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22 de set de 2018

Berdoues Grand Crus Assam of India e Arz-El-Rab - Avaliação/Resenha/Review



Português (click here for english):

Dei-me conta conforme avanço minha jornada pelos perfumes da maison Berdoues de que o nome da coleção como Cologne Grand Cru não é mera coincidência. Os perfumes são estruturados/pensados para refletirem o melhor da temática que se propõe, como se fossem a qualidade máxima equivalente a dos vinhos. Mas, além disso, cada temática é pensada sob a ótica de elementos cítricos, que se integram e se transformam de acordo com o que é proposto. E cada perfume parece guardar uma surpresa relacionada ao tema principal.

Em Assam of India estamos em territórios mais exóticos em termos de fragrância mas ainda sim com bastante evidência no teor cítrico. A temática principal do perfume é a nota de chá preto, uma escolha que acaba fugindo de algo óbvio quando se pensa em perfumaria indiana mas que está relacionada com o patrimônio aromático da perfumaria. Perfumes de chá ainda são uma novidade e pouco explorados - pense que o primeiro grande perfume comercial de chá só nasceu na década de 90 nas mãos de Jean Claude Ellena (Bvlgari Au The Vert).

O aroma de chá preto de Assam of India me parece bem natural, um aroma que remete ao aspecto mais verde e denso do cheiro do chá verde porém com um toque mais oxidado/esfumaçado do chá preto. Aqui é feito um jogo de contrastes, com uma nota brilhante e intensa da parte cítrica - cita-se cidra porém o aroma me remete mais a casca de tangerina. De fundo, a surpresa da temática revela-se com a proeminente nota de sândalo, um sândalo entre o amadeirado e o cremoso/lactônico da ideia. Assam of India segura por bastante tempo na pele a impressão do aroma cítrico e para quem curte isso é certamente um destaque.

Arz-El-Rab já vai em uma direção um pouco mais exótica e fechada e é um dos poucos perfumes que eu já encontrei e que realmente remetem ao cheiro do óleo essencial do cedro, que tem um aroma amadeirado meio úmido e seco. Isso faz com o perfume faz jus ao nome proposto, que referencia os cedros do Líbano. Para quem apenas conhece o aroma de cedro da perfumaria comercial pode até se surpreender com a composição.

Aplicado na pele, Arz-El-Rab faz uma alusão interessante ao aroma cítrico pelo uso do gengibre. Se você corta as raizes de gengibre talvez não perceba inicialmente isso, mas a raiz tem um aroma cítrico bem pungente, que se revela melhor em algumas distilações do óleo essencial. Esse contraste entre cítrico/especiado mentolado é que trás o equilíbrio ao delicioso aroma amadeirado ed cedro de Arz-El-Rab. A iris aqui acaba quase passando batida, pois seu cheiro mais seco e terroso se confunde facilmente com o aroma de cedro. A surpresa no perfume se revela no final, com uma nota de incenso que me faz pensar distantemente no aroma de agarwood. Um perfume bem interessante e exótico sem deixar de ser usável.


I realized as I advanced my journey through the perfumes of maison Berdoues that the name of the collection as Cologne Grand Cru is not mere coincidence. The perfumes are structured / thought to reflect the best of the theme that is proposed, as if they were the maximum quality equivalent to the wines. But, in addition, each theme is thought from the perspective of citrus elements, which integrate and transform according to what is proposed. And each perfume seems to hold a surprise related to the main theme.

In Assam of India we are in more exotic territories in terms of fragrance but still with much evidence in the citric content. The main theme of the perfume is the black tea note, a choice that ends up escaping from something obvious when one thinks of Indian perfumery but that is related to the fragrant patrimony of the perfumery. Tea scents are still a novelty and little explored - think that the first great commercial scent of tea was only born in the 90's at the hands of Jean Claude Ellena (Bvlgari Au The Vert).

The scent of black tea from Assam of India sounds pretty natural to me, an aroma that refers to the greener, dense look of the smell of green tea but with a more rusty / smoky touch of black tea. Here you have a game of contrasts, with a bright and intense note of the citric part - cider is cited but the aroma reminds me more of the tangerine bark. In the background, the surprise of the theme is revealed by the prominent sandalwood note, a sandalwood between the woody and the creamy / lactonic of the idea. Assam of India holds for a long time the impression of citrus aroma and for those who enjoy it, it is certainly a highlight.

Arz-El-Rab goes into a slightly more exotic and closed direction and is one of the few perfumes I have ever encountered that really resembles the smell of cedarwood essential oil, which has a woody scent that is half moist and dry. This makes the perfume lives up to the name proposed, which refers to the cedars of Lebanon. For those who only know the aroma of cedar from the commercial perfumery may even be surprised by the composition.

Applied to the skin, Arz-El-Rab makes an interesting allusion to the citrus scent by the use of ginger. If you cut the ginger roots you may not initially notice it, but the root has a very pungent citrus scent, which turns out to be more evident in some essential oil distillations. This contrast between spicy citrus /mint brings balance to the delicious woody scent and cedar of Arz-El-Rab. The iris here almost goes unnoticed because its more dry and earthy smell is easily confused with the aroma of cedar. The surprise in the perfume reveals itself at the end, with a note of incense that makes me think distantly of the aroma of agarwood. A very interesting and exotic perfume without ceasing to be usable.