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4 de mar de 2018

Mona di Orio Suede de Suede e Dojima - Fragrance Reviews

A perda da perfumista Mona di Orio a 7 anos atrás me deixou triste e temeroso pelo futuro da marca. Pelas entrevistas que li e pela chance que tive uma vez de interagir com ela Mona me parecia uma pessoa gentil, inteligente e bem criativa. A marca era um reflexo de sua pessoa e sua partida tão jovem certamente era um grande risco a sua continuidade.
Porém, seu amigo e parceiro de negócios Jeroen Oude Sogtoen tem feito um excelente trabalho em manter a marca concebida por Mona. Após uma elegante nova roupagem aos perfumistas existentes, Mona di Orio agora tem um perfumista in-house capaz de continuar a história começada. E pelo que entendi, Suède de Suède e Dõjima são seus primeiros trabalhos à frente da criação da marca.
Suède de Suède é inspirado pelas memórias olfativas do perfumista Fredrik Dalman, e pelo que parece seu objetivo aqui é criar uma fragrância que acaricia a pele com a textura de uma luva suíça. Não é exatamente uma interpretação literal da camurça, o que se encaixa bem com outros trabalhos da marca. Suède apresenta um couro levemente emborrachado, aveludado, que se descortina em nuances levemente adocicadas, ambaradas e powdery. Consigo identificar um toque de iris e uma base que apesar de não ter oud me faz pensar em uma versão moderada do aroma de agarwood retratado no clássico M7. Conforme o tempo passa, Suède de Suède revela o aroma mais delicado da camurça e termina numa base mais amadeirada e menos adocicada.
Dôjima é outra criação bem interessante, com uma inspiração que foge do óbvio. O nome remete ao mercado de negociações Dôjima, criado no Japão em 1697 para negociar o estoque de arroz. A ideia aqui é capturar um acorde powdery de arroz, apoiado no jasmim e na iris. Não é a toa que o perfume utiliza essas duas ancoragens para a ideia - a iris possui a textura powdery aveludada e o jasmim tem moléculas que nas devidas proporções são capazes de passar um aroma fantasia cremoso e lactônico e que remeta a arroz. Isso é complementado por nuances de canela, amêndoa e coco, o que me faz pensar no lado mais aromático do arroz-doce. Os outros elementos escolhidos aqui também giram ao redor dessas texturas: a base amadeirada, cremosa e lactônica de sândalo, a textura dos musks, o toque da baunilha, o aroma delicado e levemente frutado e almiscarado da ambrette. É um perfume fino, elegante e bem distinto, um que junto com Suède continua de forma bem bonita a herança deixada por Mona di Orio.