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4 de mar de 2018

Parfums MDCI Peche Cardinale - Fragrance Review


Estava aqui refletindo que quando pensamos em perfumes frutados nos vem a cabeça criações mais recentes da perfumaria comercial. Porém, a utilização delas (tirando os cítricos) vem da era de ouro da perfumaria comercial, a época da descoberta dos sintéticos. Aromas de pêssego, morango e coco eram utilizados em perfume chypres e orientais spicy desde 1910 - curiosamente foram chamados de aldeídos nessa época por uma questão comercial apesar de serem lactonas). E Peche Cardinale parece fazer referência justamente a essa época de uso das notas frutadas.
Apesar do nome do perfume se referir ao pêssego, essa não é a única nuance explorada aqui. A perfumista faz um trabalho interessante ao construir um acorde floral de tuberosa ao redor das notas frutadas. É uma escolha inteligente pois a tuberosa pode ser facilmente extendida nessa direção - ela tem nuances de uva com a presença do antranilato de metila em seu aroma além de ter lactonas que ajudam a criar o aroma exótico da tuberosa. Por isso que há coco listado na composição. A inclusão do pêssego é o que dá o toque extra de exuberância a ideia.
O perfume como um todo me faz pensar em um floral oriental dos anos 80 revisitado para os gostos atuais. Amplia-se o aroma sedoso e suculento do pêssego, o aroma branco e lactônico do coco e ressalta o aroma adocicado de uva da tuberosa. Suas nuances verdes continuam presentes, porém seu aspecto mais mentolado e complicado é suavizado consideravelmente para favorecer a suculência frutada. Para estender o aroma lactônico, o perfume vai em uma direção natural para isso e cria uma base onde o sândalo é o protagonista, com o cedro trazendo um lado mais seco e amadeirado para o sândalo e com o musk fazendo o papel de suavizar o exotismo da ideia como um todo. É um perfume que pela sua vibrância no aroma e pela presença de múltiplas frutas me faz pensar, de alguma forma, na atriz Carmen Miranda.