Pesquisar este blog

23 de set de 2018

Guerlain Vetiver Pour Homme (Edição 2000-2011) - Avaliação/Resenha/Review

Português (click here for english):

É interessante que apesar do Vetiver ser uma nota clássica da perfumaria somente em 1957 ele estreou como a estrela principal de um perfume. E mais interessante ainda é que apesar dele ser associado ao público masculino, seu uso na perfumaria data da época de ouro e como parte da base de sustentação dos perfumes abstratos femininos da época. Utilizava-se muito uma versão tratada do vetiver que suaviza suas arestas mais brutas e lhe confere um caráter mais amadeirado e frutado. Mas tudo mudou com a criação da Carven e seu estrondoso sucesso de vendas.

A Guerlain sempre esteve atenta aos sucessos do mercado e rapidamente reagiu criando sua própria versão de um perfume que colocasse a raiz como estrela. Criado em 1959, de certa forma Vetiver Pour Homme foi o primeiro perfume masculino da marca (considerando que Mouchoir de Monsieur só foi disponibilizado ao público na década de 80) e foi a estreia do perfumista Jean-Paul Guerlain, um dos responsáveis por criar boa parte dos clássicos masculinos da Guerlain. Inicialmente apenas a formulação EDC existia, com a EDT criada no final da década de 80. No início de 2000 houve uma nova mudança para um dos frascos mais bonitos que o perfume já foi vendido. Em 2011 Vetiver Pour Homme voltou para o seu frasco clássico e sofreu uma repaginada em seu aroma. Em 2015-2016 houve uma leve mudança na tampa e no rótulo e, ao que tudo indica, uma nova reformulação, porém sem tê-lo avaliado ainda não tenho condições de opinar.

É possível entender o por que a versão de 2000-2011 não foi um sucesso de vendas entre o público masculino: ela estava muito fora do seu tempo, antes do recente frenesi por vetiver, que demorou um tempo para atingir seu pico. O fato é que seu aroma original é um perfume que com a massificação dos gostos se tornou de fato um perfume de nicho no sentido de ter um público muito específico para seu aroma. Entendo que a composição foi adaptada para os gostos da década de 80, amplificando as nuances de tabaco, madeira e grama e sem suavizar as arestas mais negras do perfume. Em vez disso, Jean Paul Guerlain constrói um contraste de notas que brilham entre o aspecto mais negro do vetiver. Os cítricos tem seu lado adstringente mais realçado e seu lado frutal diminuído, aumentando a semelhança entre eles e o vetiver. Há um sutil bouquê floral cítrico que dá um leve toque powdery entre o lado mais adstringente dos cítricos e o aroma mais amadeirado e de grama do vetiver. Vejo que a nota de cravo da índia ressalta o aspecto especiado e seco do tabaco e o unifica ao aroma do vetiver. Outra nuance interessante e que nunca tinha percebido antes é um leve toque mentolado na saída (que seria explorado e amplificado depois no excelente flanker Vetiver Frozen).


Essa versão do vetiver pour homme explora o lado mais adstringente e seco dos cítricos, equilibra com um leve toque mentolado e evolui para um coração onde parte do aspecto atalcado floral cítrico é contrastado com um aroma especiado seco de tabaco. O aroma de grama e madeiras do vetiver reina do começo ao fim mas se mostra evidente mais na saída. É uma sinfonia que funciona muito bem e que na minha opinião não foi bem adaptada para a versão de 2011. Curiosamente foi Tom Ford que percebeu o potencial desse clássico e recalibrou a ideia sem perder a profundidade em seu Grey Vetiver - que com o tempo se tornou um sucesso de vendas.

English version

It is interesting that although Vetiver was a classic note of perfumery only in 1957 it debuted as the main star of a perfume. And even more interesting is that although it is associated with the masculine audience its use in perfumery dates back to the golden age and as part of the base of feminine abstract perfumes of that time. A treated version of vetiver was used, which softens its rough edges and gives it a more woody and fruity character. But everything changed with the creation of Carven and its resounding sales success.

Guerlain has always been attentive to the successes of the market and quickly reacted creating its own version of a perfume that put the root like a star. Created in 1959, Vetiver Pour Homme was the first male perfume of the brand (considering that Mouchoir de Monsieur was only made available to the public in the 80's) and was the debut of the perfumer Jean-Paul Guerlain, one of those responsible for creating good part of the masculine classics of the brand. Initially created only in the EDC formulation, the EDT was created in the late 1980's. In early 2000 there was a change to one of the most beautiful bottles the perfume has ever sold. In 2011 Vetiver Pour Homme returned to its classic bottle and suffered a makeover in its aroma. In 2015-2016 there was a slight change in the cap and the label and, it seems, a new reformulation, but without having evaluated it yet I can not comment.

You can understand why the 2000-2011 version was not a top-selling hit among the male audience: it was way out of time before the recent vetiver frenzy that took some time to reach its peak. The fact is that its original aroma is a perfume that with the massification of tastes has in fact become a niche scent in the sense of having a very specific audience for its aroma. I understand that the composition was adapted to the tastes of the 80's, amplifying the nuances of tobacco, wood and grass and without softening the blackest edges of the perfume. Instead, Jean Paul Guerlain builds a contrast of notes that shine through the blackest aspect of the vetiver. The citrus has its astringent side more emphasized and its fruity side diminished, increasing the similarity between them and vetiver. There is a subtle citrus floral bouquet that gives a light powdery touch between the more astringent side of citrus and the more woody and grassy aroma of vetiver. I note that the clove note highlights the spicy, dry aura of the tobacco and unifies it with the aroma of vetiver. Another interesting nuance that I had never noticed before is a slight menthol touch on the opening (which would be explored and amplified later on on the excellent Vetiver Frozen flanker).


This version of vetiver pour homme explores the more astringent and dry side of citrus, balances with a slight menthol touch and evolves to a heart where part of the powdery citrus floral aura is contrasted with a spicy dry tobacco aroma. The aroma of vetiver grass and woods reigns from start to finish but it is more evident on the opening. It's a symphony that works very well and in my opinion was not well suited for the 2011 version. Interestingly it was Tom Ford who realized the potential of this classic and recalibrated the idea without losing the depth in his Gray Vetiver - which over time has become a sales success.