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25 de set de 2018

Caron Yatagan - Avaliação/Resenha/Review



Português (click here for english):

Fazem tantos anos desde a última vez que senti yatagan na pele que redescobri-lo é praticamente como conhecê-lo novamente, com outros olhos. É bem provável que tanto eu como ele tenham mudado nesse meio tempo e que isso facilite a nossa aproximação nesse momento. Não sou muito chegado a esse tipo de analogia que farei agora, mas ela se encaixa perfeitamente em perfumes dessa época: é uma criação que procura ressaltar o aspecto mais durão e espartano da perfumaria masculina, que constrói a sua aura interessante e atraente exatamente por meio de elementos que em geral possuem uma aura repelente.

O tipo de combinação existente em Yatagan - ervas amargas, lavanda, madeiras, aromas animálicos - é bem presente em diferentes criações, a maioria delas com grande poder de fixação e rastro, e foi um dos estilos que apareceu predominantemente na década de 80. A Caron antecedeu essa tendência ao lançar em 1978 um perfume que se encaixa nessa categoria, com um nome baseado num tipo de arma branca turca. A lembrança que eu tenho de Yatagan era exatamente de sua aura repulsiva, complicada, extremamente animálica. E como eu disse no começo é provável que tanto eu como ele tenham mudado nesse meio tempo e hoje o vejo como um dos mais sofisticados dessa tendência masculina.

O Aroma animálico de Yatagan pode assustar a princípio, mas depois de entendido percebe-se que ele está balanceado com o aroma herbal seco e mentolado que o cerca. O que me desperta a curiosidade é que esse aroma animálico me parece não vir do Castoreum em si, mas da mistura de ervas que o compõe. É um aroma que em menor escala pode ser identificado no junípero e também na sálvia esclaréia - um aroma que remete a oleosidade de pele e, de certa forma, a xixi também. O segredo é não se focar nesses aspectos, até por que eles não duram tanto.

É interessante o como a lavanda em Yatagan cria uma aura distante levemente adocicada, quase imperceptível em meio ao aroma herbal seco e mentolado e ao cheiro amadeirado do pinho e, em menor grau, de cedro. O Gálbano e patchouli, outras duas potências da perfumaria masculina oitentista, aparecem finamente equilibradas aqui também, apenas criando parte da aura terrosa de fundo, que contextualiza o aroma herbal quente e seco. Alguns podem até dizer que Yatagan é um perfume datado, mas é curioso notar que sua ideia recentemente ressurgiu, simplificada e com outra ênfase, em uma criação mais recente, o perfume de absinto da grife árabe Amouage chamado Memoir Man. Yatagan é um exemplo de um perfumaria masculina que consegue oferecer qualidade e refinamento aqueles que se sentem mais confortáveis com perfumes que favorecem uma aura mais durona

English version

It's been so many years since I've smelled yatagan on the skin that rediscovering it is practically like knowing it again with other eyes. It is very likely that both I and it have changed in the meantime and that this will facilitate our approach now. I am not very keen to this kind of analogy that I will do now, but it fits perfectly into perfumes of that time: it is a creation that seeks to emphasize the hardest and spartan aspect of masculine perfumery, which builds its interesting and attractive aura exactly through of elements that usually have a repellent aura.

The type of combination existing in Yatagan - bitter herbs, lavender, woods, animal scents - is very present in different creations, most of them with great fixation power and sillage, and it was one of the styles that appeared predominantly in the 80's. Caron preceded this trend by launching in 1978 a perfume that falls into this category, with a name based on a type of Turkish white weapon. The memory I have of Yatagan was exactly of its repulsive, complicated, extremely animalic aura. And as I said at the beginning, it is likely that us both have changed in the meantime and today I see it as one of the most sophisticated of this masculine trend.

Yatagan's animalic Aroma may scare at first, but once understood it is noticed that it is balanced with the dry and mint herbal scent that surrounds it. What arouses my curiosity is that this animalic aroma does not seem to me to come from the Castoreum itself, but from the mixture of herbs that compose it. It is a scent that on a smaller scale can be identified in the juniper and also in the clary sage - an aroma that refers to the oiliness of the skin and, to a certain extent, to urine as well. The key is not focusing on these aspects since they do not last as long.

It is interesting how the lavender in Yatagan creates a distant slightly sweet aura, almost imperceptible amid the dry and mentholated herbal scent and the woody scent of pine and, to a lesser extent, cedar. Galbanum and patchouli, two other potencies of the masculine fragrance, are finely balanced here too, only creating part of the earthy background aura that contextualizes the warm and dry herbal aroma. Some may even say that Yatagan is a dated perfume, but it is curious to note that its idea has recently resurfaced, simplified and with another emphasis, in a more recent creation, the absinthe perfume of the arab brand Amouage called Memoir Man. This is a masculine perfumery that manages to offer quality and refinement for those that feel more comfortable with perfumes that favor a more tough aura.