Pesquisar este blog

21 de set de 2018

Boticario Arbo Masculino - Resenha/Avaliação/Review


Uma das coisas mais difíceis de ser feita quando se assume o papel de um avaliador/resenhista de perfumes é fazer tal tarefa com criações que por algum motivo te despertam emoções negativas fortes. É difícil de ser justo com algo que se odeia ou que já se odiou ou te causou mal. Mas ainda sim é um exercício importante de entendimento, de tentar ver o que os outros vêem.

o Arbo Masculino é um dos poucos perfumes até hoje que me causaram literalmente enjôo, a ponto de sentir o estômago embrulhar ao utilizar sua fragrância. Fora isso, um dos meus primeiros cunhados o utilizava e me lembro de seu cheiro chegar antes mesmo dele chegar em casa. Combine então esses dois fatores - ênjoo e projeção quilométrica - para termos um perfume que me marcou pelos motivos errados.

Ainda sim, como desafio resolvi retornar ao seu aroma hoje e não sei se é uma questão de reformulação ou de amadurecimento olfativo mas Arbo não me causa mais repulsa nem enjôo. É um perfume interessante, uma proposta que não me lembro de ter visto muitas vezes por aí: a reinterpretação do novo frescor sob a ótica de um aroma verde e de folhas. 

Para mim, quem construiu Arbo o pensou como uma árvore completa de fato, apenas adaptada para não ser desafiador ao gostos do consumidor de forma ampla. O perfume é uma combinação de madeira, folhas verdes e um toque floral verde discreto. A saída apresenta o frescor típico dos perfumes da década de 90, só que modificado pelo que uma mistura do cheiro de figo verde e folhas de menta, com o aspecto mentolado levemente sugerido. O gerânio é listado na saída, porém seu aspecto mais floral aparece no corpo, com uma leve sugestão do cheiro de lírio do vale (que inclusive originalmente era uma flor associada com os homens e não com as mulheres). Você só percebe o aspecto floral se procurar por ele, é como se as flores dessa nossa árvore estivessem começando a nascer. E por fim, um aroma comercial amadeirado de sândalo com um leve toque cremoso, complementando a visão da árvore proposta.

Se Arbo foi ou não reformulado eu não sei dizer já que me mantive longe dele todos esses anos e é difícil confiar em memórias olfativas. O que eu enxergo, porém, é que esse perfume representa uma coisa que falta hoje na Boticário: capacidade de criar novos perfumes/lançamentos que se enquadrem no cenário olfativo presente ao mesmo tempo que evidenciem pequenas nuances de criatividade.