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22 de set de 2018

Berdoues Grand Crus Selva do Brazil - Resenha/Avaliação/Review

Português (click here for english):

Uma veterana do início da época de ouro da perfumaria, a maison Francesa Berdoues pode ser vista da mesma forma que a italiana Santa Maria Novella, uma marca que se ateve fiel a sua tradição e ofício na perfumaria e que certamente por não focar em métodos mais agressivos de marketing acaba sendo uma marca que o grande público não conhece. Isso não quer dizer, porém, que ela não está atenta ao que acontece ao mercado e a coleção Grand Crus é uma prova disso.

Lançada em 2015, a ideia por trás da coleção se encaixa perfeitamente no mercado da perfumaria seletiva e de nicho: a excelência na qualidade dos materiais, composições elegantes e ao mesmo tempo simples e a exploração de um conceito, nesse caso uma viagem ao redor do mundo por meio dos materiais. A excelência é evidência pelo nome da coleção, um termo que vêm do francês e que denota a categoria mais alta de qualidade de um vinho.

Selva do Brazil é um dos primeiros integrantes da coleção de 2015 e a ideia que o resume é a da simplicidade de um perfume botânico, o que se encaixa muito bem em sua proposta. O conceito em si do perfume pode levar a expectativa de algo mais exótico, já que a marca propõe a riqueza, calor e umidade da floresta Amazônica. Na minha opinião há um conflito aí entre conceito e ideia principal no perfume, mas que entretanto na prática acaba sendo secundário pois o perfume é bem elaborado.

A ideia principal aqui me parece ser a de capturar o aroma vegetal e manter parte do apelo exótico, porém pensando na usabilidade em um clima de alta temperatura. Assim, temos um cítrico cologne com um aspecto levemente floral, algo que me faz pensar no Mugler Cologne porém com uma maior intensidade no aspecto verde, cítrico e meio amargo. A nota de tonka acaba ficando secundária e como seu aspecto amendoado e doce não é posto em evidência o que é explorado é sua nuance de grama recém cortada, o que ajuda a compor de forma elegante o aroma verde. Na base, o perfume mostra um lado mais exótico e controlado, um aroma amadeirado e incensado que me parece ter nuances de alguma resina de fundo, algo que remete a nota de mirra da base do Dior Bois d'Argent porém de uma forma mais suave. Essa junção de uma cologne bem verde com elementos amadeirados exóticos forma um contraste bem legal e Selva do Brazil mostra que simplicidade não é desculpa para ausência de riqueza no aroma.



English version:

A veteran at the beginning of the golden age of perfumery, the french maison  Berdoues can be seen in the same way as the Italian Santa Maria Novella, a brand that adhered to its tradition and craft in perfumery and  that by certainly not focusing on more aggressive marketing ends up being a brand that the general public does not know. This does not mean, however, that it is not attentive to what is happening now and the Grand Crus collection is proof of that.

Launched in 2015, the idea behind the collection fits perfectly into the market for selective and niche perfumery: excellence in the quality of materials, elegant yet simple compositions and the exploration of a concept, in this case a trip around the world through materials. Excellence is evidence by the name of the collection, a term that comes from French and denoting the highest quality category of a wine.

Selva do Brazil is one of the first members of the 2015 collection and the idea that sums it up is the simplicity of a botanical perfume, which fits very well in its proposal. The concept of perfume itself may lead to the expectation of something more exotic, since the brand proposes the richness, warmth and humidity of the Amazon rainforest. In my opinion there is a conflict there between concept and main idea in the perfume, but in the reality this ends up being secondary because the perfume is well elaborated.

The main idea here seems to me to be to capture the vegetal aroma and to maintain part of the exotic appeal, but thinking about the usability in a climate of high temperature. Thus, we have a citrus cologne with a slightly floral aspect, something that makes me think of Mugler Cologne but with a greater intensity in the green, citrus and bitter nuances. The note of tonka ends up becoming secondary and as its almond and sweet aspect is not highlighted; what is explored is its nuance of freshly cut grass, which helps to elegantly compose the green scent. At the base, the perfume shows a more exotic and controlled side, a woody and incense scent that seems to have nuances of some resin at the background, something that reminds the note of myrrh present in the abse of Dior Bois d'Argent but in a milder way . This junction of a very green cologne with exotic woody elements forms a very nice contrast and Selva do Brazil shows that simplicity is no excuse for lack of richness in aroma.