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21 de jan de 2018

Bottega Venetta Parco Palladiano III - Resenha/Review

É interessante acompanhar a trajetória da perfumista Daniela Andrier. Ao longo dos anos e principalmente com o seu trabalho na linha de perfumaria da prada Daniela passou de uma mera perfumista comercial para uma rainha do minimalismo chic e uma espécie de favorita das grifes italianas, com um de seus clientes sendo a marca italiana de artigos de couro Bottega Venetta.
Para a sua linha exclusiva que presta homenagem aos jardins italianos a Bottega comissionou a Daniela dois integrantes, sendo um deles o Parco Palladiano III. Dessa vez a inspiração são nas pereiras e um conceito de capturar o aroma da árvore no momento do outuno, com as pêras maduras, prontas a cair da árvore para a grama. É certamente um conceito interessante, distinto dentro do básico que costuma ser trabalhado dentro de coleções exclusivas, mas que deixa a desejar um pouco.
Acho que o que falta aqui é justamente a riqueza nos detalhes, o que talvez seja uma fraqueza do minimalismo chic que Daniela se tornou conhecida ou uma questão de como o cliente solicitou a criação da fragrância. Estruturalmente, o que eu tenho aqui é um amadeirado mineral de contornos apimentados secos, algo que não está muito longe de um Marc Jacobs Bang (com menos pimenta) ou de um Poivre Samarcande (com menos madeiras minerais). A suculência da pêra acaba não ficando evidente, creio eu, por se misturar com os contornos verdes da composição. A menta é um toque distinto, utilizado fora do seu lugar comum do aroma de pasta de dente e remetendo ao cheiro da seiva das folhas que são liberadas quando se esmaga. Um aroma floral transparente se encaixaria perfeitamente aqui pois parece que falta uma transição para a composição. Poderia ter sido usado um acorde de lírio do vale talvez já que ele é muito utilizado junto com a nota de pêra, o que poderia ter ajudado a ressaltar. Falta riqueza de detalhes e uma certa suculência da pêra para corresponder ao tema proposto.