Pesquisar este blog

21 de out de 2018

Guerlain Cruel Gardenia - Avaliação/Resenha/Review



Português (click here for english):

Eu não entendo o por quê mas quando se trata de criar florais a Guerlain não se dá bem com flores brancas mais exóticas. Parece que a marca ao evitar reprodução de esteriótipos de soliflores acaba saindo tão fora do tema que cria composições praticamente irreconhecíveis na flor que leva o nome. Ainda sim, alguns projetos como Cruel Gardenia vendem bem independentemente desse problema.

Cruel Gardenia não faz sentido do ponto de vista do aroma e do marketing. Sua descrição no site da marca é quase como uma espécie de bingo da perfumaria de luxo; dá para fazer a cartela e ir marcando todos os clichês utilizados na descrição: materiais nobres, refinamento, sensualidade, cativante, intenso, tenro, onipresente, empolgante. Isso sem contar que estamos falando de uma gardênia de aura de algodão e super concentrada em white musks como a própria marca fala. Eu sumarizaria a descrição de publicidade dessa propaganda em uma única palavra: esquizofrênico.

Com relação ao perfume, para mim é bizarro que a marca o chame de Cruel Gardênia, pois não há nada que diga Gardênia aqui ou que seja Cruel. Luminous Iris ou Luminous Lys fariam mais sentido como nome para o perfume, já que de todo besteirol escrito no marketing o que faz sentido nesse perfume é a saturação dos musks brancos e a luminosidade. Estamos diante de um aroma powdery não muito longe de um Prada Infusion d'Iris porém mais concentrado e com um toque atalcado que remete distantemente ao perfume Flower by Kenzo.

Cruel Gardênia abre com um aroma bem retrô, um cheiro de talco de rosas e flores brancas. Em poucos minutos o perfume começa a abrir e apresenta uma iris sofisticada e equilibrada entre o aspecto terroso e atalcado, apoiada nas nuances secundárias de violeta. O perfume então se encaminha para um aroma duradouro, simples e fácil de entender: uma cama macia de musks com um leve toque ambarado e doce da assinatura olfativa da Guerlain. É um perfume que fica entre o limite do datado e do moderno e que funciona bem em sua delicadeza e persistência. Eu diria que a única crueldade aqui é o péssimo uso do conceito para criação da identidade da fragrância.

English version

I do not understand why but when it comes to creating flower fragrances Guerlain does not get along with more exotic white ones. It seems that the brand by avoiding reproduction of stereotypes of soliflores ends up coming out so off the subject that it creates compositions almost unrecognizable in the flower that bears the name. Still, some projects like Cruel Gardenia sell well regardless of this problem.

Cruel Gardenia does not make sense from the point of view of aroma and marketing. Its description on the brand website is almost like a kind of luxury Bingo; you can make the carton and go marking all the clichés used in the description: noble materials, refinement, sensuality, captivating, intense, tender, omnipresent, exciting. Not to mention that we are talking about a cotton aura gardenia and super concentrated on white musks as the brand itself speaks. I would summarize the advertisement description of this advertisement in a single word: schizophrenic.

With regard to perfume, it is bizarre to me that the brand calls it Cruel Gardenia, because there is nothing that says Gardenia here or that it is Cruel. Luminous Iris or Luminous Lys would make more sense like name for the perfume, since of all bulsshit written in the marketing what makes sense in this perfume is the saturation of the white musks and the luminosity. We are faced with a powdery scent not far from a Prada Infusion d'Iris but more concentrated and with a powdery touch that remits distantly to the Flower by Kenzo perfume.

Cruel Gardenia opens with a very retro scent, a scent of talc of roses and white flowers. In a few minutes the perfume begins to open and presents a sophisticated and balanced iris between the earthy and powdery aspects, supported by the secondary nuances of violet. The fragrance then moves on to a long-lasting, simple and easy-to-understand aroma: a soft bed of musks with a slight amber and sweet touch of Guerlain's signature olfactory. It is a perfume that sits between the edge of the dated and the modern and works well in its delicacy and persistence. I would say that the only cruelty here is the poor use of the fragrance identity creation concept.