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21 de jan de 2018

Memo Kedu - Resenha/Review


É interessante se você parar para pensar que os Margiela Replica e os perfumes da Memo Paris possuem algo em comum que é trabalhado justamente de formas opostas: o conceito das memórias. Ainda que ambos sejam uma coleção curada de memórias, ao mirar em memórias mais coletivas a grife Margiela conseguiu um resultado mais distinto mesmo nos integrantes mais "fracos" da coleção. Já a Memo ao compor inspirações de exóticas memórias de lugares ao redor do mundo oferece perfumes incondizentes com o aspecto vibrante que é pintado nas descrições.
Kedu é um típico perfume da marca, sem muitas surpresas. Assim como Luxor Oud, Kedu nos vende uma composição olfativa que transmitiria o exotismo de sua descrição. O nome da criação é referência a uma planícia vulcânica fértil que fica na ilha de Java na Indonésia. Se você olha a descrição no site, vai ver que foi colocado o máximo de descritores exóticos e passionais que seria possível em um curto parágrafo: Vulcões, Rinocerontes, Flores Gigantescas, Búfalos, Templos, Encatamento Paixão. A menção do absolute de mate e das sementes de gergelim ajudam a reforçar essa impresssão e expectativas tropicais.
Se você prestar atenção cuidadosamente na descrição do site, vai perceber duas palavras jogadas no meio do texto quase que como uma mensagem subliminar: musks brancos e acorde de rosas-peônia. São elas que definem na prática o que Kedu é na verdade, o que eu imagino como o equivalente de criar uma memória olfativa da Indonésia baseado nos produtos e perfumes vendidos no free-shop de lá. É uma visão muito rala, uma apropriação cultural que sequer é bem feita. Kedu te vende um perfume macio e levemente amadeirado de musks que é construído em cima de uma aura floral fresca e cítrica. Eu não entendo, por que diabos utilizar duas matérias primas exóticas e tão ricas quanto o absoluto de gergelim e o de mate em um perfume tão tedioso? E ainda por cima em um conceito que tinha tudo para ser empolgante? Kedu para mim é como aqueles souvenires que ganhamos quando as pessoas voltam de viagem: descartável, do tipo que a gente coloca no fundo do armário e não joga fora só por consideração da pessoa que nos presenteou.