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4 de mar de 2018

Hermès Eau des Merveilles Bleue - Fragrance Review


Quando se fala em gênero na perfumaria, é fácil defender a separação entre masculino e feminino quando se pega exemplos que estão nos limites do que seria o 0 e o 1. Perfumes muito conhecidos ou então criações muito amadeiradas e florais que facilmente são utilizadas de exemplo para confirmar essa tese. Surgem porém perfumes como o Eau Des Merveilles Bleue que mostram que na prática isso tem mais nuances do que se imagina.
A Criação original, o Eau Des Merveilles, já era um perfume que poderia ser compartilhado facilmente, dado que seu aroma cítrico, efervescente e mineral não parecia assumir nenhuma identidade de gênero em especial. Já a versão Bleue parece transitar facilmente por ambos os terrenos de uma forma bem transparente.
A saída é bem próxima ao tradicional, entretanto com um reforço no aroma de bergamota. Logo em seguida surge uma versão um pouco mais floral da ideia do tradicional, que parece dizer que essa versão irá por um território mais feminino talvez. É um aroma transparente de lírio do vale e um jasmim luminoso que com um toque de madeira e a saída cítrica me faz pensar no estilo de alguns Francis Kurkdjian.
O perfume se parasse aí estaria bem claro seu direcionamento, entretanto curiosamente surgem as notas aquáticas depois dos cítricos e das flores. É nessa etapa que o aroma transparente, levemente metálico e fresco delas parece encarnar de alguma forma um dos clássicos do gênero masculino dos aquáticos, acqua di gió. E assim permanece o perfume na pele, com um toque aquático transparente em meio ao aroma amadeirado suave. É como se a composição simplesmente não se importasse com definições, ela é apenas o que deseja/deve ser, o resto são convenções ou gostos atrelados a ela.