objetivo de criar um perfume especiado que fugissse dos clichês. Isso é atingido com maestria em uma composição que explora  as nuances do chá preto em meio ao aroma de especiarias quentes e frias, rosa e um leve quê de açúcar mascavo. É um perfume que me fez querer conhecer mais sobre a casa de tão bom que ele é.



Bottega Veneta Parco Palladiano VIII


  A Italiana Bottega Veneta estreiou com a sua coleção de perfumaria exclusiva em um momento onde o mercado já se encontra quase saturado com tal produto. Isso seria um problema se a marca não tivesse desenvolvido um conceito que foge dos clichês da exaltação da nobreza dos materiais. Em vez disso, a marca explora um minimalismo de luxo na fórmula e que exalta elementos de suas raízes italianas. Em VIII,  a marca se volta para a flor de laranjeira de uma forma rica, purista, capturando o conceito pelo aroma das folhas, dos frutos, da árvore e até mesmo da casca. Um caso de ultrarealismo com uma essência cuja a complexidade de nuances é perfeita para isso.



Dior Collection Privee Sakura



Curiosamente em 2017 a Dior criou um conjunto de 10 perfumes para a sua Collection Privee dos quais não houve nenhuma divulgação online, muito menos fotos oficiais. Uma espécie de coleção exclusiva para a loja de Paris, os novos integrantes da Collection Privee exploram os perfumes de um ponto de vista primaveril e delicado. Um destaque entre eles foi Sakura, um perfume que explora a inodora flor de cerejeira dando lhe um aroma floral com nuances frutadas de cereja, algo que é bem difícil de se encontrar nessa temática.




Chanel Gabrielle

Para algumas importantes maisons 2017 foi o ano de criar novos pilares na perfumaria feminina e falar com um novo público mais jovem. Apesar de Gabrielle não ser um dos favoritos entre os especialistas nesse quesito, pessoalmente foi a criação que melhor conseguiu fazer isso sem abrir mão do DNA da marca. Gabrielle interpreta o bouquet aldeídico floral e multifacetado clássico da Chanel sob um aspecto delicado e luminoso, com nuances que remetem a outro clássico moderno da marca, Chance. É uma criação que somente revela suas delicadas nuances com tempo e intimidade com o perfume.