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24 de set de 2018

Viktor & Rolf Magic Sage Spell - Avaliação/Resenha/Review



Português (click here for english):

Em tempos de crise o setor de luxo sempre pode contar com o poder da perfumaria para gerar lucros. Certamente um dos pioneiros nesse sentido foi Jean Patou que na crise de 1929 percebeu que poderia utilizar conceitos de marketing e ancorar de certa forma a sobrevivência de sua marca na perfumaria. Quase 90 anos se passaram e os nomes mudaram, mas estilistas como Viktor & Rolf continuam utilizando do mesmo conceito de exclusividade e luxo que Jean Patou de certa forma foi um pioneiro, utilizando o veículo do momento de criação de coleções exclusivas.

Se no começo da década de 2000 e perfumaria de nicho de certa forma foi uma concorrente das marcas comerciais e dos designers com o passar do tempo ela se tornou uma espécie de catequizadora que doutrinou as pessoas com relação aos conceitos de que pagando-se mais na prática você estaria recebendo uma experiência mais exclusiva, com materiais mais nobres, algo melhor. O que na prática nem sempre é verdade, porém perfume e magica partem do mesmo princípio, de que você precisa acreditar sem ver como o truque funciona.

E é justamente ancorado no conceito de mágica que os designers propõem a Magic Collection, inclusive ressaltando justamente o aspecto ilusionista dos perfumes. É algo curioso de ser feito, há quase uma ironia disfarçada de conceito nisso. Mas é legal pois serve para analisar que vendido em um universo a parte, como experiência, para um usuário que não seja apaixonado por perfumes é possível vender praticamente qualquer coisa em uma faixa de preço mais alta, caso de Sage Spell.

Com o olhar crítico, eu diria que pelo perfume em si Sage Spell é um conceito engodo para um perfume medíocre. Seu aroma é o tipo que eu esperaria ver numa coleção melhor trabalhada lançada pela Zara, porém não custando 220 dólares. Promete-se menta, absinto e sálvia, um conjunto de ervas que certamente teria um aspecto mágico e que tem uma história a ser explora. Entrega-se na verdade um perfume aquático fresco e potente, uma espécie de versão reduzida do antídote que corta complexidade, aumenta o frescor e propõe performance. É decepcionante, comum e muito caro pelo que entrega, mas vende pois você compra a ilusão de consumir um universo de luxo, algo quase tão antigo quanto o setor de luxo em si.

English version

In times of crisis the luxury sector can always rely on the power of perfumery to generate profits. Certainly one of the pioneers in this sense was Jean Patou who in the crisis of 1929 realized that he could use marketing concepts and anchor in some way the survival of his brand in the perfumery. Almost 90 years have passed and the names have changed, but stylists like Viktor & Rolf continue to use the same concept of exclusivity and luxury that Jean Patou was in some ways a pioneer, using the vehicle of the moment which is creating exclusive collections.

If in the early 2000's niche and exclusive perfumery in a way it was a competitor of mainstream and designers over time it became a kind of catechizer who indoctrinated people with regard to the concepts that by paying more in the practice you would be getting a more exclusive experience with nobler materials, something better. What in practice is not always true, but perfume and magic start from the same principle, that you need to believe without seeing how the trick works.

And it is exactly anchored in the concept of magic that the designers propose the Magic Collection, including emphasizing exactly the illusionistic aspect of the perfumes. It's a curious thing to do, there's almost an irony disguised as a concept in it. But it is cool because it serves to analyze what is sold in a universe as an experiment: for a user who is not passionate about perfumes it is possible to sell practically anything in a higher price range, in this case, Sage Spell.

With the critical eye, I would say that by the perfume itself Sage Spell is a decoy concept for a mediocre perfume. Its scent is the kind I'd expect to see in a better-crafted collection released by Zara, but not for $ 220. It promises mint, wormwood and sage, a collection of herbs that would certainly look magical and have a history to be explored. It actually delivers a fresh and powerful aquatic scent, a kind of reduced version of the antidote that cuts complexity, enhances freshness and proposes performance. It is disappointing, ordinary and very expensive for what it delivers, but it sells because you buy the illusion of consuming a universe of luxury, something almost as old as the luxury sector itself