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25 de set de 2018

Teo Cabanel Barkhane - Avaliação/Resenha/Review



Português (click here for english):

É interessante ressaltar que quando se trata de perfumaria árabe há mais o que se explorar além da trinca oud, açafrão e rosas que tem dominado os lançamentos ano após ano. Mesmo não sendo especialista em perfumaria árabe pelas percepções que tenho digo que essa é uma perfumaria pautada principalmente na riqueza dos aromas, sem medo de explorar o peso de notas de base que a perfumaria ocidental adquiriu pós decada de 90. E nessa riqueza de aromas temos um mundo versátil de resinas quentes, de timbre baixo e de nuances diversificadas, capazes de criar belas nuances exóticas e conferir os atributos de performance tão desejados no momento atual.

Gosto que em Barkhane Teo Cabanel não vai direto para o óbvio, nem na temática nem nos ingredientes. Barkhane faz uma alusão direta ao deserto, com seu nome sendo referência as dunas de areia em forma de arco que são formadas por meio dos ventos. E para um perfume que homenageia o deserto e as areias nada melhor do que focar sua exploração árabe em dois exsudados extraídos diretamente de espécies que sobrevivem nesse ambiente: mirra e ládano.

Barkane é de fato o que sua descrição promete, refinado, elegante, potente e sutil ao mesmo tempo, como se o calor de suas resinas multifacetadas fosse carregado pelos ventos cortantes do deserto. Apesar da composição ter cítricos e florais, o centro de seu aroma está na riqueza do labdanum, mirra, baunilha e tonka, que criam um aroma ambarado seco, com nuances frutadas, um aspecto atalcado seco e algo sutilmente doce. Temos rosa, gerânio, cominho e curry aqui para conferir um lado mais sensual e quente a esse deserto e o oud apesar de estar presente na composição acaba se mesclando ao cenário das resinas e ajudando a compor a aura de incenso ambarado que envolve Barkhane do começo ao fim. Certamente em dias de calor muito intenso Barkhane irá favorecer mais seu lado potente do que o aspeco sutil, porém com um clima menos abafado seu aroma atinge a harmonia misteriosa e rica de um perfume que toca em aspectos clássicos da perfumaria árabe com um quê de equilíbrio da perfumaria francesa.

English version

It is interesting to note that when it comes to Arab perfumery there is more to be explored than the triplet of oud, saffron and roses that have dominated the launches year after year. Even though I am not a specialist in Arab perfumery, I say that this is a perfumery based mainly on the richness of the aromas, without fear of exploring the weight of base notes, a ferar that Western perfumery acquired after the decade of 90. And in this richmess of aromas we have a versatile world of hot resins, low-pitched and diversified nuances, capable of creating beautiful exotic auras and bestowing the performance attributes so desired at the present time.

I like that in Barkhane Teo Cabanel does not go straight to the obvious, neither thematic nor the ingredients. Barkhane makes a direct reference to the desert, with its name being reference to the arc-shaped sand dunes that are formed through the winds. And for a perfume that honors the desert and the sands nothing better than focusing its Arab exploration on two exudates directly extracted from species that survive in this environment: myrrh and labdanum.

Barkane is indeed what his description promises, refined, elegant, powerful and subtle at the same time, as if the heat of its multifaceted resins were carried by the biting winds of the desert. Although the composition has citrus and floral, the center of its aroma is in the richness of labdanum, myrrh, vanilla and tonka, which create a dry amber aroma, with fruity nuances, a dry and somewhat subtly sweet aspect. We have rose, geranium, cumin and curry here to give a more sensual and warm side to this desert and the oud despite being present in the composition ends up merging with the resin scene and helping to compose the amber incense aura that surrounds Barkhane from the beginning to the end. Certainly in days of very intense heat Barkhane will favor more its powerful side than the subtle aspect, but with a less muffled atmosphere its aroma reaches the mysterious and rich harmony of a perfume that touches on classic aspects of the Arab perfumery with a balance thing of French one.