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24 de set de 2018

Viktor & Rolf Lavender Illusion - Avaliação/Resenha/Review



Português (click here for english):

Quando se pensa em truques de mágica e ilusionismo há de se considerar que não se pode julgar todos de maneira igual. O que um mágico de festa faz, por exemplo, dificilmente será vendido igual ao que um mágico celebrado e mais caro como os truques que um David Copperfield faz. Por mais que você possa ter truques cuja a mecânica é conhecida, as surpresas e o refinamento é que fazem a diferença. Aparentemente a Viktor & Rolf entende tanto de perfumes como de mágica, visto que seu Lavender Illusion é um troque meia-boca vendido como orçamento de David Copperfield.

A ideia da ilusão aqui é a de fazer a lavanda além das suas conotações aromáticas e frescas um aspecto floral. A isso é dado ares exóticos e pomposos com um ingrediente novo e pouco explorado: o caviar cítrico ou o finger lime, que é uma espécie frutal exótica onde a parte interna da fruta se assemelha a ovas de caviar que explodem com um aroma cítrico no paladar. Finalmente, o perfume promete um contraste entre sensações quentes e frias.

Na prática, Lavender Illusion é tão pobre que por comparativo faz Sage Spell parecer luxuoso e exclusivo. Eu realmente me pergunto como que ninguém questiona que combinar de forma massiva um acorde de lavanda, uma base de musk e um aspecto frutado vai trazer distinção, luxo e magia? É como se a Natura tivesse resgatado seus perfumes mais populares, melhorado um pouquinho a fórmula e cobrado muito mais.

A utilização do finger lime aqui é um exemplo de algo que eu critico quando vejo notas exóticas em perfumes: elas quase sempre ficam mais na teoria do que na prática. Temos um cítrico fresco, bom, mas nada de exótico, que é seguido pelo aroma frutado e mais ardido do cassis. A lavanda surge logo em seguida, uma lavanda que certamente é de qualidade mas que nada de novo tem a dizer já que se explora é o seu lado fresco e aromático e o floral mal aparece. O aspecto amadeirado é o mesmo aroma rústico, amadeirado e ambarado que aparece em outros perfumes, só que bem moderado aqui, deixando espaço para que musks assumam a base e façam com que o perfume praticamente suma na pele e vire um sussurro. A única ilusão que eu consigo ver aqui, e uma muito mal feita, é a de tentar passar um perfume barato em sua ideia com ares de exotismo e qualidade de materiais. Para 220 dólares isso é péssimo.

English version

When one thinks of tricks of magic and illusionism it has to be considered that you can not judge everyone equally. What a party magician does, for example, will hardly be sold like one of a celebrated and more expensive magician, like the tricks a David Copperfield does. As much as you may have tricks whose mechanics are known, the surprises and refinement make the difference. Apparently Viktor & Rolf understands as little of perfume and magic, since their Lavender Illusion is a half-mouth switch sold as David Copperfield's budget.

The idea of the illusion here is to make the lavender beyond its aromatic and fresh connotations and add a floral aspect. To this is given exotic and pompous airs with a new and little explored ingredient: citrus caviar or finger lime, which is an exotic fruity species where the inner part of the fruit resembles caviar roe that explode with a citrus aroma on the palate . Finally, the perfume promises a contrast between hot and cold sensations.

In practice, Lavender Illusion is so poor that by comparison makes Sage Spell look luxurious and exclusive. I really wonder how anyone not questions that massively combining a lavender, a musk base and a fruity opening will bring distinction, luxury and magic? It is as if Natura (brazillian masmarket brand) had rescued its most popular perfumes, improved the formula a little and charged much more.

The use of finger lime here is an example of something that I criticize when I see exotic notes in perfumes: they almost always are ther more in theory than in practice. We have a fresh, good citrus, but nothing exotic, which is followed by the fruity and more acidic aroma of the cassis. The lavender comes soon after, a lavender that is certainly of quality but that new has nothing new to say since what it explores is its fresh and aromatic side barely touch the floral. The woody aura is the same rustic, woody and ambery scent that appears in other perfumes, but rather moderated here, leaving room for musks to take up the base and make the scent practically close to the skin and a whisper. The only illusion I can see here, and one very poorly made, is to try to pass a perfume which is cheap in its idea with exoticism and quality of materials. For 220 dollars, that sucks.