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25 de set de 2018

Les Liquides Imaginaires Peau de Bete - Avaliação/Resenha/Review



Português (click here for english):

A perfumaria por ser uma arte que não é possível guardar memória coletiva se aproveita disso quando deseja reciclar suas ideias. Sempre é possível vender o antigo como novo e inovador para uma nova geração de consumidores que não teve acesso as referências mais antigas e assim não será capaz de criticar o marketing e conceito. É o que tenta a marca Les Liquides Imaginaires com Peau de Bete, com a promessa de inovar utilizando a sensualidade e naturalidade de um aroma animálico.

De inovador Peau de Bete não possui nada e mesmo que seu aroma seja arriscado o fato é que outras fragrâncias abriram caminho e ousaram antes dele. Um dos primeiros a arriscar nesse sentido foi Serge Lutens e seu Muscs Koublai Khan, um aroma que carrega em várias nuances animálicas distintas e cria um cheiro fecal que de fato tem a ferocidade que Peau de Bete promete em seu nome. Outro que me vem a cabeça é Byredo M/Mink, que me parece beber da fonte do perfume de lutens e combiná-lo com um aroma animálico e metálico para uma experiência de fato ousada. Peau de Bete, comparado a esses, é seguro na sua exploração.

O que eu acho muito estranho é a tentativa da marca de chamá-lo de um aroma natural, visto que a nova exploração de perfumes animálicos tem partido principalmente de aromas sintéticos. Entendo que talvez a naturalidade refira-se a tentativa de criar um aroma de pele, um conceito de "feio" que seja esteticamente agradável. Nesse sentido acho que a marca se sai bem sucedida, criando uma aura que apesar de unissex poderia facilmente passar como o aroma da pele masculina.

Os primeiros momentos de Peau de Bete são os mais desafiadores, abrindo com uma explosão de civeta, castóreum e musks que criam um cheiro de couro com um aroma fecal. A orchestração ao redor dele me faz pensar num dos clássicos da perfumaria masculina, Kouros, porém sem o aspecto powdery, como se Peau de Bete focasse no animálico e nas ervas. Quanto mais o tempo passa mais o perfume se torna seguro na pele, mantendo um tom sutil animálico, algo que de forma distante remete a pele e suor, e mascarando isso por meio de um aroma amadeirado com nuances de incenso, algo que parece girar ao redor do cedro.

Talvez um dos pontos fortes de Peau de Bete seja justamente o de não ser inovador, pois ao não querer subir o volume dos aromas animálicos ele oferece uma experiência mais confortável passado os momentos iniciais. É um perfume interessante que aproveita o caminho aberto por outras criações mais inovadoras ao mesmo tempo que parece referenciar a perfumaria masculina clássica.

English version

Perfumery for being an art that can not save collective memory takes advantage of this when it wants to recycle ideas. It is always possible to sell the old as new and innovative to a new generation of consumers who did not have access to the older references and so will not be able to criticize the marketing and concept. It is what the brand Les Liquides Imaginaires tries with Peau de Bete, with the promise to innovate using the sensuality and naturality of an animalic aroma.

Of innovative Peau de Bete has nothing and even if its aroma is risky the fact is that other fragrances have made their way and dared before it. One of the first to venture in this direction was Serge Lutens and his Muscs Koublai Khan, a scent that is heavy in various animalic nuances and creates a fecal smell that in fact has the ferocity that Peau de Bete promises in its name. Another one that comes to mind is Byredo M / Mink, who seems to drink from the fountain of the lutens perfume and combine it with an animalic and metallic scent for a really daring experience. Peau de Bete, compared to these, is safe in its bet.

What I find very strange is the brand's attempt to call it a natural scent, since the new exploration of animalic fragrances is largely based on synthetics. I understand that perhaps the naturalness refers to the attempt to create a skin scent, a concept of "ugly" that is aesthetically pleasing. In that sense I think the brand is successful, creating an aura that although unisex could easily pass as the scent of male skin.

The first moments of Peau de Bete are the most challenging, opening with an explosion of civet, castoreum and musks that create a scent of leather with a fecal aroma. The orchestration around it makes me think of one of the classics of masculine perfumery, Kouros, but without the powdery appearance, as if Peau de Bete focused on the animalic and the herbs. The longer the time passes the more the perfume becomes safe on t skin, maintaining a subtle animalic tone, something that distantly refers to skin and sweat, and masking it through a woody scent with nuances of incense, something that seems to revolve around cedar.

Perhaps one of the strengths of Peau de Bete is precisely that of not being innovative, because not wanting to raise the volume of the animalic aromas it offers a more comfortable experience past the initial moments. It is an interesting perfume that takes advantage of the way opened by other more innovative creations at the same time that it seems to referenciate the classic masculine perfumery.