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21 de jan de 2018

Memo Luxor Oud - Resenha/Review


Quando se trata de perfumes, eu diria que as minhas exigências são as de um purista com relação a união entre conceito e execução. Um perfume para mim tem que ser uma entidade onde principalmente nome, aroma e conceito se encaixam e formam uma entidade coesa e coerente. E é algo que me incomoda em muitas marcas de nicho, sendo Memo uma delas. A proposta de valor da marca é vender perfumes que reflitam a riqueza das viagens de seus fundadores, mas na prática isso é apenas um template para encaixar as tendências de mercado e ideias que são garantia de vendas. Veja Luxor Oud, por exemplo. O que a combinação da moda de rosa e agarwood tem a ver com Luxor, um local que guarda em si um grande simbolismo da civilização egípcia? É certo que o aspecto nobre e espiritual do agarwood poderia ter sido trabalhado nessa direção, mas como eu disse, a ideia é apenas um pretexto para preencher a lacuna de perfume de oud que toda marca deve ter no momento.
Ainda sim, por mais que eu seja um purista entre conceito e execução há momentos onde é possível reconhecer tanto a crítica como o mérito. E eu vejo coisas interessantes no aroma de Luxor Oud por mais que seu conceito seja tratado de forma leviana. Ainda que esse seja um perfume de Oud feito para preencher a lacuna da demanda do mercado, é um executado com excelência, trazendo harmonia e distinção que soa refinada a ponto de se ignorar as referências egípcias.
O "template" escolhido para esse perfume de Oud é o que explora as conotações mais ambaradas e adocicadas do acorde em combinação com uma rosa que ressalta suas nuances de frutas mel e tabaco e que por sua vez é complementada com uma saída de frutas vermelhas. Há uma fluidez na ideia que faz com que o perfume se destaque, visto que muitos perfumes de Oud nessa categoria gritam as 3 partes em sequência (Frutas! Rosa! Oud!). Aqui, as frutas soam mais naturais, remetendo a uma espécie de chá de frutas silvestres. A rosa não é tão doce e é interessante que é um tipo de rosa difícil de ser trabalhada em perfumes, uma que ressalta mais as nuances de cravo e que em geral costuma soar medicinal e amarga. Aqui, essa nuance é posta a favor da doçura da composição e cria um certo ar misterioso, um enigma: seria mesmo esse um perfume de oud e rosas ou um de oud e flor de cravo?
Enquanto essa pergunta paira no ar, o perfume evolui para a sua última fase e novamente há um cuidado em fazer um perfume de oud com uma base mais clássica no sentido de que nada predomina e as notas são usadas para formar um todo coeso. Assim, não há excesso do aroma medicinal ou até mesmo do aroma ambarado doce do oud, essas nuances são bem combinadas ao patchouli e ao labdanum criando uma aura de incenso e resinas. É um perfume que faz sentido e é distinto quando se analisa o perfume em si só. Seria perfeito se não tentassem forçar a barra no conceito, mas como consumidor não compra conceitos no fim das contas isso é o de menos.