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21 de set de 2018

Natura Essencial Oud Masculino - Avaliação/Resenha/Review

Desde 2017 a Natura tem um projeto ambicioso em curso que pode ser resumido no seu slogan: "A casa de perfumaria do Brasil". Percebe-se que a marca saiu da sua zona de conforto em todos os sentidos: começou a reinventar sua assinatura olfativa, diversificou sua estratégia de vendas, percebeu a importância do marketing e das mídias digitais e abriu suas portas para isso. Mesmo que em cada uma dessas abordagens existam pontos que possam ser melhores, a marca para mim demonstra que não apenas deseja ser vista como a casa de perfumaria do Brasil para brasileiros, e sim mundo afora, certamente parte de seu projeto de expansão internacional que está em curso no momento.

Com isso, percebe-se uma mudança significativa nos perfumes que a marca tem lançado desde 2017. Já haviam indícios dessa mudança desde 2015 porém em 2017 isso nunca ficou tão evidente quanto antes. Os perfumes da Natura deixaram de parecer cópias de importados para finalmente se tornarem no mesmo nível de criações importadas. E atenta as tendências da perfumaria internacional a marca lança o seu primeiro perfume de Oud dentro da linha essencial.

Ainda que a tendência de perfumes de Agarwood/Oud/Aoud já ocorra a alguns anos, o fato é que relatórios de agências de tendência indica que ela ainda está longe de morrer. A temática de oud preencheu um gap por criações marcantes e de boa performance e a sua versatilidade certamente facilita o seu uso em diversos contextos - amadeirado, animálico, floral, ambar, gourmand por exemplo. E ainda que os mais exigentes reclamem que muito dos perfumes que saem não possuem o aroma da extração da Árvore infectada pelo fungo (que dá seu cheiro característico), isso seria ignorar que a perfumaria moderna sempre avançou criando abstrações que fossem agradáveis e coerentes mesmo que não fossem literais em relação ao aroma reproduzido.

A criação masculina da dupla Essencial Oud faz um belo trabalho com a temática e mira muito mais que um perfume que seja saturado em Agarwood/Oud. É possível perceber o acorde, entretanto estamos diante de um perfume requintado que o utiliza para homenagear o oriente com a harmonia e abstração que se espera de um perfume mais clássico ocidental. Essencial Oud na sua versão masculina abre com o cheiro de acorde de oud e é uma reprodução que fica entre um aroma amadeirado mais seco e um quê meio medicinal. Ele é equilibrado por um toque cítrico limpo que me remete a neroli e que serve apenas para criar harmonia. Outros elementos mais clássicos de um perfume de oud aparecem logo em seguida, com um excelente aroma de açafrão dando um toque de couro e uma rosa quase negra em seu aroma, com um aspecto levemente mentolado e aromático de gerânio. É interessante que a marca ainda tenha achado espaço para acrescentar um leve quê gourmand que atua de fundo no perfume - noto um toque sutil açúcarado e de baunilha que dentro do contexto da ideia me faz pensar no lado animálico gourmand que sinto nas sementes da fava de baunilha.

Não me lembro de ter sentido até hoje um perfume da Natura com tantos detalhes e com uma evolução tão bem feita do começo ao fim. A marca realmente se dispôs a fazer mais que um perfume de Oud, a fazer um bom perfume de Oud e um com performance digna do que se espera do tema. É para mim uma das melhores criações da marca e um que tranquilamente poderia ser lançado em grifes internacionais custando o dobro ou até mais. A marca está de parabéns por esse excelente projeto.