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21 de out de 2018

Guerlain Aqua Allegoria Pamplelune - Avaliação/Resenha/Review



Português (click here for english):

Se na década de 2000 o mercado mais tradicional de luxo parecia se mover numa direção mais exclusiva a Guerlain ia numa direção totalmente oposta com a linha Aqua Allegoria. Recém-adquirida pela LVMH na época, o objetivo com a linha parecia popularizar a marcar sem tirar o seu aspecto de prestígio. O perfumista Jean Paul Guerlain trabalhou junto com Mathilde Laurent numa proposta inicial de 5 fragrâncias que se propunham a isso enquanto possuíam um tema: um passeio pelo jardim e a riqueza de seus diferentes aromas.

Olhando em retrospecto a configuração da linha é curiosa pois temos justamente os mesmos elementos que são trabalhados em uma perfumaria de nicho/exclusiva, porém aplicados em algo mais acessível. Temos a ênfase na nobreza dos materiais e em composições mais simples e diretas, mais fáceis de serem entendidas. Só que a marca em vez de cobrar preços altos oferecia boas composições por preços acessiveis.

Dos 5 primeiros, Pamplelune era o que preenchia a lacuna cítrica da composição, com um nome que parece romantizar a sua temática: o grapefruit/toranja. Apesar da simplicidade do aroma, Pamplelune almeja alto em reproduzir de forma realista e fidedigna o aroma do grapefruit. Para isso, o perfume não suaviza as arestas mais complicadas e os primeiros momentos é como uma fotocópia do aroma da grapefruit: o sumo da casca liberado no ar, o aroma cítrico adstringente, o aspecto mais amargo do fruto. É interessante que o uso do aroma mais amargo e ácido do cassis ajuda a reforçar esse aroma do grapefruit ao mesmo tempo que parece estender o perfume em uma discreta nuance de rosas.

Como se esperaria de um perfume Guerlain fácil, Pamplelune evolui de forma direta e simples, porém graciosa. A composição termina em uma discreta base que utiliza o aroma do patchouli reforçando mais seu tom meio amargo, com a baunilha arrendondando e atuando de forma secundária. Pamplelune como se esperaria do cítrico tem uma performance mais rente a pele depois que passa a saída. É uma configuração inusitada para um perfume cítrico e um interessante case de sucesso do que a Guerlain pode fazer mesmo quando almeja o simples.

English version

If in the 2000s the more traditional luxury market seemed to move in a more exclusive direction Guerlain went in a totally opposite one with the Aqua Allegoria line. Newly acquired by LVMH at the time, the goal with the line seemed to be popularize the brand without taking away its prestigious appearance. The perfumer Jean Paul Guerlain worked with Mathilde Laurent on an initial proposal of 5 fragrances that had this aim while they had a theme: a stroll through the garden and the richness of its different aromas.

Looking back on the configuration of the line is curious because we have just the same elements that are worked in a niche / exclusive perfumery, but applied in something more accessible. We have an emphasis on the nobility of materials and on simpler and more direct compositions that are easier to understand. But the brand instead of charging high prices offered good compositions at affordable prices.

Of the first five, Pamplelune was the one filling the citrus gap of the line with a name that seems to romanticize its theme: grapefruit/pamplemousse. Despite the simplicity of the aroma, Pamplelune aims to reproduce in a realistic and reliable way the aroma of grapefruit. For this, the perfume does not soften the more complicated edges and the first moments is like a photocopy of a grapefruit aroma: the juice of the bark released in the air, the astringent citrus aroma, the bitterest aspect of the fruit. It is interesting that using the more bitter and acidic aroma of cassis helped to enhance this aroma of grapefruit while extending the scent into a discreet nuance of roses.

As you would expect from an easy Guerlain perfume, Pamplelune evolves in a straightforward fashion, one that is simple but graceful. The composition finishes in a discrete base that uses the aroma of the patchouli reinforcing more its half bitter tone, with the vanilla waving and acting on a secondary form. Pamplelune as you would expect from citrus has a performance closer to the skin after it passes the opening. It is an unusual setting for a citrus scent and an interesting case of success of what Guerlain can do even when aiming to the simple.