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4 de mar de 2018

Avon Life For Him By Kenzo Takada - Fragrance Review


Ainda que a Avon não seja uma marca valorizada e que desperte curiosidade entre muitos entusiastas de perfumaria é interessante observar que ao longo da sua história a marca fez parcerias com nomes importantes, sejam celebridades, sejam empresários do mundo da moda. Certamente eles vêem na marca um expertise na produção e uma forma de atingir um público consumidor que de outra forma não teriam acesso.
Recentemente, foi a vez do estilista Kenzo Takada conceber um duo de fragrâncias com a marca com um conceito que refletisse a positividade de seus designs. Kenzo Takada se aposentou da marca que leva seu nome desde o final da década de 90 mas no circuito de perfumaria ele certamente é conhecido de muitos por composições que marcam momentos principalmente da década de 90 e de 2000. A Kenzo foi uma das primeiras a entrar no cenário dos perfumes aquáticos e de certa forma Life Him me faz pensar que Kenzo retorna justamente em uma época de sucesso profissional para explorar algo que ele sabe que continua vendendo bem.
É curioso que Life Him exemplifica perfeitamente uma das características que torna difícil a análise de um perfume quando se limita justamente a composição em si. O fato é que perfumes aquáticos não dependem de nenhum material natural ou sintético de custo elevado para conver seu conceito de frescor e leveza, de forma que é possível posicionar um perfume desses tanto em um segmento acessível como o da Avon como o de uma perfumaria comercial de maior prestígio. E dado que como os cítricos a família dos aquáticos depende pesadamente de variações de um mesmo tema, é um segmento difícil também de se diferenciar com inovações na dinâmica do aroma sem afetar as expectativas do público e, consequentemente, as vendas. E assumindo essa premisas, Life Him cumpre perfeitamente o que se propõe, ser um perfume relativamente barato com alguma aura de prestígio e um frescor aquático que agrada a muitos.
Quando penso na composição, Life Him está justamente no limite entre um perfume que soa genérico e um que parece condensar uma década de perfumes aquáticos em uma fragrância. Por exemplo, você enxerga traços da dinamica do frescor frutal aquático do Acqua di Gió, traços da temática aquática floral de violeta e calone, traças do novo frescor cítrico de um Davidoff Cool Water e até mesmo um contraste entre especiarias e aquáticos do Carolina Herrera Chic. São referências bem sutis que assim que se mostram rapidamente se dissipam em torno da aura aquática fresca que fica entre a violeta e um toque transparente de hedione, uma molécula que convem o lado luminoso do jasmim e muito utilizada em perfumes aquáticos. Como boa parte dos perfumes da década de 90 em diante, Life Him é praticamente linear, se sustentando em sintéticos de musk e madeiras que mantém a aura principal do perfume sem se destacar muito. É um bom trabalho, um perfume digno para se bater no dia-dia e que aparece em boas promoções, o que torna seu custo-benefício ainda melhor. Não é uma obra-prima, mas não dá para exigir isso de uma companhia que produz perfumes para a massa.