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25 de set de 2018

Martin Margiela Across Sands - Avaliação/Resenha/Review



Português (click here for english):

É interessante verificar como uma mesma temática pode ser interpretada de maneiras diferentes por grifes diferentes, porém mantendo um ponto em comum entre elas. Nesse caso estou falando de como o deserto pode inspirar criações orientais que capturam o aspecto exótico do ambiente e sua contradição entre um ambiente árido e a vida que persiste nele mesmo assim. Se na criação Barkhane da grife Teo Cabanel as dunas de um deserto são utilizadas para moldar uma exploração focada em oud, ambar e resinas aromáticas a grife Martin Margiela propõe algo mais abstrato ao explorar um Oásis em meio a esse ambiente desértico.

Como se trata de um segmento da coleção Réplica que captura memórias de fantasia, o Oásis proposto aqui não é uma reprodução realista, e sim uma miragem em meio ao calor e infinitude desértica. Como uma memória, ele funciona mais como a captura de elementos olfativos dessa miragem, como se estivéssemos distante dela. Sendo assim, o perfume mais sugere do que dá corpo pleno aos aspectos frutais e florais, entretanto eles estão presentes na composição.

Ao considerar que a temática do perfume era a de um oriental oud, a primeira surpresa que tive ao borrifá-lo na pele sem conhecer o conceito foi a de perfume a sugestão de um aroma aquático frutado, algo muito raro de se ver nesse tipo de temática. Mas ele está aqui justamente para sugerir a ilusão das frutas, com algo que confere contornos cítricos e também remete a melancia. Essa ilusão se dissipa rapidamente, abrindo espaço para que se perceba as outras duas ilusões desérticas propostas, o aroma das frutas e das flores. Quanto as flores apesar de termos a davana na prática temos um aroma floral meio torrado e seco típico da sempre-viva, que casa com a temática desértica e que vem junto com toques de especiarias. Temos também uma rosa não muito evidente mas na linha do que se espera de um perfume de oud. As flores de davana junto com o osmanthus e as tâmaras cria o aroma frutal exótico e suculento que outros perfumes orientais costumam apresentar, me lembrando talvez algo do Jubilation XXV da Amouage.

Como esse Oasis nada mais é que uma ilusão em meio ao deserto, assim que o nariz recobra a sanidade da visão que os olhos teve voltamos a um ambiente resinoso e incensado, algo mais "árido". Ainda sim é uma impressão harmoniosa, um blend de aroma terroso de patchouli, um oud mais amadeirado e com conotações de incenso. É uma exploração da temática Oud e do deserto de uma maneira muito criativa e cheia de nuances a serem descobertas.

English version

It is interesting to see how the same theme can be interpreted in different ways by different brands, but maintaining a point in common between them. In this case I am talking about how the desert can inspire oriental creations that capture the exotic aspect of the environment and its contradiction between an arid environment and the life that persists in it anyway. If in the Teo Cabanel Barkhane the dunes of a desert are used to shape an exploration focused on oud, amber and aromatic resins the brand Martin Margiela proposes something more abstract when exploring an Oasis in the middle of this desertic environment.

As it is a segment of the Replica collection that captures fantasy memories, the Oasis proposed here is not a realistic reproduction, but a mirage amid the heat and infinity of the desert. As a memory, it works more like catching the olfactory elements of this mirage, as if we were distant from it. Thus, the perfume more suggests than gives full body to the fruit and floral aspects, however they are present in the composition.

Considering that the theme of the perfume was that of an oriental oud, the first surprise I had when spraying it on the skin without knowing the concept was of a suggestion of a fruity aquatic aroma, something very rare to see in this type of thematic But he is here to suggest the illusion of fruit, with something that creates citrus and watermelon countours. This illusion dissipates quickly, making room for the other two desertic illusions proposed, the aroma of fruits and flowers. Regarding the flowers although we have the davana in practice we have a floral aroma half roasted and dry typical of imortelle, that matches the desert theme and that comes along with touches of spices. We also have a rose not very evident but in line with what is expected of an oud perfume. The davana flowers along with the osmanthus and dates create the exotic and juicy fruity aroma that other oriental perfumes usually present, perhaps reminding me something of Amouage's Jubilation XXV.

As this Oasis is nothing more than an illusion in the middle of the desert, as soon as the nose recovers the sanity of the vision that the eyes had returned to a resinous and incensed, something more "arid" environment. Yet it is a harmonious impression, a blend of earthy patchouli aroma, a more woody oud with connotations of incense. It is an exploration of the Oud and desert themes in a very creative and in a way full of nuances to be discovered.