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4 de mar de 2018

Phaedon Illanguara - Fragrance Review


Com a sua terceira marca, Phaedon, o perfumista Pierre Guillaume assume nesse momento um papel similar ao de Frederic Malle, mesmo que de forma não explícita. Isso pois Pierre apesar de ser um perfumista independente abre as portas de sua marca para os projetos de outros perfumistas que possuem experiência na indústria mas ainda não tem sua própria marca.
Em Ilanguara, o convidado da vez é Gérard Bertrand, que fez sua carreira na Givaudan e se especializou no processo de reformulações complicadas, aquelas que envolvem substituir bases antigas e encontrar as matérias-primas corretas. Em Illanguara, o perfumista convidado utiliza seus talentos formulando com vários bálsamos de diferentes origens em um contexto tropical e aconchegante, um casulo perfumado que põe ênfase ao ylang e as amêndoas Guara, provenientes de uma região espanhola.
O resultado final é realmente um perfume exótico e aconchegante, um que te envolve em uma aura macia de musks e resinas que me remetem a benjoim e baunilha. A forma como Ilanguara é equilibrado me faz pensar no clássico Un Bois Vanille de Serge Lutens, mas ao passo que Un Bois Vanille tende a se tornar sufocante e a evoluir como um bloco na pele Ilanguara me parece funcionar de forma mais harmônica e fluída. As amêndoas aparecem de forma moderada na saída, remetendo a um licor meio amargo de amêndoas que se vai antes que se torne enjoativo. No lugar assume o ylang, uma extração que parece focar mais no aspecto floral luminoso do que no narcótico. Ylang é uma flor que sofre uma certa injustiça na perfumaria, pois se dá mais ênfase ao jasmim e a rosa mas a versatilidade, riqueza e possibilidade de extrações tornam o ylang um coringa na paleta do perfumista. Além disso, é uma flor que se encaixa com maestria em bases com musks, resinas e toques atalcados, que é o caso aqui, se unindo a tais temas de uma maneira muito natural. Pela temático de um perfume casulo, Ilanguara põe bastante ênfase na base e rapidamente evolui para ela, se tornando um aroma cremoso com aquele adocicado mais adulto e moderado que bálsamos acrescentam a uma composição. Poderia muito bem ser o trabalho de Pierre Guillaume e isso torna a estreia de Gérard dentro da Phaedon um sucesso.