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4 de mar de 2018

Gri Gri Parfums Tara Mantra - Fragrance Review


É interessante como ninguém havia lançado até recentemente uma linha de perfumes que se inspirasse e celebrasse o universo da tatuagem. Os dois possuem um propósito básico em comum, que é o de passar uma mensagem/simbolismo ao mundo utilizando-se da pele. O perfume, em último caso, é como se fosse uma tatuagem invisível e evanescente e que dessa forma precisa ser renovadas.
Tirando as similaridades, o universo da tatuagem, pelo pouco que pesquisei, é bem rico para se construir conceitos e a perfumista Anais Biguine os aproveita muito bem na sua coleção Gri Gri Parfums. Cada elemento é inspirado em um tipo de tatuagem e em um local distinto de tradição e em Tara Mantra ela se volta para a cultura Budista e as tatuagens em sanscrito, tentando capturar em Tara Mantra o aspecto espiritual, sagrado, contemplativo e protetor das mesmas.
Tara Mantra é um perfume curioso pois se comporta de uma maneira invertida na pele: você primeiro sente o impacto das notas de base, depois percebe o que funcionaria como saída e em seguida nota o corpo. A primeira impressão é a de um aroma amadeirado, terroso e animálico, uma mistura de patchouli e couro que é como se refletisse o momento de sintonia entre o espiritual e o carnal. Após passar essa impressão, o perfume revela nuances mais delicadas e fluídas, condizentes com a caligrafia das tatuagens. Há um aroma spicy, fresco e levemente frutado da combinação de cardamomo e açafrão. É possível notar também, em meio ao incenso, couro e especiarias uma aura floral delicada e que completa a bela harmonia dessa composição. Há algo de atemporal e sagrado na escolha e harmonia dos ingredientes e que combina perfeitamente com o conceito proposto. Aconchegante de uma forma inusitada.