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21 de set de 2018

Natura Essencial Oud Feminino - Resenha/Avaliação/Review

Algumas coisas me chamam a atenção na nova dupla de perfumes Oud da linha Essencial da Natura. Provavelmente as opiniões a respeito dos perfumes soarão como se tudo fosse parte da estratégia de marketing da marca. Mas o fato é que a Natura surpreendeu lançando um perfume que eu não imaginava que ela seria capaz de fazer. Não pela questão de se ousar a entrar em uma tendência para um público que talvez nem saiba o que é Oud, mas pelo fato de oferecer perfumes com uma construção olfativa impecável do começo ao fim. E além disso, criações que conseguem encontrar um ponto de acordo entre a temática retratada e os gostos do consumidor que a Natura tem ido atrás desde o ano passado.

Uma das mudanças que marcou 2017 na Natura em perfumaria é que a marca finalmente entendeu que a Brasileira gosta de perfume doce e é como se a empresa disesse "É doce que vocês querem? Pois é doce que vamos dar então!". Mas isso tem sido feito do jeito Natura de ser, tentando sempre encontrar uma forma de sofisticar, de não tornar enjoativo demais, cansativo demais, gritante demais. Louvo isso na marca, esse cuidado mais minucioso mesmo para o mercado de massa. E esse para mim é o fio condutor do Essencial Oud Feminino.

Do ponto de vista de classificação olfativa, a versão feminina é complicada de se encaixar. Se você começa a analisar os detalhes do perfume você vê que ele ao mesmo tempo que é um oriental especiado é um chypre floral e um gourmand também. Poderia ser uma bagunça, mas creio que o perfumista escolhido para trabalhar junto com Verônica Kato consegue tornar o complicado simples e fluído.

Há várias maneiras de se retratar a abstração do aroma do Oud e para o feminino a marca escolhe o ponto de vista da dupla oud e rosas. Estamos diante de um acorde rosas licorosas, frutadas e que ressaltam o lado mais doce de muitos perfumes de Oud. Isso é equilibrado por uma saída especiada mais fechada, um aroma seco de pimenta preta que com o oud e rosa torna a combinação bem unissex. O lado mais feminino da fragrância vai surgindo com os tons mais frutados e licoroso e o aspecto chypre moderno que surge para amparar o aroma das rosas. Nessa fase a nuance de açúcar me faz pensar em uma sensação interessante, é como se tivesse sido feito um praliné, só que em vez de amendoas o recheio é de rosas e oud. Ou ainda, temos rosas confitadas em oud e açúcar e um toque de castanhas. Talvez o doce possa assustar a alguns, mas eu sugiro sentir entre os detalhes pois há coisa bem interessante acontecendo. E antes que se reclame que o perfume não tem cheiro de Oud, no final da evolução o seu lado mais amadeirado surge para recapitular a fragrância.

Um cuidado que a Natura tem feito na linha Essencial desde o lançamento do Elixir é fazer com que as fragrâncias masculina e feminina se conversem e reflitam distintas faces de um mesmo tema. Isso é muito bem feito aqui e creio que como há uma base em comum entre os OUDs dá para combiná-los e conseguir efeitos diferentes. Quem achou o Oud feminino muito doce eu recomendo calibrá-lo com o aroma especiado amadeirado couro do masculino, vejo que funcionará muito bem.