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4 de mar de 2018

The House of Oud Blessing Silence, Dates Delight, Cypress Shade


No cenário atual da perfumaria de nicho, quando se é uma nova entretante no mercado é bom se destacar entre as demais, algo que certamente exige uma união entre perfume e apresentação. Quem fez um excelente trabalho nesse sentido é a The House of Oud, que estreiou para valer mesmo em 2016 com belíssimos frascos pintados a mão que parecem obras de arte. Os perfumes também não decepcionam, soando razoavelmente familiares para quem já conhece o que o mercado de nicho tem a oferecer, porém não parecendo criações genéricas.
Integrante da coleção Desert Day, Blessing Silence tem uma relação mais direta com o nome da casa e assim estamos diante de um perfume que trás o que conhecemos e esperamos de agarwood. Seu aroma, entretanto, consegue criar uma bela harmonia entre a rosa, agarwood e patchouli, criando um aroma floral frutado rico de rosas na saída que evolui para um agarwood animálico acompanhado de um patchouli terroso. A performance é muito boa e apenas um pouco já garante uma boa duração na pele.
Dates Delight já faz parte de uma outra coleção, a Klem Garden collection, que na minha opinião representa uma visão mais ocidental da marca. O oud nesse está presente, porém na forma de uma base sintética que transforma seu aroma em algo ambarado adocicado e que serve de pano de um fundo para que se desenvolva um aroma que mistura nuances de frutas tâmaras suculentas, mel, tonka, especiarias e baunilha. O conjunto da obra me faz pensar em algo que vai na mesma direção do Hermes Ambre Narguile, só que com o aroma frutal das tâmaras em evidência.
Cypress Shade não possui aroma de agarwood, o que confirma a minha impressão de que a Klem Garden Collection é a linha da marca para o público ocidental. A ausência dele não é notada, o perfume é excelente em torno do aroma que ele gira, algo verde, herbal, levemente lactônico e úmido. Não vejo nuances de coco ou figo listadas, porém sinto essa sensação logo na saída, acompanhando o aroma amadeirado seco do Cipreste que dá nome a composição. Essa nuance lactônica acaba se misturando ao aroma verde e amadeirado que vai se desenvolvendo, onde o aroma de vetiver e cedro vão se tornando evidentes na evolução do perfume. A ideia de forma geral me faz pensar também em outro Hermés, Vetiver Tonka, porém nesse caso mais verde, menos adocicado e mais encorpado/complexo. Dos 3 testados seria, por uma leve diferença, o melhor.