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4 de mar de 2018

Tom Ford Noir Anthracite - Fragrance Review


Quer você ame ou odeie Tom Ford, uma coisa é certa: o estilista tem um excelente instinto em perfumaria para conceitos que com o tempo se mostram bem sucedidos. A fórmula de sucesso dele me parece simples, um olhar simultâneo para o futuro, para o que pode se tornar tendência, e para o passado, resgatando aromas clássicas e os polindo para uma nova geração. Ultimamente muito da perfumaria do Tom Ford tem se baseado nessa segunda regra, talvez movido pelo movimento de nostalgia que vivemos.
Noir Anthracite é uma de suas novas apostas para o público masculino e apesar de ser um flanker do perfume Noir poderia tranquilamente ser uma criação independente, um novo pilar. A criação é vendida como um ícone de sedução, um reflexo da luz no escuro, uma dualidade entre contrastes. Isso traduzido para o aroma em si é vendido, na minha opinião, como uma tensão entre perfumaria clássica e perfumaria moderna, algo mais dark, "sujo", em meio a uma aura clean e polida.
O aroma em si me faz pensar em perfumes da década de 80 que utilizavam bases pesadas de couro e notas animálicas sintéticas junto com aromas de madeiras, notas florais de violeta e muitos outros detalhes, afinal, essa é uma década que transpira sexo e excesso. Noir Anthracite traduz isso em algo mais usável, porém não tolo. O aroma de couro e toques levemente animálicos continua lá, porém mais sutil. As madeiras ganham mais evidência, a violeta confere uma leve doçura sem dar um ar atalcado e datado a composição. As especiarias e os cítricos acabam ganhando mais destaque fazendo justamente o papel da luz em meio ao escuro. Como se trata de um perfume contemporâneo, Noir Anthracite se despe de camadas complexas e mantém uma aura amadeirada couro constante. É um perfume bem feito, equilibrado e que captura muito bem o estilo contemporâneo.