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21 de set de 2018

Boticario The Blend - Avaliação/Resenha/Review


Muitas vezes perfumaria não é muito diferente de futebol quando se trata de ganhar um jogo. Você pode jogar na retranca e ganhar mas sem fazer um jogo emocionante ou interessante. Há também a opção de partir para o ataque e correr riscos que podem ou não levar ao sucesso. Com The Blend O Boticário me parece tentar passar a imagem da segunda opção, a de um jogo arriscado, quando de fato continua jogando na retranca.

É visível que a empresa tem intenções de tornar esse seu novo pilar de vendas e posicioná-lo como um produto exclusivo e mais prestigioso. Miram em um nome em inglês (The Blend), um frasco mais sofisticado e o marketing de uma inovação: uma distilação conjunta e artesanal de pimenta, noz-moscada, cravo e canela para produzir um óleo essencial único e exclusivo. Certamente a marca utiliza passos do processo criativo de um dos seus best-sellers, Malbec, para repetir a receita de sucesso.

Só faltou um elemento importante nesse processo: risco. Sem risco não há criatividade e The Blend peca nesse quesito, conseguindo pecar mais que o próprio Malbec Gold que é bem clichê do que vende atualmente mas pelo menos tem presença. O novo perfume da boticário parece ter tanto medo de ofender alguma potencial consumidor que poderia se chamar tranquilamente The Bland (O Tedioso).

Tudo no perfume parece borrado, uma espécie de borrão que tem uma excelente performance mas que não tem nada para dizer, nem um clichê específico. A suposta distilação conjunta e artesanal de especiarias produz um aroma que não está muito distante do aroma spicy de um Uomini Black ou até mesmo do próprio Malbec Gold. É fresca, levemente picante, agradável, mas sem distinção. Tem algum leve frescor de fundo, depois um aroma limpo cítrico e então uma base amadeirada. Chega a ser curioso que a marca utiliza Oud Laos aqui e sequer cita com destaque no encarte que acompanha a amostra. Mas se você não soubesse também o aroma amadeirado e levemente exótico poderia passar batido caso você não saiba o que procurar. A base poderia muito bem se passar por cedro e vetiver com alguma resina ambarada. É talvez a melhor fase do perfume, mas o que é construído por cima não compensa.

No fim, The Blend fez algo que eu não imaginava que iria acontecer, que é esperar mais do Malbec, inclusive do Gold, em seu aroma. Eu penso, 230 reais por esse perfume? Será que tem público que pague? Mas quando penso nisso me lembro que o morno Zaad existe nessa faixa de preço e vende bem para se manter em linha até hoje. A marca mirou no Malbec e acertou no Zaad em termos de criatividade, mas como jogo com retranca também é jogo de vitória pode ser que eles se dêem muito bem nessa aposta. Só não é um jogo bonito e emocionante de se ver/sentir.